Venda pode atrair investimentos para a Petroquímica

Sinditêxtil acredita que a mexicana Alpek vai ampliar a produção da Citepe após a negociação com a Petrobras

Petroquímica Suape (foto) e Citepe serão vendidas por R$ 1,2 biPetroquímica Suape (foto) e Citepe serão vendidas por R$ 1,2 bi - Foto: Arthur mota/arquivo folha

A venda da Companhia Petroquímica de Pernambuco (PetroquímicaSuape) e da Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe) foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nesta quarta-feira (7). As companhias, situadas no Complexo Industrial e Portuário de Suape, serão vendidas ao grupo mexicano Alpek por US$ 385 milhões - cerca de R$ 1,2 bilhão. O valor é bem menor que o investido pela Petrobras na construção dos empreendimentos - aproximadamente R$ 9 bilhões; mas, segundo o Sindicato da Indústria Têxtil de Pernambuco (Sinditêxtil), pelo menos deve garantir a retomada dos investimentos e das contratações no Polo Petroquímico.

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Presidente do Sindtêxtil-PE, Oscar Rache explicou que as obras da Citepe ainda não foram concluídas. Por isso, a Companhia tem produzido cerca de 36 mil toneladas de filamento de poliéster texturizado por ano. O projeto inicial previa, no entanto, 240 mil toneladas/ano. Por isso, a expectativa é que os mexicanos ampliem a capacidade da Citepe, construindo novos trechos e contratando mais funcionários para o empreendimento. “A empresa mexicana é um grande produtor mundial, que quer investir no Brasil. Então, podemos esperar investimentos grandes na texturização e na produção de filamentos de poliéster”, afirmou Rache, que espera ver a retomada das obras no Polo Petroquímico do Estado ainda neste ano. “A transição da gestão Citepe para o grupo mexicano já começou. Foi criado um grupo em cada empresa para fazer a passagem. Eles só estavam esperando a aprovação do Cade para intensificar esse trabalho”, revelou Rache.

O Cade, no entanto, fez exigências à Alpek para liberar a venda. “A operação foi aprovada condicionada à celebração de um ACC (Acordo de Controle em Concentração) para garantir à M&G (M&G Polímeros) que ela tivesse as mesmas condições de preços e quantidades que a sua única competidora de resina PET, que é a CITEPE”, alertou o Conselho que, desta forma, quer evitar a formação de um monopólio na produção de filamento de poliéster texturizado no Brasil. “O ACC contém parâmetros de preços, [...], quantidades, entre outras condições acordadas para garantir que a Petrotemex (detentora da Alpek), agora integrada no PTA e na Resina PET, não discrimine a M&G”, concluiu a conselheira do Cade, Cristiane Alkmin. No ACC, a Petrotemex se compromete, portanto, a vender matéria-prima à M&G pelo tempo necessário para a resolução desse impasse.

Por nota, a Petrobras informou que a negociação também está sujeita ao cumprimento de outras condições precedentes usuais. Antes disso, a venda também precisou ser aprovada pelo Tribunal Regional da Federal da 5ª Região, visto que o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Fiação e Tecelagem de Ipojuca (Sindtêxtil-Ipojuca) acionou a Justiça em 2016, pouco depois de a Petrobras anunciar a intenção de vender a Petroquímica e a Citepe, por entender que o valor da negociação era inferior aos investimentos realizados pela estatal no Polo Petroquímico.

Mesmo assim, a Petrobras já disse que os US$ 385 milhões cobrados pelo Polo Petroquímico de Pernambuco devem ser pagos pela Alpek na mesma data de fechamento da operação. O recurso vai compor o plano de desinvestimento da estatal, que busca reduzir o endividamento e garantir a operação da estatal através da venda de ativos que possam somar uma arrecadação de US$ 21 bilhões até o fim do ano, ativos como a Petroquímica, a Citepe e a Refinaria de Pasadena.

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