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Shineray do Brasil: protagonismo tecnológico e industrial sobre duas rodas

Com produção centralizada em Suape, a montadora acelera investimentos que ampliarão sua capacidade de produção, de 180 mil para 250 mil unidades por ano

A Shineray do Brasil passa por um importante ciclo de investimento após a sua inauguração, em 2015, em SuapeA Shineray do Brasil passa por um importante ciclo de investimento após a sua inauguração, em 2015, em Suape - Foto: Divulgação

No momento em que o mercado de duas rodas vive uma expansão consistente no país, a Shineray do Brasil acelera investimentos e posiciona o Nordeste como protagonista industrial e tecnológico no setor.

Com produção centralizada no Complexo Industrial de Suape, no Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife, a montadora vive um dos mais importantes ciclos de ampliação desde que inaugurou a fábrica, em 2015.

A empresa investe R$ 77 milhões na expansão de seu parque fabril, que vai saltar de 54 mil m2 para 76 mil m2. As obras começaram em outubro de 2024 e seguem em ritmo acelerado. A conclusão está prevista para o fim de 2026. 

Segundo o diretor da Shineray do Brasil, Paulo Perez, a atual capacidade de produção da fábrica em apenas um turno é de 180 mil unidades por ano. Com a ampliação, esse número deve chegar a 250 mil.

Paulo Perez, diretor da Shineray do BrasilPaulo Perez, diretor da Shineray do Brasil | Foto: Divulgação

“O intuito é expandir a produção e melhorar a logística para as cerca de 400 concessionárias já espalhadas no país, atendendo de Suape para o Brasil todo”, destaca Paulo Perez.

Os números de vendas confirmam o bom momento da marca, que está presente há duas décadas no Brasil e possui mais de 50 modelos no portfólio. Em 2025, foram comercializados 180.912 produtos, um salto expressivo em comparação às 120.117 unidades vendidas em 2024.

Com a estratégia de expansão, a empresa projeta um novo patamar de crescimento. “Hoje, a Shineray do Brasil detém 6% do mercado nacional. O objetivo, no curto prazo, é alcançar dois dígitos”, destaca o diretor.

Laboratório
Além da ampliação da fábrica, a Shineray do Brasil realiza investimento tecnológico importante para a região. A marca está implantando em Suape um laboratório próprio de controle de emissões de poluentes, o primeiro do Nordeste.

A estrutura, sozinha, representa o aporte expressivo de R$ 200 milhões e possibilitará velocidade, redução de burocracias e custos operacionais na realização de análises e certificações de conformidades ambientais, documentos obrigatórios para fabricantes.

“O impacto é poder lançar os modelos com mais velocidade. Vamos fazer a inspeção das motos por amostragem dentro das instalações próprias. É uma estrutura que não tem no Nordeste, está restrita a Manaus e São Paulo”, aponta Paulo Perez.

Com o laboratório dentro da fábrica, a empresa elimina a necessidade de processos longos em outros estados ou até mesmo no exterior. Mais do que atender à própria produção, a estrutura também poderá prestar serviços a terceiros, atraindo novas operações para a região.

“O Nordeste terá um centro tecnológico para controle de emissão de poluentes no mercado automotivo, isso é muito importante. Ao invés de fazer a certificação na China, em Manaus ou São Paulo, poderemos fazer aqui”, enfatiza o diretor da Shineray do Brasil.

A previsão é que o laboratório esteja pronto no primeiro trimestre de 2027, dentro da mesma área de expansão do parque fabril de Suape.

A empresa investe R$ 77 milhões na expansão de seu parque fabril, que vai saltar de 54 mil m² para 76 mil m²A empresa investe R$ 77 milhões na expansão de seu parque fabril, que vai saltar de 54 mil m² para 76 mil m² | Foto: Divulgação

Empregos
Com mais espaço e tecnologia, a produção avança, e o crescimento reflete diretamente na geração de empregos. Atualmente, a Shineray do Brasil conta com cerca de 600 funcionários, sendo aproximadamente 300 na fábrica. A ampliação deve gerar a contratação de mais 100 profissionais.

“Aumenta a produção, aumentam os funcionários. Vai ter qualificação de pessoal técnico, para o laboratório principalmente”, aponta Paulo, destacando que a formação de mão de obra qualificada segue como um dos grandes desafios do setor.

“Há uma dificuldade enorme de mão de obra de eletricista, mecânico e montador de motocicleta”, relata o diretor, informando que o investimento em treinamento contínuo se tornou parte da rotina da empresa.

Mercado
Embora a marca tenha concessionárias em todos os estados brasileiros, o Nordeste segue como principal mercado consumidor, com destaque também para o Pará.

“O principal em vendas é o Nordeste. São Paulo tem grande representação, e o Centro-Oeste mostra um crescimento bastante pujante”, ressalta o diretor. A estratégia para os próximos ciclos envolve ampliar a presença no Sudeste e no Centro-Oeste.

“Todo o mercado de duas rodas cresceu. Impulsionado por uma dificuldade no transporte coletivo, principalmente nas cidades do interior, e pelo mercado de entrega por motocicleta”, avalia Paulo.

Ele projeta que, em 2026, o crescimento virá pelo aumento do rendimento da população por meio da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000. “Isso vai repercutir como fator positivo para o nosso mercado”, afirma.

Apesar do cenário positivo, o diretor Paulo Perez aponta preocupações relevantes, especialmente relacionadas à reforma tributária e à possível redução de incentivos fiscais para o setor no Nordeste.

“A tendência é todo mundo se mudar para Manaus, que tem incentivo maior”, destaca Perez. Mesmo diante desse contexto, a empresa reforça seu compromisso com Suape, onde a marca mantém toda a operação fabril e logística.

Inovação e sustentabilidade
A Shineray do Brasil conta com mais de 50 modelos, a exemplo de triciclos, quadriciclos, carros de golfe, bicicletas elétricas, veículos off-road, além de motocicletas elétricas e a combustão, de 50 a 400 cilindradas, e, em breve, de 600 cilindradas.

Os preços variam de R$ 9.000 a R$ 160 mil, atendendo diferentes perfis de consumidores, do trabalhador urbano ao cliente corporativo.

Entre os próximos lançamentos, a marca aposta na diversificação tecnológica. A empresa já é forte no segmento elétrico e prepara a chegada de motos flex.

“É um produto que não temos ainda. Precisamos de um modelo flex para atender a demanda da região, que é produtora de etanol e a gente vê com muito bons olhos essa questão”, ressalta Paulo Perez. 

A preocupação ambiental também orienta as decisões estratégicas. “Fazendo um produto que possa ser movido a biocombustível, a gente está atento ao meio ambiente”, destaca o diretor da Shineray do Brasil.

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