AGRONEGÓCIO

Programa ATeG, do Senar, atende quase seis mil produtores rurais de Pernambuco em 95 municípios

Pela excelência com que é executado no Estado, programa, que está completando cinco anos, ganhou o primeiro lugar no Prêmio ATeG Coordenador de Excelência, em março deste ano

João Batista: "O Senar-PE me ajudou a andar com minhas próprias pernas"João Batista: "O Senar-PE me ajudou a andar com minhas próprias pernas" - Foto: Divulgação

O programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Pernambuco (Senar-PE), que é oferecido gratuitamente a produtores (as) rurais com foco na geração de renda, melhoria da produção e na gestão rural de forma educativa, tem alcançado resultados surpreendentes. Ao longo de cinco anos, o programa contabiliza 11.966 propriedades rurais beneficiadas em 95 munícipios – 6.304 atendidas e outras 5.662 em atendimento.

A finalidade da ATeG é contribuir para a evolução socioeconômica dos produtores, das famílias e da comunidade rural, além de promover a disseminação de tecnologias e práticas gerenciais para a produção de alimentos com respeito ao meio ambiente. Trata-se de uma metodologia toda fundamentada no conhecimento da realidade produtiva e gerencial de cada propriedade rural.

A partir de uma Análise SWOT (identificação dos pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças), são estabelecidas estratégias de crescimento para se atingir metas e objetivos planejados pelo produtor com auxílio dos técnicos de campo. A ATeG é dividida em cinco ações que englobam todo o processo a ser aplicado no desenvolvimento da propriedade rural atendida: diagnóstico produtivo individualizado, planejamento estratégico, adequação tecnológica, capacitação profissional complementar e avaliação sistemática dos resultados.

“Na primeira visita, quando se faz um diagnóstico da propriedade, verifica-se, por exemplo, o que o produtor faz, como está fazendo, qual expectativa dele, qual é o tamanho do negócio. Faz-se um planejamento para a propriedade e implementa durante esses dois anos, com o acompanhamento econômico do faturamento, das despesas e tudo mais”, explica o presidente do Sistema Faepe/Senar, Pio Guerra.

Além da assistência técnica e gerencial, o produtor e mais cinco membros da família, recebem, também gratuitamente, os serviços de uma empresa especializada em telemedicina. A ideia é melhorar a saúde dos produtores rurais e seus familiares que, em muitos casos, moram distante de postos ou unidades de saúde. O acesso a atendimento médico é realizado por videoconsultas com clínicos gerais e especialistas em medicina de família.

Durante 24 meses – tempo mínimo necessário para avaliar os resultados da aplicação da metodologia –, os produtores que se submetem ao programa são acompanhados periodicamente por um técnico de campo (com formação em agronomia, medicina veterinária, zootecnia, técnico agrícola, técnico agropecuário ou áreas afins). Para o atendimento da ATeG, o Senar-PE conta hoje com 214 técnicos de campo credenciados, 17 supervisores de campo, três supervisores regionais, além de um coordenador, que fica na sede, no Recife. Cada técnico acompanha até 30 produtores.

Em Pernambuco, oito cadeias produtivas são contempladas com a ATeG, totalizando 5.662 propriedades em atendimento: fruticultura perene (2.261), bovinocultura de leite (1.852), ovinocaprinocultura de corte (782), apicultura (410), olericultura (142), agroindústria dos lácteos (109), piscicultura (81) e caprino de leite (52).

A mobilização dos produtores para aderirem a ATeG é feita, segundo Pio Guerra, pelos sindicatos, associações do interior e até as prefeituras, dependendo do caso. “A presença dos sindicatos é interessante para a gente porque eles que fiscalizam o trabalho do Senar. Tem a fiscalização da instituição e tem a dos próprios sindicatos. Eles conhecem as comunidades e podem ajudar na mobilização”, destaca Pio Guerra.

Pio GuerraPio Guerra afirma que a participação dos sindicatos na moblização dos produtores rurais é muito importante  Foto: Wenderson Araújo/Divulgação 

Por conta da qualidade dos serviços e dos resultados alcançados, o programa do Senar-PE foi contemplado com o primeiro lugar no Prêmio ATeG Coordenador de Excelência, realizado em Brasília em março deste ano, e que contou com a participação das administrações regionais da entidade de todo o País.

“Pernambuco ficou em primeiro lugar, o Piauí em segundo e Minas Gerais em terceiro. São avaliados o número de evasão de cada cadeia, o de propriedades visitadas em 2023 com relação a 2022, quanto crescemos de 2022 para 2023 e também a qualidade das informações técnicas e econômicos que são reportadas pelo profissional de campo que visita a fazenda para o coordenador que monitora e para o coordenador geral”, afirma Pio Guerra.

O produtor de leite João Batista Xavier de Barros, 42 anos, de Pedra, no Agreste, que participou da ATeG do Senar-PE, de 2020 a 2022, produzia antes 140 litros de leite por mês e possuia 15 cabeças de gados, com 12 produzindo leite e três de recria (período que vai da desmama ao início da reprodução das fêmeas ou fase de engorda dos machos). Hoje, produz 12 mil litros também mensais, graças a mais 45 animais que comprou. São 33 vacas em lactação e 28 garrotes, novilhas e bezerras de recria.

“Antes, eu fornecia leite para queijeiros, e não tinha boa rentabilidade no preço. Depois do Senar-PE, que foi me mostrando os pontos favoráveis, hoje eu vendo a empresa Lactalis com um preço melhor”, revela. 

Pela excelência na gestão e resultados do negócio, João chegou a ser contemplado com o primeiro lugar na Categoria Bovinocultura de Leite, no Prêmio ATeG Agronordeste – Gestão e Resultado 2021, promovido pelo Sistema CNA/Senar. ““Eu saí de baixo. Era empregado de curral, trabalhei muito tempo para os outros, mas, graças a Deus, adquiri meu rebanho, minhas terras. Hoje, sou um produtor que tenho muito orgulho de mim. O Senar-PE me ajudou a andar com minhas próprias pernas”, atesta o produtor.

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