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Energia solar: economia e sustentabilidade

A utilização de energia solar fotovoltaica tem sido a solução encontrada por condomínios para reduzir o valor das contas de luz e contribuir com o meio ambiente

A geração de energia solar fotovoltaica tem sido a solução ideal para economizar e ao mesmo tempo descarbonizar o mundoA geração de energia solar fotovoltaica tem sido a solução ideal para economizar e ao mesmo tempo descarbonizar o mundo - Foto: Freepik

Quando se fala em economia de energia elétrica, muita gente considera que a única razão para isso é a redução no valor da conta de luz. Há, no entanto, outro motivo tão ou mais importante e urgente. A geração de eletricidade, no mundo inteiro, é uma das atividades humanas que mais poluem o meio ambiente. O Brasil, por exemplo, mesmo com uma das matrizes elétricas mais limpas do planeta, ainda tem uma quantidade anual de emissões grande e que continua a crescer.

A geração de energia solar fotovoltaica tem sido a solução ideal para economizar e ao mesmo tempo descarbonizar o mundo. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia, um sistema com painéis solares que produza 180 kWh por mês impede a emissão anual de mais de uma tonelada de gases poluidores - substâncias que reforçam a retenção na Terra do calor transmitido pelo sol e causam o chamado aquecimento global - na comparação com outras fontes de eletricidade.

Nos condomínios, a alteração do sistema de energia elétrica para solar tem sido cada vez mais comum. Para os leigos, no entanto, quando o assunto vem a tona, a primeira impressão que se tem é que o sistema engloba também os apartamentos. Não é bem assim: o serviço é direcionado às áreas comuns e o motivo é simples. Um prédio, por exemplo, com 80 apartamentos, não teria um teto com espaço para comportar placas solares suficientes para gerar energia para todas essas unidades.

A princípio, quando se refere a áreas comuns, pensa-se apenas nas lâmpadas que iluminam esses espaços (garagem, halls etc.), mas é importante destacar que aí estão incluídos também a energia do elevador, da sauna, da bomba d’água, do aquecimento da piscina, dos refletores de quadras, quando o prédio os possui, que oneram muito a conta de energia.

Carbono e reajustes

Um prédio que passa a contar com um sistema próprio de energia solar, além de contribuir para a descarbonização do planeta, escapa dos reajustes aplicados pelas concessionárias, deixa de ser refém das bandeiras amarelas e vermelhas e passa ao largo da escassez hídrica, pelo menos no que diz respeito ao fornecimento de energia. Um dos benefícios dessa tecnologia é o percentual significativo na redução da conta de energia elétrica, que chega a 95%.

Em Pernambuco, há várias empresas que atuam na instalação e suporte desse sistema, uma delas é a Ekosolar, que tem seis anos de atividades. “Entre o fechamento do negócio com o síndico e a instalação, o prazo é de mais ou menos 60 dias, mas a execução da obra leva apenas dez”, calcula o diretor comercial da Ekosolar, Felipe Lemos.

As empresas que oferecem o serviço devem ter cadastro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) e quando fecham o negócio devem enviar uma Anotação de Responsabilidade Técnica à Neoenergia, que precisa ser aprovada. No final, concessionária vistoria para ver se foi tudo realizado conforme o que está no projeto e, se aprovado, o condomínio já pode começar a produzir sua própria energia.

Com o avanço da tecnologia, pode ser que este não seja um problema daqui a alguns anos. “Hoje, a gente consegue metade das placas que colocava há seis anos, gerando a mesma quantidade de energia. Se naquela época eu colocava cem placas para gerar certa quantidade de energia, hoje eu coloco 50 e gero a mesma quantidade”, compara Lemos.

Investimento e economia

Um prédio com 60 apartamentos desembolsaria em torno de R$ 150 mil para instalação do sistema de energia solar fotovoltaica para as áreas comuns. O investimento parece alto, mas essa impressão cai por terra quando se verifica a economia alcançada. “O condomínio Portal do Rosarinho, por exemplo, no bairro da Encruzilhada, pagava cerca de R$ 6 mil de conta de luz, e com o sistema de energia solar passou a pagar R$ 100”, contabiliza Lemos.

O síndico do Portal do Rosarinho, François Cabral, conta que o condomínio desembolsou cerca de R$ 200 mil, em dezembro de 2022, para instalar o sistema de energia solar. “A gente preferiu não financiar. Parcelamos em seis vezes o serviço de instalação, que custou cerca de R$ 60 mil. Quanto às placas, eu me juntei com outros dois condôminos e parcelamos nos nossos cartões de crédito em 12 vezes. Como nosso condomínio é relativamente saudável do ponto de vista financeiro, não precisamos recorrer à taxa extra”, detalha Cabral.

O síndico não tem queixa do serviço ou do suporte e detalha a economia que o Portal do Rosarinho conseguiu. “Se considerar que a gente tem uma economia mensal com energia de quase R$ 6 mil, ou seja, a cada ano estamos deixando de pagar quase R$ 72 mil de conta de energia, em dois anos meio mais ou menos tiramos o que foi investido”, acrescenta.

Os condomínios que têm interessados, mas mesmo assim não podem arcar com esses custos, têm como opção solicitar linhas de crédito que diversos bancos ou as próprias empresas já estão oferecendo para isso. “Um condomínio que paga, por exemplo, R$ 10 mil de energia, pode conseguir uma linha de crédito com parcelas de R$ 7 mil. Economiza-se R$ 3 mil por mês e em seis ou sete anos o negócio [o sistema] é dele”, explica Felipe Lemos.

Felipe Lemos: eficiência dos equipamentos reduziu à metade a utilização de placas para a geração de energiaFelipe Lemos: eficiência dos equipamentos reduziu à metade a utilização de placas para a geração de energia | Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Diferencial de mercado

A geração de energia limpa passou a ser um diferencial de mercado na hora da compra e venda do imóvel. Pensando em seu papel na construção na criação de cidades mais sustentáveis e também nas exigências dos consumidores comprometidos com a descarbonização, mas que não abrem mão da economia, construtoras já começam a conceber prédios já com painéis solares para as áreas comuns.

Um bom exemplo é a MRV, da MRV&CO, que, no Brasil, já conta com 250 empreendimentos com painéis de células fotovoltaicas. Em Pernambuco, oito nesse modelo já foram entregues em Caruaru, Camaragibe e Paulista, além de outro que está em obra, no Jaboatão dos Guararapes.

“A iniciativa de oferecer essa característica em nossas construções partiu do fundador, Rubens Menin. Ele vislumbrou que a tecnologia seria bem-vinda, afinal, além de viável, ela também traria benefícios aos moradores. Como a MRV sempre buscou incluir itens de inovação em seus projetos, em 2015 publicamos o nosso primeiro inventário de GEE no GHG Protocol. Em 2016, aderimos ao Pacto Global da ONU Brasil e, em 2017, começamos a buscar soluções de instalação de UFV em que trariam reduções e ganhos de eficiência de nossas construções”, explica o gestor executivo de Sustentabilidade da MRV&CO, José Luiz Esteves da Fonseca.

- Prédio com um sistema próprio de energia solar contribui com o meio ambiente e escapa dos reajustes aplicados pelas concessionáriasPrédio com um sistema próprio de energia solar contribui com o meio ambiente e escapa dos reajustes aplicados pelas concessionárias | Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Tudo começou em 2018, após estudos, pesquisas, desenvolvimento de projetos junto a concessionárias, quando a MRV inaugurou a primeira EMUC (Geração de energia para áreas comuns e para as unidades habitacionais) do Brasil no Edifício Parthenon, em Belo Horizonte (MG). “Após isso, lançamos uma meta de que, até 2030, todos os novos projetos seriam lançados com alguma solução ou sistema de fotovoltaica ofertado a nossos clientes”, complementa Fonseca.

A empresa, segundo ele, decidiu investir e implantar sistema de energia solar fotovoltaica em seus empreendimentos levando em consideração todos os compromissos assumidos e todos os benefícios de reduções de custos fixos para os nossos clientes. “Tínhamos de atender as nossas metas, que naquela época eram ousadas e inovadoras para o setor de construção. O desafio foi ainda maior quando olhamos para os produtos ligados ao programa MCMV, que contava com esse item não como uma obrigatoriedade, mas sim como um diferencial de nosso produto no mercado”, diz.


 

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