FÓRUM NORDESTE 2023

Energia eólica: a força do vento

Participação de fontes renováveis na geração elétrica brasileira aumenta no País. Parte disso se deve ao crescimento da utilização da energia eólica. O Nordeste é a região de referência no setor 

O Nordeste abriga cerca de 70% dos parques eólicos existentes no PaísO Nordeste abriga cerca de 70% dos parques eólicos existentes no País - Foto: Aluísio Moreira/SEI

Com o intuito de reduzir ainda mais as emissões de carbono na geração elétrica brasileira, calculado em 61,7 Kg CO2-eq/MWh em 2022, o País tem aumentado a participação de fontes renováveis. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a renovação da Oferta Interna de Energia (OIE) e da Oferta Interna de Energia Elétrica (OIEE) passou de 45,0% em 2021 para 47,4% em 2022. Parte disso se deve ao crescimento da utilização da energia eólica, principalmente no Nordeste, região referência no setor. Existem aproximadamente mil parques eólicos no País, sendo cerca de 70% no Nordeste. 

De acordo com a Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), em dezembro de 2021, a potência da energia eólica no Brasil ultrapassou os 20 gigawatts (GW) de capacidade instalada. Suficiente para suprir a demanda de mais de 20 milhões de habitantes. A geração de energia elétrica pela matriz eólica cresceu 12,8% em 2022, com 4.065 megawatts (MW) de capacidade e 109 parques criados no período, representando 13,1% da produção energética do Brasil. É a terceira maior fonte de produção de energia elétrica no País. Ao todo, as eólicas produzem 26.209 MW.

PIONEIRISMO PERNAMBUCANO

No Brasil, mais de 700 parques eólicos estão no Nordeste. Primeira empresa de energia renovável do Brasil, a Eólica Tecnologia, com sede no Recife, foi responsável pela criação de dois parques em Pernambuco. 

“Em sociedade com uma empresa da Dinamarca (European Energy), criamos as centrais eólicas de Ouro Branco, em Poção, no Agreste, e a Quatro Ventos, em Macaparana, na Zona da Mata. Ambas operam desde 2023, com investimento de R$ 540 milhões. A energia eólica é uma fonte ainda mais barata que a solar e a biomassa. Temos um potencial enorme de crescimento”, afirmou o empresário Everaldo Feitosa, vice-presidente da World Wind Energy Association (WWES) e presidente da Eólica Tecnologia, um dos pioneiros na pesquisa de jazidas de vento no Nordeste.

Segundo a Abeeólica, o Rio Grande do Norte é o estado com maior geração de energia eólica, com 247 parques, com potência de 7.813 MV. Bahia e Piauí completam o top 3. Pernambuco é o sexto da lista. 

MEIO AMBIENTE

Ainda que seja uma energia renovável, a utilização do recurso precisa ser feita com cuidado. O doutor em Energética e professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Heitor Scalambrini Costa, ressaltou a importância de ter atenção com os impactos socioambientais gerados pelo atual modelo predominante de expansão da energia eólica.

“A física nos ensina que não existe processo de conversão de uma fonte de energia em outra que não gere poluição, com algum tipo de impacto. Temos que ver um modelo de implantação da tecnologia que menos gera impacto, não somente no meio ambiente como também na vida das pessoas”, alertou.

O professor detalha que há formas de geração da energia sem causar grande impacto ambiental. “Existem dois modos de geração de energia: centralizada e descentralizada. A primeira, em larga escala, tem alto número de aerogeradores, enquanto a segunda tem uma quantidade inferior, ocupando uma área menor, gerando impacto mais baixo. Essa é a que deve ser priorizada”, detalhou.
 

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