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Transnordestina pode ficar fora do novo plano federal de ferrovias

Governo Federal Plano Nacional de Logística para ampliar malha ferroviária. Programa de investimento, porém, não mencionou a Transnordestina

Obras da Ferrovia TransnordestinaObras da Ferrovia Transnordestina - Foto: Hesíodo Góes/Arquivo Folha

Ainda sob efeito da greve dos caminhoneiros, o Governo Federal lançou o Plano Nacional de Logística (PNL) para tentar reduzir a dependência nacional das rodovias e, assim, cortar em R$ 54,7 bilhões os custos com o transporte de cargas até 2025. A ideia é ampliar os investimentos na malha ferroviária através da reestruturação das ferrovias já existentes e da construção de novas linhas de trem por meio de parcerias com a iniciativa privada. Até a noite dessa segunda-feira (2), no entanto, não havia notícias da inclusão da Ferrovia Transnordestina, que é esperada há mais de dez anos pelos moradores e pelos empresários do Nordeste, neste plano.

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Aprovado na tarde de segunda, durante reunião da Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Governo Federal, o PNL foi apresentado como um “plano que define os gargalos dos modais brasileiros e traz soluções para o Brasil avançar, principalmente nas ferrovias, em sete anos” pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Ronaldo Fonseca. As informações liberadas até agora, no entanto, apontam apenas duas ferrovias como prioridade deste projeto: a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), que fica entre Mato Grosso e Goiás e será construída pela Vale Mineradora, e o Ferroanel de São Paulo, que liga a capital paulista à região de Mogi das Cruzes e terá a obra tocada pela MRS Logística.

O material informativo publicado pelo PPI acerca do encontro, que ainda aprovou a inclusão de mais 14 empreendimentos no plano de desinvestimentos do PPI e a modelagem da concessão da Ferrovia Norte-Sul e das Rodovias de Integração Sul, também não menciona a Transnordestina. Em relação ao Nordeste, o documento indica apenas a possibilidade da existência de ferrovias na Bahia, em Sergipe e no Maranhão.

“Hoje, é zero a malha ferroviária do Nordeste. Só quem tem ferrovias é o Norte e o Sul/Sudeste do País. Então, deixar a Transnordestina de fora desse projeto é péssimo. Este empreendimento seria uma redenção para a nossa região, porque geraria empregos e reativaria as cidades que ficam ao longo da ferrovia, como Salgueiro”, reclamou o presidente da Associação Nordestina de Logística (Anelog), Fernando Trigueiro, lembrando que este empreendimento também favoreceria o transporte de mercadorias na região, barateando preços e facilitando as importações. As frutas do Vale do São Francisco, por exemplo, chegariam com muito mais rapidez ao Porto de Suape.

PNL
O PNL foi elaborado pelo Governo Federal em parceria com a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) e estuda o cenário das ferrovias brasileiras nos próximos sete anos. A meta do programa é fazer com que a participação do modal ferroviário no transporte de cargas salte dos atuais 18% para 31% até 2025. Com isso, as estradas passariam a responder por 50%, e não mais por 64%, dos fretes do País. Esses resultados, no entanto, dependem de um investimento estimado de R$ 30 bilhões.

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