Folha Imóveis 2022

Financiar ou alugar? Eis a questão

Na hora de comprar um imóvel é preciso avaliar qual modalidade é mais vantajosa: aluguel ou financiamento

Sonho da casa própria faz parte da cultura do brasileiro. Um planejamento financeiro e a análise do cenário facilitam uma correta tomada de decisãoSonho da casa própria faz parte da cultura do brasileiro. Um planejamento financeiro e a análise do cenário facilitam uma correta tomada de decisão - Foto: Pixabay

Entre os principais sonhos de muitos brasileiros está o da aquisição da casa própria. Mas para isso, é preciso estar atento a uma série de questões, principalmente sobre a vida de cada pessoa, seus objetivos profissionais, o tamanho da família e a probabilidade de mudanças futuras. Porém, o principal questionamento está relacionado ao fator financeiro particular e também ao do País. Mesmo com recursos para comprar a casa própria, é preciso fazer uma avaliação para a boa aplicação do dinheiro, considerando o que mais vale a pena: alugar ou financiar um imóvel.

Como prova de que o brasileiro almeja ter o seu próprio lar está o aumento dos financiamentos de imóveis. Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), cerca de R$ 97 bilhões foram financiados apenas no primeiro semestre de 2021, um crescimento de 124% na comparação com o mesmo período do ano passado.

No acumulado em 12 meses, o montante financiado somou R$ 207,68 bilhões, ocasionando em uma alta de 60,8% em relação ao período anterior. 

Mas para saber se a compra ou o aluguel de imóvel é mais vantajoso é importante que o interessado avalie diversos fatores. O primeiro alerta se dá com os cuidados com a inflação, já que ela ou o percentual utilizado como referência para a valorização do imóvel interfere no valor da compra e na rentabilidade do aluguel.

Já para a compra, é preciso que o consumidor esteja atento para outros dois fatores. Um deles é o valor de entrada, sendo importante guardar o máximo possível de dinheiro para uma quantia mais confortável. Outro ponto é quanto à taxa Selic. Caso seja mantida em alta, o Custo Efetivo Total (CET) do financiamento também se elevará, o que pode favorecer o mercado de aluguel. 

De acordo com o planejador financeiro da Múltiplos Investimentos e professor de Educação Financeira, Hélio Mota, não existe uma definição sobre o que é melhor, sendo preciso avaliar cada caso individualmente.

“O brasileiro sempre foi apaixonado por imóveis, sempre tivemos isso presente em nossa vida, na nossa cultura de investir em imóveis e comprar uma casa. O primeiro ponto é que não existe uma resposta correta para alugar ou financiar, o que é melhor, não é tão simples assim, para chegar a essa conclusão depende de vários fatores”, disse. 

Também é preciso ter atenção quanto ao percentual que utilizado no reajuste do aluguel. Quanto maior for a taxa em relação ao potencial de valorização do imóvel (compra) e o retorno da aplicação (aluguel), maior a vantagem para financiar em vez de alugar quando os juros estão baixos. Para o aluguel, também é preciso notar o valor máximo de uma parcela e o valor pago pelo inquilino, para escolher o mais vantajoso. 

“É preciso avaliar a taxa de juros que vai estar atrelada ao financiamento ou aluguel. Se a taxa do financiamento for mais alta, faz muito mais sentido alugar um imóvel e só depois dar entrada no financiamento do imóvel, porque dessa forma o dinheiro que estaria sendo gasto em um financiamento com taxas abusivas poderia estar rendendo numa aplicação financeira. Ao contrário do que muitas pessoas falam, a casa só é própria depois que terminar de pagar ao banco”, explicou. 

Por fim, ele aponta que é importante que as pessoas simulem antes de tomar a decisão. “Com cálculos comparativos, é possível avaliar qual solução seria a melhor. É preciso que cada pessoa analise a sua situação. Existem calculadoras de investimentos que conseguem trazer situações reais nas taxas”, finalizou Hélio.

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