Coronavírus

Uma nova fase para o mercado de eventos

Com a pandemia do novo coronavírus, produtoras de eventos precisam se reinventar para buscar receita

Drive-in é uma das novas formas de negócio durante a pandemiaDrive-in é uma das novas formas de negócio durante a pandemia - Foto: Gabriel Siqueira

Os impactos da pandemia provocada pelo novo coronavírus são diversos. Com o distanciamento social, muitos segmentos econômicos acabaram sofrendo perdas. Uns conseguem se manter com mudanças em suas operações, mas outros apresentam mais dificuldades. O mercado de eventos foi um dos setores que sofreram forte impacto, sendo preciso recorrer a adequações para continuar no cenário atual. Lives, drive-in, eventos em hotéis são algumas das apostas do setor na busca por receita.

Segundo um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape), 51,9% dos eventos previstos para ocorrer este ano foram cancelados, adiados ou estão em situação incerta. A entidade também divulgou que entre seus associados - cerca de 60% do PIB de eventos do País - há o risco de perda de emprego para cerca de 580 mil profissionais em todo o Brasil. 

Outro número de destaque que a pesquisa apontou é que 92% das empresas associadas já relataram prejuízos que somam R$ 290 milhões. A Associação acredita ainda que esse número pode chegar à casa dos bilhões se for considerada toda a cadeia produtiva do setor de eventos, que envolve em torno de 60 mil empresas no País.

Apesar da crise, as empresas precisaram usar da criatividade e buscar a reinvenção para o prejuízo não ser tão grande. Uma das formas de gerar renda, foi a realização das já famosas ‘lives’, como conta o diretor da Abrape em Pernambuco, Geraldo Carvalheira.

“Nosso setor foi o primeiro a parar e certamente vai ser o último a voltar. Pernambuco parou logo após o Carnaval. Com isso você imagina o impacto de não ter festa juninas, as prévias. São festas tradicionais na nossa Região. A live, como todo mundo já está acostumado a ver, são eventos virtuais, onde quem gera maior receita são os artistas”, disse.

Geraldo Carvalheira destaca que já existem protocolos para retomada de alguns tipos de eventos, como o teatro. “Foi feito um protocolo que abrange shows, festivais, circo, cinema, bem genérico. Estamos tratando da setorização, abordamos o teatro, e entendemos que é o primeiro a voltar, pois tem muito controle, com as pessoas sentadas. Já existem protocolos com posicionamento das cadeiras, percentual utilizado. Vem sendo bem aceito, essa volta gradual das atividades sentadas e posteriormente, eventos com capacidade reduzida, com um percentual determinado”, afirmou.

O diretor da Abrape destaca ainda que o segmento drive-in, uma das novas formas de gerar receita, ainda é pequeno em Pernambuco. “A operação tem cerca de dois meses acontecendo ao redor do Brasil. Tratando de Pernambuco, no momento que todos estavam sendo liberados, aqui ainda era forte o vírus, não tinha como ter legalização. O nosso drive-in tem duas operações, que estão engatinhando, estão começando a entender o mercado e têm sido uma grande saída”, destacou.

Um dos drive-in em operação em Pernambuco é o Go Dream, idealizado pela Dream Factory, que no Recife tem a agência Carvalheira como sócia do projeto e à frente da produção do evento. Segundo o sócio da Carvalheira, Ulysses Pernambucano, a ideia de investir nesse segmento foi por conta da queda de audiência das lives. Ele destaca ainda para as novas formas de eventos que começam a surgir em todo o País.

“Com o passar do tempo as lives começaram a cair um pouco, elas estão perdendo força. Os novos caminhos são os eventos drive-in, é o que vem sendo permitido. Vão surgindo novas formas de entretenimento, lives em hotel, onde você compraria um quarto e teria vista para os artistas. O mercado tem que se reinventar. Com a volta de bares e restaurantes, tem um novo caminho para seguir. Produtoras podem investir em bares, mas não temos nada confirmado”, declarou.

No teatro, a adaptação também tem sido diferente. Com a aglomeração de pessoas sendo a principal e tradicional forma de coroar o evento, novas formas de trabalho foram colocadas em prática para que companhias não fechem as portas diante da necessidade do isolamento social, como conta Giordano Castro, um dos integrantes do Grupo Magiluth.

“Mudou absolutamente tudo. Teatro é um setor que depende do imediato. O artista só ganha quando faz o espetáculo. É difícil conseguir essa atividade voltar nesse momento de aberturas de formas mais lentas. E a nossa depende da segurança. Criamos trechos de um espetáculo em cada plataforma digital, aplicativos, foi uma saída que encontramos, tem sido a saída que está salvando a vida do grupo”, contou.

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