Estratégia e eficiência: o Porto do Recife na frente pela integração de Pernambuco
A logística moderna conta com um ecossistema interligado, produtivo, com previsibilidade e integração dos modais, como é o caso do atracadouro da capital pernambucana
Localizado às margens dos rios Capibaribe e Beberibe, o Porto do Recife é estratégico para o desenvolvimento e para a logística de Pernambuco e se entrelaça com a história do estado. Operando comercialmente desde 1918, o atracadouro consolidou-se como uma importante rota de exportação do açúcar, principal produto econômico do estado desde o século XVI.
Atualmente, o porto atende navios de longo curso e cabotagem para importação e exportação de cargas nacionais e estrangeiras. O ancoradouro disponibiliza nove berços operacionais, o que permite receber até nove navios simultaneamente. Além disso, conta com local para armazenagem (armazéns e pátios), tem estrutura para receber navios de cruzeiro e possui um Terminal Marítimo de Passageiros.
Segundo o presidente do Porto do Recife, Paulo Nery, a logística moderna conta com um ecossistema interligado, eficiente, com previsibilidade e integração dos modais, e o porto é um dos ativos mais importantes da cadeia logística pernambucana. Hoje, o atracadouro se interliga por meio das BRs 101 e 232, fazendo a conexão do centro para o interior do estado.
“Mais de 70 mil caminhões entraram e saíram do Porto do Recife em 2024, sem alterar o trânsito da cidade, e aí a importância dessa integração porto-cidade. E você percebe o tamanho de movimentação de carga que esse porto já tem e com a tendência gigante de crescimento. Ele se encaixa exatamente nessa cadeia, e nesse ecossistema interligado que nós temos aqui em Pernambuco, porque você fala do Porto Recife, mas precisa falar das estradas e dos investimentos que também estão acontecendo nos aeroportos”, explica.
Movimentação
De acordo com o gestor, há mercadorias que são mais movimentadas no porto, como açúcar, fertilizantes, trigo, malte de cevada, barrilha e bobina de aço.
“O açúcar eu diria que foi o indutor para a criação do Porto do Recife. A parceria com o Sindaçúcar-PE e com as nossas usinas é muito forte e ocupa um local de destaque nessa movimentação de cargas”, afirma.
Na indústria de fertilizantes, o Porto do Recife tem uma parceria com a Fertine, empresa do Grupo Fertipar. De acordo com Nery, todo fertilizante utilizado na agricultura de Pernambuco, e em partes dos estados da Paraíba, e de Alagoas, passam pelo Porto do Recife por meio da empresa.
“Essa mesma empresa ganhou um leilão do Ministério de Portos e Aeroportos e está construindo hoje uma expansão de seus armazéns. A perspectiva é de que em 2026 nós tenhamos uma duplicação de armazenamento e distribuição de fertilizantes. Essa é uma grande operação, com algo em torno de R$100 milhões de investimentos”, destaca o presidente.
"Você percebe o tamanho de movimentação de carga que esse porto já tem e com a tendência gigante de crescimento", afirma Paulo Nery, presidente do Porto do Recife. Foto: Felipe Ribeiro/Folha de PernambucoJá a LiquiPort venceu uma licitação e está construindo no porto um terminal de armazenamento de malte de cevada que vai atender toda a indústria cervejeira de Pernambuco e região.
“Nós temos a própria Rhodes que é uma empresa que já opera conosco e faz armazenamento de malte de cevada e também de trigo, ocupando um local de destaque”, reitera Paulo Nery. A Rhodes também foi autorizada a expandir o seu terminal.
A barrilha, matéria-prima para o vidro, também é uma das cargas movimentadas no ancoradouro, por meio da Vivix.
“A empresa utiliza da barrilha para produzir o vidro, e a mercadoria vem por meio de uma importação que acontece também pelo Porto do Recife. Outra mercadoria muito movimentada no porto são as bobinas de aço, que são utilizadas na indústria, em metalúrgicas, e chegam aqui ao porto por meio de cabotagem e navio de longo percurso”, destaca.
Números
Em 2024, o porto movimentou 1,7 milhão de toneladas de cargas. No mesmo ano, a movimentação financeira atingiu uma receita de R$48,6 milhões. As projeções apontavam que, em 2025, o porto alcançaria dois milhões de toneladas de cargas. Porém, alguns fatores impossibilitaram que a meta fosse atingida.
“O tarifaço americano, de uma certa forma, prejudicou as importações pelos Estados Unidos do nosso açúcar. Eu tive o cancelamento de um navio que carregava 30 mil toneladas de açúcar a granel. Com certeza, em 2026, quando essas grandes estruturas que estão recebendo investimento como LiquiPort, Fertine e a Rhodes estiverem rodando, esperamos superar dois milhões de toneladas de carga”, destaca o presidente.
Outro objetivo buscado pelo atracadouro é o de aumentar a capacidade de faturamento. A expectativa é que o porto tenha alcançado, em 2025, uma receita de R$56 milhões a R$58 milhões, um crescimento em torno de 15% no comparativo com 2024.
“Esperamos que em 2026 já tenhamos um saldo tanto de movimentação de carga, quanto de faturamento. E a partir de 2027, consolidando todos os projetos, a gente consiga elevar o porto a um outro patamar de faturamento”, menciona Paulo Nery. A perspectiva é que o faturamento chegue a R$70 milhões no próximo ano.
O Terminal Marítimo de Passageiros recebe navios de cruzeiro, e a previsão é de que 30 mil turistas passem pelo local na atual temporada. Foto: Divulgação/Porto do RecifeDragagem
Em setembro de 2025, a governadora Raquel Lyra e o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, assinaram o termo de compromisso para a dragagem do Porto do Recife. As obras contam com um investimento federal de mais de R$100 milhões. Após a assinatura, foi aberta a licitação para a contratação da empresa especializada para executar as obras.
O projeto amplia a profundidade dos canais internos e externos, garantindo calado de até 12 metros, o que possibilita a atracação de navios de maior porte. As obras devem ser finalizadas em 2026.
“Hoje, o navio de cruzeiro para no cais dois, e o Terminal Marítimo de Passageiros fica no sete. Os turistas precisam ser transportados de ônibus. Com a dragagem, o navio vai poder parar lá no Terminal Marítimo de Passageiros. Isso é um ganho de eficiência na operação e um conforto que a gente traz para o turista”, observa o gestor do porto.
Na mesma data de assinatura do termo para a dragagem, também foi lançado o edital de arrendamento do Terminal Marítimo de Passageiros. Este ano, a gestão do porto pretende conceder o Terminal Marítimo de Passageiros à iniciativa privada.
“Uma empresa com experiência na área terá uma capacidade maior nas negociações com os grandes armadores, que são os donos dos navios, para trazer mais navios para a temporada. E também fazer investimentos de recuperação e de manutenção do terminal”, aponta o presidente.
No âmbito da infraestrutura, o atracadouro está com um projeto executivo em andamento na ordem de R$20 milhões para drenagem e pavimentação do porto, principalmente do cais, para trazer segurança para as pessoas que trabalham no local e eficiência no processo de carga e descarga de mercadoria. As obras devem ser executadas em 2026.
O Porto do Recife atende navios de longo curso e cabotagem para importação e exportação de cargas nacionais e estrangeiras. Foto: Divulgação/Porto do RecifeCruzeiros
O Porto do Recife é responsável por receber os navios de cruzeiros que vêm para o estado, por meio do Terminal Marítimo de Passageiros. Para a temporada 2025/2026 (de outubro do ano passado até abril deste ano), a previsão é de que o porto receba em torno de 30 mil turistas.
“A gente vê que o porto tem um potencial de ser um destino turístico, além de receber os navios de cruzeiros. Para isso, temos um projeto em andamento de médio e longo prazo para revitalizar as ruínas do Forte do Buraco e também instalar equipamentos de turismo como, por exemplo, o restaurante. Também começamos a preparação para criar um museu do Porto do Recife. É outro equipamento. E nós temos a Cruz do Patrão, eu acabei de encomendar também um estudo de revitalização da área”, revela o gestor do porto.


