Suape Energia: Pernambuco lidera debate sobre uso do etanol na geração termelétrica
Considerar o biocombustível nos estudos da EPE pode fortalecer a segurança energética e impulsionar uma nova frente de inovação para o país
Pernambuco lidera um projeto que pode contribuir para ampliar o debate sobre o futuro da geração termelétrica no Brasil. Desenvolvida pela Suape Energia em parceria com a Wärtsilä Energy, a validação do primeiro motor do mundo voltado à geração termelétrica movido predominantemente a etanol reforça a discussão sobre a importância de a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) considerar esse biocombustível em seus estudos de expansão do sistema elétrico.
Ao longo das últimas décadas, o Brasil consolidou uma das mais abrangentes políticas de incentivo aos biocombustíveis do mundo. Desde o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) até iniciativas mais recentes, como o RenovaBio, o Programa Mover, o Combustível do Futuro e o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, o País estruturou uma cadeia produtiva robusta e criou um ambiente regulatório que transformou o etanol em um dos pilares da estratégia nacional de descarbonização.
Apesar desse avanço, a utilização do etanol na geração de energia elétrica ainda representa uma oportunidade para o planejamento do setor. Especialistas defendem que a EPE passe a considerar essa alternativa em seus estudos de longo prazo, avaliando uma solução renovável, produzida no Brasil e apoiada por uma cadeia produtiva consolidada para atender ao crescimento da demanda por energia.
"O Brasil construiu uma posição de liderança mundial na produção e no uso do etanol. Hoje, temos uma cadeia produtiva consolidada, conhecimento tecnológico e disponibilidade de combustível."
José Faustino, diretor Técnico da Suape Energia
José Faustino, diretor Técnico da Suape Energia | Foto: Dayvison Nunes/DivulgaçãoA proposta não é substituir outras fontes de geração nem alterar o papel desempenhado pelas tecnologias que compõem o Sistema Interligado Nacional (SIN). Entretanto, pode ampliar o conjunto de soluções analisadas para a expansão da matriz elétrica, oferecendo mais flexibilidade ao planejamento energético diante de um cenário de crescimento da demanda e de maior participação das fontes renováveis.
Liderança
Segundo José Faustino, Diretor Técnico da Suape Energia, a evolução do planejamento energético deve acompanhar o desenvolvimento tecnológico e as transformações pelas quais o setor vem passando. “O Brasil construiu uma posição de liderança mundial na produção e no uso do etanol. Hoje, temos uma cadeia produtiva consolidada, conhecimento tecnológico e disponibilidade de combustível. Considerar esse potencial nos estudos da EPE significa ampliar as alternativas para o futuro do setor elétrico brasileiro”.
O tema ganha ainda mais relevância diante do crescimento da participação das fontes renováveis variáveis, como a solar e a eólica, na matriz elétrica nacional. Embora fundamentais para a transição energética, elas dependem das condições climáticas para produzir energia. Nesse cenário, as usinas termelétricas continuam desempenhando papel essencial para a operação do SIN, respondendo às necessidades do sistema sempre que necessário e contribuindo para a estabilidade e a confiabilidade do fornecimento de energia.
Além da menor intensidade de carbono, o etanol apresenta vantagens relacionadas à disponibilidade, logística, capacidade de armazenamento e integração com uma cadeia industrial amplamente desenvolvida no Brasil. Essa possibilidade já ganha aplicação prática em Pernambuco: em parceria com a Wärtsilä Energy, a Suape Energia conduz a fase de validação operacional do primeiro motor do mundo desenvolvido para geração termelétrica movido predominantemente a etanol, um avanço que demonstra a viabilidade técnica de usar um combustível renovável em uma aplicação historicamente associada aos combustíveis fósseis.
O projeto busca gerar conhecimento sobre o uso do etanol na geração elétrica e produzir evidências que possam contribuir para futuras discussões sobre o planejamento energético nacional. A iniciativa também reforça o potencial de integração entre o setor elétrico e a cadeia sucroenergética, criando oportunidades para estimular investimentos, fortalecer a indústria brasileira e impulsionar o desenvolvimento regional.
Para o executivo, experiências como essa mostram que o País reúne condições para ampliar o protagonismo do etanol também no setor elétrico. “Não estamos falando de uma tecnologia futura, mas validando uma solução desenvolvida no Brasil, apoiada em uma cadeia produtiva consolidada e em um combustível cuja utilização o país domina há décadas. O próximo passo é permitir que esse potencial também seja considerado nos estudos que orientam o planejamento energético nacional.”
Na avaliação de Faustino, reconhecer o etanol como alternativa para a geração termelétrica amplia o conjunto de soluções disponíveis para atender às necessidades futuras do sistema. “Quanto mais diversificadas forem as alternativas avaliadas, maior será a capacidade de construir um sistema elétrico seguro, resiliente e preparado para responder ao crescimento da demanda por energia.”
Soluções
O protagonismo de Pernambuco nessa agenda reforça o papel do estado como polo de inovação para o setor energético. Ao sediar um projeto pioneiro em escala mundial, o estado contribui não apenas para o desenvolvimento de uma nova tecnologia, mas também para um debate estratégico sobre o futuro da matriz elétrica brasileira e o aproveitamento de soluções desenvolvidas no próprio País.
O debate ocorre em um momento em que o Brasil busca conciliar três desafios: ampliar a oferta de energia para acompanhar o crescimento da demanda, reduzir as emissões de gases de efeito estufa e fortalecer a competitividade da economia. Nesse contexto, o etanol combina cadeia produtiva consolidada, capacidade de geração de empregos, estímulo à inovação e contribuição para a descarbonização.
A EPE desempenha papel estratégico ao elaborar os estudos que orientam a expansão do setor elétrico brasileiro. Considerar o potencial do etanol nesses estudos não significa substituir outras tecnologias, mas ampliar o conjunto de alternativas disponíveis para o planejamento da matriz energética, incorporando uma solução renovável, nacional e tecnicamente viável às análises de longo prazo, e preparando o País para responder aos desafios das próximas décadas.

