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Educação

Start NeuroInclusiva: preparando adultos para acolher crianças neurodivergentes

A Start NeuroInclusiva capacita instituições para atendimento a pessoas neurodivergentes, com consultorias estratégicas para empresas de diversas áreas

A Start NeuroInclusiva foi criada por Joanna Costa e Fernanda Prates com o objetivo de capacitar instituições para atendimento a pessoas neurodivergentesA Start NeuroInclusiva foi criada por Joanna Costa e Fernanda Prates com o objetivo de capacitar instituições para atendimento a pessoas neurodivergentes - Foto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco

Da recepção ao professor, passando pelas famílias e colegas, a inclusão de crianças neuroatípicas na primeira infância não depende somente da boa vontade, mas sim da capacitação de toda a sociedade.

Embora a legislação brasileira assegure o direito à educação inclusiva, a realidade mostra que ainda existe uma distância significativa entre abrir as portas da escola e oferecer um acolhimento real.

É durante a primeira infância, período decisivo para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional, que essa diferença se torna evidente. Joanna Costa e Fernanda Prates, fundadoras da Start NeuroInclusiva, sabem bem disso. Para elas, a transformação começa antes mesmo da criança entrar na sala de aula.

Ambas mães atípicas, elas criaram a empresa com o objetivo de capacitar instituições para atendimento a pessoas neurodivergentes.

“Nós trabalhamos com consultorias estratégicas para empresas de diversas áreas, e quando falamos de educação é primordial que haja preparo dos profissionais. Todas as equipes precisam estar capacitadas, desde quem recebe a criança no portão, até quem está com ela na sala de aula, a equipe de serviços gerais, a psicóloga, a psicopedagoga. Em uma situação de crise, por exemplo, qualquer profissional pode precisar prestar assistência”, explica Fernanda Prates.

O recente aumento dos diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras neurodivergências tornou essa preparação ainda mais urgente. O acesso à informação ampliou o reconhecimento dessas condições e fez crescer a presença de crianças com necessidades específicas nas instituições e, na avaliação das especialistas, esse novo cenário exige uma mudança de cultura.

Cada criança neurodivergente apresenta características próprias. Algumas possuem maior sensibilidade a sons, outras têm dificuldade de lidar com mudanças inesperadas na rotina ou necessitam de formas diferentes de comunicação.

Por isso, antes de iniciar qualquer trabalho, a Start NeuroInclusiva realiza um diagnóstico das instituições para compreender sua realidade e elaborar um plano personalizado de capacitação.

Entre os temas abordados estão previsibilidade, transtorno do processamento sensorial, regulação emocional, identificação de gatilhos e estratégias para reduzir situações de sobrecarga que costumam provocar crises em crianças neurodivergentes.

“A primeira infância é um momento muito delicado de uma criança autista e das famílias, que ainda estão amadurecendo sobre o comportamento, sobre a criança, sobre o diagnóstico e quanto mais se fala sobre isso, melhor. Assim, podemos quebrar preconceitos, romper determinadas barreiras”, diz Joanna Costa.

Ensinar desde cedo o respeito às diferentes formas de aprender, brincar e se comunicar pode produzir impactos que vão muito além da infância.Ensinar desde cedo o respeito às diferentes formas de aprender, brincar e se comunicar pode produzir impactos que vão muito além da infância. | Foto: Magnific

Parceria
Além das terapias e consultas médicas, nos primeiros anos de vida de uma criança com necessidades específicas surge a necessidade de encontrar uma escola capaz de oferecer acolhimento.

“Quando um adulto entende que aquela família tem outras necessidades, ele vai olhar de uma maneira mais empática e colaborar mais. Acredito que assim nós vamos ter uma escola mais preparada, e crianças também vão ajudar nesse processo de inclusão”, argumenta Fernanda.

O trabalho da Start, no entanto, não para por aí. A organização atua para que a relação entre pais e escolas seja construída com diálogo constante, e ressalta que a responsabilidade pela inclusão não pertence exclusivamente às instituições de ensino. Ao mesmo tempo, as famílias também não podem assumir essa missão sozinhas.

“Ninguém é mais ‘especialista’ naquela criança do que os seus pais. E a escola tem que ouvi-los, entender os gatilhos, estratégias que funcionam e transformar esse conhecimento em parceria. A inclusão é uma construção coletiva”, defende Joanna.

Convivência
Para as especialistas, ensinar desde cedo o respeito às diferentes formas de aprender, brincar e se comunicar pode produzir impactos que vão muito além da infância. Tal letramento também significa saber quais termos utilizar e conduzir uma desorganização com segurança.

“Quando ensinamos uma criança típica a compreender porque um colega se comporta de maneira diferente, estamos formando adultos mais empáticos. Essa consciência ajuda a reduzir preconceitos, bullying e exclusões no futuro”, diz Fernanda.

Na avaliação das fundadoras, é importante que exista uma mudança de perspectiva. Se, desde cedo, as famílias se empenham para ajudar seus filhos neurodivergentes a se adaptarem a um mundo pensado para pessoas típicas, é igualmente necessário que a sociedade faça o caminho inverso: compreender as diferenças e respeitar necessidades específicas.

As duas destacam, ainda, que existe uma “epidemia de depressão na adolescência” e que os índices estão diretamente relacionados a jovens neurodivergentes.

O sofrimento mental é visto como um desdobramento de vivências negativas anteriores, como bullying e preconceitos, e por isso defendem que a conscientização na primeira infância serve para “plantar uma sementinha” que evite esses desgastes e sofrimentos futuros.

Para as fundadoras da Start NeuroInclusiva, uma transformação educacional de jovens, adultos e empresas, com acolhimento e apoio emocional bem estabelecidos, é o caminho para transformar o mundo. 

“Estamos falando de juventude, mas eles vão ficar adultos”, diz Joanna. “O diagnóstico não vai mudar, então o mundo tem que se adaptar”, conclui.

Infográfico Start NeuroInclusiva

 

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