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ACLF: da requalificação urbana em Paulista à expansão no Recife

A construtora, fundada em 1999, foi responsável por uma profunda transformação no município nas últimas duas décadas

O BELÉM BOULEVARD TRAZ UM MIX DE PRÉDIO RESIDENCIAL E MINISHOPPING, QUE AGREGA COMÉRCIO E SERVIÇOS À MORADIAO BELÉM BOULEVARD TRAZ UM MIX DE PRÉDIO RESIDENCIAL E MINISHOPPING, QUE AGREGA COMÉRCIO E SERVIÇOS À MORADIA - Foto: ACLF/ DIVULGAÇÃO

Nas últimas duas décadas, o município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife (RMR), viu o seu ambiente urbano passar por uma transformação como não havia até então. O IBGE divulgou, em 2023, que o crescimento populacional da cidade alcançou a sexta colocação em Pernambuco e 18ª no Nordeste, colocando Paulista como a quarta cidade com o maior número de moradias no Estado. São 124.313 domicílios.

Este crescimento populacional e residencial foi consequência de uma intensa requalificação urbana pela qual passou Paulista, o que acabou atraindo mais residentes para o município. Essa transformação teve a participação fundamental da ACLF Empreendimentos, que se instalou na região e viu, no início da formulação da nova planta diretora da cidade, a oportunidade certeira de trabalhar em cima do desenvolvimento de Paulista a longo prazo.

Sob o comando do engenheiro Avelar Castro Loureiro Filho, a ACLF foi criada em 1999. “Eu tinha voltado do Rio de Janeiro, onde tinha feito a complementação dos meus estudos e trabalhado por um tempo - fiz mestrado de Engenharia de Produção, depois fiz outro em Administração. Mas foi no de Engenharia de Produção que me dediquei muito à localização de projetos industriais. E dentro disso também veio alguma coisa ligada à expansão urbana”, relembra Avelar, contando sobre um caso clássico no Rio de Janeiro, que tornou-se inspiração para o que viria a desenvolver em Paulista: a Barra da Tijuca.

“Se [a Barra da Tijuca] fosse hoje uma entidade federativa, se fosse um município, seria a oitava entidade federativa do Brasil, e é um bairro, é uma região do Rio de Janeiro, e não tinha nada na década de 1970. E o tripé “terra, acesso e serviço” fez com que a Barra da Tijuca crescesse nesses últimos 30, 50 anos”, explica. “Quando eu voltei de lá, em 1995, vim com essa ideia, de que dava para fazer algo parecido em Pernambuco.”

Avelar Castro Loureiro Filho, presidente da construtora ACLF, decidiu investir no Recife após o sucesso em PaulistaAvelar Castro Loureiro Filho, presidente da construtora ACLF, decidiu investir no Recife após o sucesso em Paulista | Foto: Ricardo Fernandes/Folha de Pernambuco

Mão na  massa

Inicialmente, a ACLF - que, em suas prospecções já havia identificado que havia terra, ainda sem acesso e serviços -, começou a trabalhar com segunda residência em áreas litorâneas do município. Posteriormente, em áreas não litorâneas. “Em 2003, o governo municipal foi obrigado, por questões de legislação federal, a ter um planejamento de mais longo prazo, um plano diretor - no primeiro momento,  uma planta diretora -, só que o município não tinha condições técnicas de, sozinho, formular esse planejamento”, conta Avelar.

“A Fidem, que era um órgão do governo estadual, contratou as consultorias e fez um processo que durou um ano, e, pela legislação federal, toda a sociedade era obrigada a participar, inclusive os empresários. E eu era o único que construía naquela época aqui, em Paulista. Então, entramos nesse momento e participamos da elaboração da planta diretora”, diz Avelar, ao lembrar que, à época, o município vivia uma evasão populacional. “Eu vi em um grande problema uma grande oportunidade, ou seja: se viessem a infraestrutura, o acesso, e chegassem os serviços, Paulista seria candidata natural da RMR a se desenvolver nas próximas décadas”, diz.

No que foi desenvolvido e pensado para a planta diretora, a ideia primeira era desenvolver o centro de Paulista, os serviços, o comércio, residências. “Então,  voltamos nossos olhares para o centro da cidade, primeiro buscando uma área para um centro comercial, que o próprio plano diretor tinha determinado onde  seria o terreno, que é aqui no shopping”, rememora Avelar.

O shopping a que ele se refere é o Paulista North Way Shopping, que tornou-se, como a própria empresa classifica, “o centro gravitacional” de atividades modernas e de serviços que foram atraídos para a região, valorizando economicamente a área do entorno.

O centro de compras foi inaugurado em 2015 e é onde funciona a sede da ACLF. São 90 mil m2 de área construída e 34 mil m2 de Área Bruta Locável (ABL) e agrega serviços de lazer, compras e de atendimento à população de Paulista e de municípios vizinhos. A localização às margens da PE-22 e a proximidade do terminal de integração Pelópidas da Silveira foram um ganho para a população e para a economia da cidade.

As negociações relativas ao terreno do shopping tiveram início em 2010. Nessa mesma época, o programa Minha Casa,Minha Vida, do Governo Federal, dava seus primeiros passos e contemplava perfis de rendas oportunas para povoar a região. Então, paralelamente ao shopping, a ACLF entrou - e, por consequência, se especializou -, no segmento do programa federal.

“Mesmo sem o shopping center, no primeiro momento, já conseguimos fazer alguma coisa, mas a partir da entrega do Paulista NorthWay, em 2015, muda completamente a realidade. Paulista passa a ser verdadeiramente o grande destino das construções imobiliárias residenciais, destaca Avelar. “Em 2022, foi feito o Censo, e a RMR, em uma década, cresceu 50 mil habitantes. Desses 50 mil habitantes, 42 mil foram em Paulista”, pontua. Ao todo, em Paulista, a ACLF foi responsável por 18 grandes empreendimentos, que envolvem 7.482 unidades habitacionais.

A ACLF é responsável por 18 grandes empreendimentos em Paulista, envolvendo 7.482 unidades habitacionaisA ACLF é responsável por 18 grandes empreendimentos em Paulista, envolvendo 7.482 unidades habitacionais | Foto: Divulgação

Chegando no Recife

“A partir de 2018 e 2019, dissemos: ‘Por que não Recife? Se somos bons aqui em Paulista, por que não no Recife?’”, lembra Avelar, sobre os planos de expansão da ACLF em decorrência do excelente resultado alcançado em Paulista.

“Em 2020, veio o novo Plano Diretor do Recife, o que nos levou a prospectar algumas áreas. E pensávamos em áreas grandes. E bateu, porque era uma área de fábricas, antigos clubes que fecharam”, conta Avelar. “E existia um público que queria morar no Recife. Só que ele não queria morar num ‘Minha Casa Minha Vida’. Ele queria morar em algo melhor, em uma localização privilegiada.”

Algumas localidades já passaram pelo radar da ACLF. Bairros como Santo Amaro, Campo Grande e Ilha do Retiro, não necessariamente de perfis residenciais, passaram a se tornar potenciais localidades com esse fim.

Um dos empreendimentos da ACLF que já foi lançado no Recife, em outubro de 2023, é o condomínio Belém Boulevard, que está sendo construído no bairro de Campo Grande. Serão 556 apartamentos, com 73 m2, três quartos (uma suíte), em duas torres de 36 pavimentos e seis elevadores por torre.

O Belém Boulevard é voltado para famílias com faixa de renda entre R$ 5 mil e R$ 10 mil mensais e traz um mix de prédio residencial e minishopping, que agrega comércio e serviços à moradia, funcionando dentro do conceito de comunidades 

“É um modelo de bairros (comunidades) planejados, privados, mas abertos ao público, ou seja: as áreas comuns do bairro são de propriedade do bairro, dos condomínios, mas acessíveis a todos. Queremos fazer com que dentro dos bairros tenha essa vida comunitária.  Se tem um ponto que falta hoje nas cidades é o espaço urbano público comunitário, no qual as pessoas interajam”, explica Avelar.

Práticas sustentáveis

Ao longo desses 25 anos de existência, a ACLF consolidou-se como uma construtora que adota práticas sustentáveis em seus empreendimentos. A empresa é detentora do Selo Casa Azul, da Caixa Econômica Federal, uma chancela socioambiental dada a empreendimentos habitacionais financiados pelo banco público.

A certificação reconhece soluções eficientes na construção, uso, ocupação e manutenção dos prédios construídos pela empresa, de acordo com as regras ESG (Enviroment, Social, Governance, ou Ambiental, Social, Governança). Com sua política de gestão de recursos, a ACLF reduziu em 17% as despesas com coleta de resíduos sólidos das suas obras.
Para a obtenção do Selo Casa Azul são avaliados 53 critérios, divididos em seis categorias: Qualidade Urbana; Projeto e Conforto; Eficiência Energética; Conservação de Recurso Materiais; Gestão da Água e Práticas Sociais.

O Belém Boulevard será um exemplo prático de como a ACLF executa suas obras em consonância com a questão ambiental. Haverá, no empreendimento, o replantio de espécies locais, com 66 mudas de cajazeiras, sibipirunas, ipês-amarelos e cassai do Nordeste. O objetivo é recompor uma imagem de 20 anos atrás da área onde está sendo construído o condomínio.

Outra importante certificação é o NDT (Nível de Desempenho Técnico), também da Caixa Econômica Federal, que atesta não só o nível de excelência dos empreendimentos, como da própria construtora, levando-se em consideração diversos critérios, como: processos de gestão, aquisição de materiais, cuidado com a marca, relacionamento com os clientes, certificações, estrutura, tecnologia, governança, sucessão, capacidade de realização de obras, entrega das chaves e pós-vendas.

O NDT foi lançado em 2021 e a ACLF foi classificada em seguida dentro do NDT2 (de um total de sete níveis de gradação). Em 2023, houve uma atualização do NDT, e a ACLF foi requalificada para o NDT1, nível mais alto. “Para a nossa surpresa, atingimos o nível 1. É a segunda empresa no Nordeste a atingir o patamar, uma das poucas no Brasil, e a primeira no Estado de Pernambuco. Isso é um reconhecimento da Caixa, da excelência que hoje a ACLF tem”, exalta Avelar.
 

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