Turismo

Viajar volta a ser opção na pandemia

Com a retomada econômica, o setor de turismo também se movimenta, com o maior fluxo de pessoas em trânsito no País. Mas viajar é seguro?

Viajar em tempos de pandemia é seguro? Ana Souza resolveu viajar após 5 meses em casaViajar em tempos de pandemia é seguro? Ana Souza resolveu viajar após 5 meses em casa - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco


“Ninguém aguenta mais ficar em casa”, afirma a funcionária pública Ana Souza. Após cinco meses em casa, depois de voltar dos Estados Unidos e ficar em quarentena, o momento de permanecer em isolamento social está chegando ao fim. Ana viajava todo mês, mas com a chegada da pandemia, os planos de conhecer novos lugares não decolou. No entanto, os setores voltaram a retomar ao longo dos meses, em razão da melhora nos casos da Covid-19, o que vai possibilitar a viagem de Ana com mais seis familiares para Petrolina. 

“A vontade de viajar está grande. Decidi fazer viagem para ver se vou me agradar. Estou mais curiosa em saber com estão funcionando os voos”, confessou Ana. Caso tudo ocorra de maneira tranquila, do ponto de vista sanitário, ela pretende viajar mais vezes.

Diante da retomada econômica dos setores, os hotéis foram, aos poucos, voltando a receber mais hóspedes. Hotéis estes, cuja ocupação não passou de 6% durante o pico da pandemia, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Pernambuco (ABIH-PE). Os voos, que chegaram a representar apenas 8% da malha aérea, hoje já atinge 50%, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Mas com toda esta retomada, será que é seguro voltar a viajar?


De acordo com o médico infectologista Filipe Prohaska, hoje as pessoas estão cada vez mais preocupadas em saber quem estava no local anteriormente. “É a preocupação com relação ao risco de contaminação. Na hora de escolher um local é importante procurar um que seja condizente com os protocolos estabelecidos pelo Estado”, detalha. 

Ainda segundo Prohaska, caso o viajante observe que o local escolhido não segue normas como uso de máscaras, álcool em gel disponível, entre outros, é necessário realizar a denúncia para que o local possa adequar-se às regras sanitárias. “O mais importante, seja lá qual for o destino, é a conduta individual. O comportamento de cada um, usando os equipamentos de proteção e evitando levar as mãos ao rosto, vai minimizar as chances de contágio”, acrescenta. 

É de suma importância seguir as normas sanitárias, seja na hora de embarcar, durante a viagem ou no momento da volta. “Venho observando que os protocolos estão sendo quebrados de forma sistemática. Antes as pessoas tinham medo, mas isso está indo embora com esse processo de reabertura. No entanto, agora é que os cuidados deveriam ser triplicados”, orienta o médico. 

Cuidados na hora de viajarCuidados na hora de viajar durante a pandemia


De acordo com o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, Ana e todos os demais passageiros podem ficar tranquilos. É que todos os aviões, inclusive o que vai levar Ana a Petrolina, possuem uma tecnologia de um filtro HEPA [High Efficiency Particulate Air], que mantém o ar limpo dentro das aeronaves. “Esse filtro suga todo ar a bordo, de cima para baixo e renova o ar a cada três minutos. 99,97% de todos os microrganismos são eliminados, portanto os estudos provam que a chance de se contaminar a bordo é praticamente nula. Estatisticamente, é como um raio cair na cabeça”, garante. Ainda de acordo com Sanovicz, outros métodos, como uso de máscaras, check-in de forma remota, suspensão do serviço de bordo nos voos domésticos, asseguram uma maior segurança sanitária aos passageiros. 

Para o presidente da ABIH-PE, Eduardo Cavalcanti, viajar é sim uma opção segura, desde que cuidados sejam observados. “Os empresários do setor hoteleiro estão cumprindo todos os protocolos, até mais do que o exigido. É que não adianta apenas dar a segurança com os equipamentos. Temos que passar essa sensação ao hóspede. Se você não se sentir confortável, seguro, não volta”, explica.

Cavalcanti ainda ressalta que o viajante deve ficar atento a pontos como o uso da máscara durante as refeições. A mesma só deve ser retirada no momento de comer. Ao finalizar, a máscara deve ser imediatamente recolocada. “O uso do álcool em gel também deve ser frequente. O hóspede deve levar em consideração os hotéis que estão fazendo uma limpeza reforçada, sempre passando álcool nas maçanetas, corrimãos”, destaca ainda dizendo que os apartamentos são utilizados somente após 24 horas. 

Segundo a ABIH-PE, o setor amargou uma queda de  25% no número de funcionários por conta da pandemia. Contudo, uma luz de esperança para o setor está começando a surgir. Com a alta temporada chegando, todo o trade turístico vem animando-se com a ocupação. No último 12 de outubro, segundo a Secretaria de Turismo e Lazer de Pernambuco (Setur-PE), o feriadão registrou uma ocupação acima dos 60%. Locais como o Litoral Sul de Pernambuco, são os destinos mais procurados entre os viajantes. No aeroporto não é diferente. Em outubro a malha aérea, deve fechar o mês com 50% da demanda, considerada normal., segundo a Abear.

E esses passageiros que chegam no Estado, por via terrestre ou via aérea, dependem da figura do agente de viagem. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-PE), Marcos Teixeira, embora o consumo de viagens ainda esteja reprimido, ele afirma que as pessoas querem e estão voltando a viajar. “Com a flexibilização do setor, as pessoas deverão voltar cada vez mais a procurar os agentes de viagem”, afirma. “Em Pernambuco, destinos como Bezerros, Serra Negra, Bonito, Petrolina, têm sido os mais procurados”, salienta Teixeira. 

No entanto, apesar de toda a segurança que as autoridades e especialistas garantem, o gerente comercial Carlos Lúcio enxerga esse movimento de viagens com preocupação. “Os aviões, por mais que tenham medidas de higienização, vai gente no meio, vai gente do seu lado. Então é cada um por si, você tem que se cuidar sozinho”, lamenta. Ainda de acordo com Lúcio, ele procura alugar um carro nas viagens para evitar o contato social. “Não tem essa de ficar andando e dependendo de transporte público. Tem que ter cuidados o tempo todo, com máscara, lavar as mãos. Não me sinto 100% seguro, mas é um risco que a gente tem que correr, é um trabalho e preciso dele”, relata.

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