Sáb, 07 de Fevereiro

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Economia

'Toda vez que cai muito, tende a crescer', diz sócio da TGI sobre economia brasileira

Segundo TGI, ritmo da retomada da economia depende da capacidade de Bolsonaro de implementar medidas fiscais importantes, como a Reforma da Previdência

Sócio da TGI Francisco Cunha apresenta Agenda TGI 2019Sócio da TGI Francisco Cunha apresenta Agenda TGI 2019 - Foto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

As incertezas políticas não vão inverter a curva de recuperação da economia brasileira em 2019. No máximo, vão desacelerar a retomada. A conclusão é da TGI Consultoria e Gestão, que apresentou suas perspectivas para o próximo ano nessa segunda (26) durante a Agenda TGI 2019, evento que reuniu o empresariado pernambucano no Teatro RioMar, Zona Sul do Recife.

Sócio da TGI, Francisco Cunha admitiu que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) cria incertezas no campo econômico. Mas afirmou que, mesmo assim, o Brasil deve crescer em 2019. "Bolsonaro traz uma incógnita porque, nas eleições deste ano, a pauta foi moral e não econômica. Não foi discutido como pode ser resolvido o déficit público e a crise fiscal. Mas a economia tem uma dinâmica própria. Toda vez que cai muito, tende a crescer. Então, agora deve retomar", explicou Cunha.

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Ele pontuou, porém, que o ritmo dessa retomada depende da capacidade de Bolsonaro de implementar medidas fiscais importantes, como a Reforma da Previdência. "Com uma reforma ambiciosa, podemos crescer de 3,5% a 4%. Mas, se a reforma for tímida, o crescimento fica em 2% entre 2019 e 2020. Por isso, o Governo Bolsonaro pode ficar comprometido sem a reforma", opinou.

Outro ponto que pode pesar na recuperação econômica é o posicionamento brasileiro no comércio exterior. Afinal, Bolsonaro tende a se aproximar dos Estados Unidos e se afastar da China. "Só que a China é a maior economia do mundo e nosso principal parceiro comercial. Já os Estados Unidos podem estar caminhando para um ciclo recessivo, já que os mecanismos que foram usados para conter a crise americana de 2008 estão chegando ao limite, o que pode gerar inflação e aumento de juros. Então, a equipe econômica precisa pautar isso", argumentou Cunha.

O sócio da TGI ainda disse que o desempenho nacional vai impactar diretamente a economia pernambucana. "As curvas são muito atreladas. Então, se o Brasil crescer, Pernambuco vai crescer e possivelmente até um pouco mais, já que o Estado recebeu muitos investimentos antes da crise", contou Cunha, que também prevê um bom 2019 para o Recife. Na Capital, porém, a expectativa é sobretudo de melhores condições urbanas, em vista da retomada da discussão sobre espaço público.

Além de Cunha, participaram da Agenda TGI 2019 o futurista Jacques Barcia e o arquiteto Thiago Monteiro. Em nome dos empresários, Monteiro reforçou o otimismo para 2019 e disse que o mercado está voltando mais saudável da crise. Já Jacques lembrou que o Brasil também vive uma mudança nas relações de consumo, através do uso cada vez maior de aplicativos da chamada economia de plataforma. Por isso, disse que é preciso ficar atento aos impactos socioeconômicos disso. “Essas plataformas facilitam o consumo, mas não dão estabilidade ao prestador de serviço. Por isso, precisamos avaliar como serão criadas as novas relações de trabalho”, afirmou.

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