Suspensão de tabela de frete coloca pressão sobre STF, dizem advogados

Caminhoneiros ameaçaram iniciar uma nova greve

Caminhoneiros estão otimistasCaminhoneiros estão otimistas - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

A decisão do governo de suspender a revisão da tabela do frete publicada na última quinta-feira (18) aumenta a expectativa das empresas por um julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade do mecanismo de fixação de preços.

O ministério da Infraestrutura disse nesta segunda-feira (22) que iria solicitar a suspensão da tabela publicada na semana passada, feita a partir de estudos da Esalq-Log, da Universidade de São Paulo.

A mudança foi informada anteriormente em áudios de WhatsApp do ministro Tarcísio de Freitas para lideranças dos caminhoneiros, que ameaçavam uma greve por considerarem os valores pagos a eles, menores do que os da tabela anterior, insatisfatórios.

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O tabelamento do frete foi criado pelo governo Michel Temer (MDB) em Medida Provisória que tinha justamente o objetivo de arrefecer uma longa paralisação de caminhoneiros, ocorrida em maio de 2018.

Sancionada pelo Congresso, a tabela teve sua constitucionalidade questionada em ações movidas pelas confederações da indústria e da agricultura.O advogado Aurélio Marchini, do Marchini Botelho Caselta Advogados, que diz considerar a tabela inconstitucional por limitar a concorrência, afirma que a decisão desta segunda indica que o governo teria demonstrado que faltam instrumentos ou interesse para tratar da questão.

"A decisão de suspender a tabela gera a preocupação de que, em vez de o governo estar tentando criar uma discussão razoável, está cedendo mais uma vez e colocando mais pressão sobre o Supremo Tribunal Federal, que deve decidir sobre o tema em setembro", afirma o advogado.

Para o advogado, a expectativa do setor empresarial era que, no momento de tomada de decisão pelo tribunal, o cenário seria mais favorável. "A expectativa era de que o assunto chegasse lá em outros termos, com a economia se recuperando e o governo colocando em práticas outras formas de tratar do setor, de aumentar sua competitividade", explica.

Diogo Siuffo, sócio do Bichara Advogados, diz acreditar que a decisão desta segunda indica que o governo estaria perdido em relação ao assunto. "A nova tabela [que deve ser suspensa] é resultado de um trabalho técnico, com a participação de todos os envolvidos, enquanto a anterior foi feita em poucos dias. Isso[o provável retorno para a tabela anterior] demonstra cenário de desarticulação do governo e seu enfraquecimento para negociações futuras."

Segundo ele, ao abrir mão da mudança na tabela, o governo está transferindo a responsabilidade por tomar iniciativa em relação ao assunto ao Supremo. Siuffo diz que a indefinição leva empresas a buscarem alternativas ao transporte de cargas com autônomos, em especial a contratação de frota própria ou de transportadoras.

Fábio Alem, sócio do escritório Veirano, discorda que a suspensão denote fraqueza do governo. Ele diz considerar que a suspensão da tabela abre espaço para uma nova negociação sobre o tema, na qual o governo buscará uma solução em que haverá menos peso do intervencionismo do Estado na economia. Ele diz acreditar que a orientação do governo atual pró-mercado deverá pesar no julgamento do STF.

"O STF está ligado ao juciciário, mas leva muito em conta a questão política. haverá pressão dos caminhoneiros sobre o governo e pressão do governo sobre o STF, mas deve prevalecer a influência do ministro da Economia", afirma.

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