FÓRUM NORDESTE 2023

"Brasil será protagonista do processo de descarbonização no mundo", afirma Hugo Nunes

Diretor-executivo de negócios liberalizados da Neoenergia apresentou os potenciais do país para o processo de transição energética

Hugo Nunes, diretor-executivo de negócios liberalizados da Neoenergia, no Fórum NordesteHugo Nunes, diretor-executivo de negócios liberalizados da Neoenergia, no Fórum Nordeste - Foto: Clemilson Campos/Especial para a Folha de Pernambuco

Com um grande potencial para a geração de energia limpa e proveniente de fontes renováveis, o Brasil deverá protagonizar o processo de descarbonização mundial. A avaliação é do Diretor-executivo de Negócios Liberalizados da Neoenergia, Hugo Nunes

Em palestra realizada no Fórum Nordeste 2023, o executivo apresentou as tendências para o setor elétrico brasileiro e as perspectivas para a liberalização do mercado no país, que poderá ganhar cerca de 75 mil novos clientes no próximo ano com a expansão do Ambiente de Contratação Livre (ACL)

O debate contou ainda com a mediação do diretor da Acrópolis Energia e consultor do Fictor, Reive Barros; do diretor da Koblitz Energia, Luiz Otávio Koblitz; e do diretor-presidente da Copérgas, Felipe Valença de Souza.

De acordo com Nunes, o Brasil apresenta um grande potencial para ser líder no processo de descarbonização.

“Se construirmos uma agenda positiva, o Brasil será protagonista. E no país, o protagonista nesse processo é a região Nordeste (…) a matriz vai ser pautada na energia solar e eólica que serão geradas aqui”, afirmou. 

Nos últimos anos, a região foi a que mais avançou na geração de energia renovável, que é obtida por meio das fontes hidráulica, eólica, solar e de biomassa. O percentual, que era de 79% em 2018, chegou a 98% no último ano, de acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE)

Participação da energia oriunda de fontes renováveis na geração total do BrasilParticipação da energia oriunda de fontes renováveis na geração total do Brasil | Arte: Folha de Pernambuco

Para Nunes, uma política de governo e regulação forte do setor deverão contribuir para o avanço do país na questão. A opinião é compartilhada com o diretor da Acrópolis Energia e consultor do Fictor, Reive Barros.

“Precisamos ter um marco regulatório e jurídico estável, principalmente para o setor do hidrogênio. Depois da pandemia e da greve da Ucrânia, o Brasil se apresenta no mundo como celeiro tendo em vista que o agronegócio possui uma estrutura muito bem montada”, pontuou Reive.

O hidrogênio verde, obtido por meio da eletrólise da água, utilizando energia limpa e renovável e sem emissões de CO2, é considerado um elemento chave para a descarbonização industrial. Em Pernambuco, o Complexo de Suape já conta com um hub para estudo do combustível.

“O momento que vivemos hoje é de nos adaptarmos para atender a demanda mundial. Estamos desenvolvendo agora a política nacional de hidrogênio verde”, observou Hugo.

Na visão do Diretor-executivo da Neoenergia, a construção dessa agenda precisa ser finalizada nos próximos meses, aproveitando o cenário internacional. “Se não estabelecermos isso rapidamente começamos a perder projetos para outros países. Devemos aproveitar a reforma tributária e colocar toda a agenda positiva de hidrogênio verde que vai trazer muitos benefícios para o Brasil”, completou.

Outro fator que deverá impulsionar o país nesse momento de transição energética e descarbonização é a exigência do consumidor, que se mostra cada vez mais antenado às questões ambientais. Atualmente, o Brasil figura como o 7° maior emissor líquido de gases de efeito estufa

No entanto, a perspectiva é que o aumento do potencial instalado das fontes renováveis forneçam um lastro para o selo verde do setor energético do país, que pode ser obtido quando a energia gerada por esse tipo de fonte ultrapassa os 90%. “A região Nordeste deverá se apresentar como uma supridora de fontes renováveis para que essas soluções sejam implantadas no restante do país”, avaliou Hugo. 

Para o Diretor-presidente da Copérgas, Felipe Valença de Souza, a diversidade da matriz energética do Brasil auxilia para que o país se apresente de forma competitiva para o mundo.

“Se quisermos atrair investimentos, temos que olhar todas as bases energéticas nesse novo período de industrialização. Precisamos ter a cabeça aberta para desenvolvermos novas fontes de energia e comprarmos o que é o nosso potencial natural”. 

Valença destaca que gás natural é uma energia limpa que pode auxiliar nesse período de transição energética do país. “Estamos falando da capacidade de inovar, mas também precisamos ter algo que funcione a curto prazo e nos ajude a caminhar”, observou.

Para Hugo Nunes, o gás natural poderá auxiliar a suportar a tensão do sistema. “Não há como ter uma expansão renovável sem ele. Precisamos ter uma fonte por trás quando não temos vento ou sol. Sem o gás a energia renovável não vem”. 

De acordo com o Diretor da Koblitz Energia, Luiz Otávio Koblitz, outra opção viável para o setor são as florestas energéticas, que contribuem para o fornecimento de biomassa florestal. No último ano, a energia obtida a partir desse tipo de fonte, que tem como principal matéria-prima o bagaço da cana-de-açúcar, entregou ao sistema cerca de 3 mil MW médios. 

“A região Nordeste tem um grande potencial. Em Pernambuco podemos ter a presença dessas florestas além do litoral com a plantação da cana-de-açúcar chegando às outras regiões do estado. O Nordeste precisa fazer um grande programa com florestas energéticas”.

ASSISTA:
Luiz Otávio Koblitz explica o porquê da defesa da criação de florestas energéticas no Brasil. Segundo ele, Sertão e Agreste serão as áreas mais desenvolvidas em Pernambuco.

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