Fisioterapia

Cuidados com a Covid-19 continuam mesmo após a cura

Profissional essencial em todas as fases da doença, o fisioterapeuta atua na linha de frente, no trato direto com os pacientes.

Sessões de fisioterapia trabalham com estímulo muscularSessões de fisioterapia trabalham com estímulo muscular - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Composto basicamente por um ácido nucleico (RNA ou DNA) e uma “capa” de proteína, o vírus só consegue se replicar infectando células de seres vivos, visto que ele não possui uma própria. Por isso, é chamado na biologia de “parasita obrigatório”. Ao invadir o corpo humano, esse ser microscópico, à medida que se multiplica, provoca uma reação inflamatória que atinge tecidos, órgãos e sistemas, a começar pelo respiratório.

Isso explica como uma doença, que começa aparentemente inofensiva feito um resfriado, se revela tão perigosa em pouco tempo, sendo causa de mortes e pressionando o sistema de saúde. Como mostram os milhões de sobreviventes pelo mundo, a cura não é o fim da Covid-19. Depois que a infecção vai embora, ela permanece na forma de sequelas, lançando o paciente em um longo processo de recuperação.

Entre as complicações mais comuns, estão problemas pulmonares, cardiovasculares, renais e neurológicos. Também em decorrência da internação prolongada, em que a pessoa passa dias, semanas ou até meses deitada em um leito de hospital, são inúmeros os relatos de ex-pacientes de Covid que continuam, por um bom tempo, sentindo dificuldade para respirar e executar tarefas simples do dia a dia. Alguns demoram para voltar a andar.

Da UTI ao pós
É aí que entra o trabalho de outro profissional fundamental na linha de frente: o fisioterapeuta, que não atua só no pós-infecção como também na assistência aos internados nas UTIs.

“Em geral, a internação se dá por insuficiência respiratória. Então é um paciente que precisa de oxigênio, e a fisioterapia atua no manejo da oxigenoterapia. Também são usadas algumas técnicas para evitar a intubação, como a ventilação não invasiva”, explica a fisioterapeuta Lívia Melo, especialista em Fisioterapia e Terapia Intensiva. “Quando é feita a intubação, a gente entra com uma ventilação mecânica protetora para não lesionar os pulmões”.

Durante e após o processo de extubação, o paciente precisa ser acompanhado por causa da fraqueza associada ao longo período de imobilização e sedação. “Na parte do pós-Covid, atuamos bastante, principalmente na reabilitação cardiopulmonar. São pacientes que apresentam fadiga muscular e muito cansaço. O objetivo é retomar o condicionamento físico e melhorar a força”, diz Melo.

No Recife e em outras cidades da Região Metropolitana, centros de fisioterapia foram reestruturados para dar conta da alta demanda de pacientes com problemas respiratórios e motores depois de vencerem a doença. Um desses serviços é oferecido no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Na visão da especialista, a experiência adquirida no combate à crise sanitária tornou a profissão mais conhecida. “Fazemos o papel de prevenção, de tentar minimizar os prejuízos da sedação e do próprio ventilador [mecânico]. Foi desgastante para todo mundo que trabalhou na pandemia, mas tivemos um reconhecimento da população”, observa.