dívida pública

Tesouro vê dívida pública passar de R$ 4,4 tri, com prazo menor e juros longos mais altos

Por outro lado, participação de estrangeiros na dívida pública cresce e custo de estoque diminui

Secretário do Tesouro Nacional, Bruno FunchalSecretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal - Foto: Divulgação/Ascom

A dívida pública federal aumentou 1,56% e chegou a R$ 4,412 trilhões em agosto. Apesar de certos indicadores mostrarem melhora devido a um ambiente externo mais favorável, o Tesouro Nacional afirma que há incerteza de investidores sobre as contas públicas brasileiras, o que tem limitado os números e pressionado taxas de juros no longo prazo.

"No mercado doméstico, a gente não viu um cenário tão favorável quanto no mercado externo", afirmou Luis Felipe Vital, coordenador-geral de operações da dívida pública do Tesouro. "A gente viu a curva de juros subir mais uma vez, principalmente nos vértices mais longos. Ou seja, a curva de juros ganhando inclinação, com investidores mostrando maior preocupação com o cenário fiscal", disse.

O CDS (Credit Default Swap, indicador de risco do país) de 5 anos registrou redução considerada marginal (de 1,3%), ficando em 215 pontos ao fim do mês. Pares emergentes como Colômbia, Chile, Peru e México mostraram uma retração mais forte em agosto, com o CDS em patamar mais baixo.

Em meio ao cenário, os investidores estrangeiros aumentaram a participação na dívida pública federal interna de 9,04% em julho para 9,4% em agosto, após cinco meses seguidos de queda. Apesar disso, o Tesouro vê o movimento como pontual.

"Em momentos em que a taxa de juros, combinada com a taxa de câmbio, atinja níveis mais atrativos, a gente pode ver maior fluxo principalmente daquele investidor com mais flexibilidade", afirmou Vital.

"Mas quando a gente olha a figura maior, nos parece uma entrada muito mais pontual, relacionada a taxas, do que um fluxo consistente que já vimos no passado e esperamos ver num futuro próximo. Isso claramente depende do avanço na consolidação fiscal", disse.

Ao longo de agosto, o Tesouro foi ao mercado e fez uma emissão líquida de R$ 31,9 bilhões. Houve melhora no percentual de vencimentos da dívida total para os próximos 12 meses, que diminuiu de 22,09% em julho para 21,65% em agosto.

Por outro lado, o prazo médio da dívida total caiu de 3,94 anos em julho para 3,9 anos em agosto. Segundo o Tesouro, atualmente há preferência dos investidores por ativos menos arriscados e mais líquidos no mercado doméstico de títulos públicos.

O custo médio acumulado da dívida total nos últimos doze meses caiu de 8,73% ao ano em julho para 8,54% ao ano em agosto.

Na visão do Tesouro, a alta nos juros observada ao longo do mês provocou aumento nas taxas. Mesmo assim, o custo médio seguiu mostrando níveis historicamente baixos, segundo o órgão.

Em relação a setembro, os dados prévios observados pelo Tesouro apontam para um mês marcado pela realização de lucros nos mercados internacionais, após altas sucessivas nos meses anteriores.

A preocupação com a possibilidade de uma segunda onda da Covid-19 na Europa e as eleições nos Estados Unidos levaram a um cenário de maior aversão ao risco. "No mercado doméstico, a curva de juros futuros seguiu ganhando inclinação, refletindo o cenário externo e as discussões sobre a trajetória fiscal no Brasil", afirma o Tesouro.

Veja também

Dólar fecha em R$ 5,37 e tem maior queda em uma semana
BOLSA DE VALORES

Dólar fecha em R$ 5,37 e tem maior queda em uma semana

Governo celebra 20 anos de fundo que pode ser extinto por Guedes
fundos

Governo celebra 20 anos de fundo que pode ser extinto por Guedes