Smartphone impulsiona crescimento da internet no Brasil, diz pesquisa

Ao todo, 54% dos domicílios e 61% dos brasileiros com 10 anos ou mais já estão na internet

Qualquer usuário poderá realizar consultas na Receita, inserindo número do processo, CPF ou CNPJQualquer usuário poderá realizar consultas na Receita, inserindo número do processo, CPF ou CNPJ - Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Praticamente todo o crescimento nos domicílios conectados digitalmente no Brasil se deu por meio de conexões móveis, segundo a pesquisa TIC Domicílios 2016. No ano passado, 9,3 milhões de residências dispunham de conexões móveis. Em 2012, eram 5 milhões de domicílios. Ao todo, 54% dos domicílios e 61% dos brasileiros com 10 anos ou mais já estão na internet.

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De acordo com a pesquisa, 43% dos usuários usavam só o celular para acessar a internet (eram 20% em 2014), enquanto 6% usam só o computador. Os restantes usam ambos, mas essa proporção vem caindo anualmente. Os usuários principalmente mobile são os mais jovens, mais rurais e mais pobres. O uso misto se concentra entre os mais ricos, mais urbanos e mais velhos.

A pesquisa ouviu 23.751 pessoas acima de 10 anos de idade em 350 municípios brasileiros. "O telefone móvel celular é um dispositivo relevante para a inclusão digital, mas o uso exclusivo no celular cria algumas limitações, por exemplo, no desenvolvimento de habilidades, como criação de conteúdos, programação e outros usos menos sofisticados", diz Alexandre Barbosa, coordenador do Cetic.br, que realiza a pesquisa.

Os acessos por meio de banda larga fixa se mantiveram estáveis pela primeira vez na história da pesquisa, usados por 23 milhões de domicílios, ou um quarto dos lares brasileiros.

A maior proporção de usuários de internet no celular usa o wi-fi, em detrimento do 3G e 4G, redes que exigem plano de dados no celular. "É uma forma de usar a internet e não gastar tanto dinheiro", diz Winston Oyadomari, coordenador da pesquisa. O uso exclusivo do wi-fi chega a 30% dos usuários das classes D/E, versus 9% da classe A. Entre as crianças de 10 a 15 anos, ele chega a 42%.

Com isso -estabilidade fixa e crescimento móvel- aumentou a disponibilidade de internet nas classes D e E (de 16% para 23% dos domicílios e de 30% para 35% das pessoas) e na região norte do Brasil, onde a banda larga fixa tem dificuldade de chegar. As conexões móveis são 49% das classes D e E e 47% da região Norte do país. "O cenário é de desigualdade", diz Oyadomari.

No país inteiro, 14% dos domicílios já têm acesso á internet sem terem computador -ou seja, sua inclusão digital se deu por meio de dispositivos móveis. Em 18% dos domicílios conectados, a internet chega de "carona" com vizinhos, por meio do wi-fi compartilhado. Isso ocorre principalmente em áreas rurais e no Nordeste, especialmente nos domicílios de classe D e E e com renda familiar de 1 ou 2 salários mínimos.

"Nos últimos anos houve crescimento exponencial do uso diário. Quem usa internet no Brasil praticamente usa todos os dias", diz Barbosa.

Internet cara

Nos domicílios sem acesso, o principal motivo para estar desconectado é o custo. 57% dos domicílios apontam o preço como um dos motivos, e 26% afirmam ser esse o principal. O coordenador do Cetic aponta o preço da conexão como uma questão relevante de política pública e observa que as regiões Sul e Sudeste já parecem estar atingindo um certo grau de saturação da capacidade de crescimento das conexões por banda larga fixa. "Precisamos mudar o preço e outras condições também, como imposto", afirma.

Segundo a pesquisa, 89% das pessoas que usam a internet o fazem para enviar mensagens instantâneas, usando aplicativos como o WhatsApp, e 78% afirmam usar redes sociais. Essas proporções são semelhantes ao que foi verificado em 2015. Há diferenças de hábitos entre áreas urbanas e rurais —nas cidades, 70% usam a internet para assistir a vídeos e séries, enquanto no meio rural são 56%.

Em 2016, aumentou a proporção de pessoas que divulgam ou vendem produtos e serviços. Os vendedores cresceram de 7% em 2012 para 17% em 2016, enquanto os compradores cresceram de 31% para 38% em cinco anos. No ano, apenas os vendedores cresceram, ainda que dentro da margem de erro.

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