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Perder peso com saúde: a jornada do emagrecimento

Emagrecer muito rápido impede o corpo de se adaptar à situação e a chance de a pessoa voltar a engordar em pouco tempo é muito maior

A alimentação saudável é apenas parte de um processo para combater a doença da obesidadeA alimentação saudável é apenas parte de um processo para combater a doença da obesidade - Foto: Freepik

Perder peso, seja por questões de saúde e/ou por estética, e de forma saudável, não passa pela rapidez oferecida em tom de “milagre” por aí afora, tampouco a questão do emagrecimento é pautada apenas pelo quesito alimentação.

É preciso entender que obesidade é doença multifatorial - com genética, ambiente, sedentarismo e doenças correlacionadas, como alguns dos agentes importantes que devem ser levados em consideração. 

Dessa forma, portanto, precisa ser tratada de forma abrangente, uma vez que “a jornada do emagrecimento exige mudanças contínuas e constância. Até pode se ter um resultado imediato, mas ele não se sustenta e o corpo fica mais resistente à mudança duradoura”. 

É dessa maneira que a nutricionista Mariana Domício trata o assunto que, nos últimos tempos, vem ganhando proporções por vezes perigosas, quando põe em risco a saúde de quem deseja a perda do peso, mas sem preocupação com a saúde no processo de emagrecimento - que em geral tende a ser longo, indo de encontro a um mundo tomado de ansiedades por soluções rápidas. 

“É que ao mesmo tempo que a população nos dias atuais tem tido mais consciência do que é ou não saudável, ela também vive em busca de soluções milagrosas que nem sempre são recomendadas para a saúde”, pontua Domício.

Obesidade
Partindo do princípio de que obesidade é uma doença e, portanto, deve ser tratada como tal, emagrecer de forma saudável tem sido um desafio em tempos de ‘modismo’ e promessas ilusórias de rapidez na perda de peso, não raras as vezes aliada a questões puramente estéticas.

Considerada uma doença crônica, inflamatória e progressiva, com causas que podem passar pelo sedentarismo, hábitos alimentares inadequados, além de fatores genéticos, como dito anteriormente, e até culturais e étnicos, “por mais que a pessoa que tenha a doença da obesidade esteja com exames de sangue bioquímicos considerados normais, ela sempre terá uma inflamação crônica de baixo grau, com o corpo inflamado e, assim, sempre estimulando células ruins (que oxidam o corpo) do sistema imune”, alerta a nutricionista.

Ainda de acordo com Mariana Domício, “se o paciente com obesidade perder de 12% a 15% do seu peso corporal, já há uma diminuição na inflamação, tornando-se mais saudável, principalmente se ele mantém esse peso emagrecido ao longo da vida”.
 

"Ao mesmo tempo que a população nos dias atuais tem tido mais consciência do que é ou não saudável, ela também vive em busca de slu;cões milagrosas que nem sempre são recomendadas para a saúde", afirma Mariana Domício | Crédito: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco

Ela complementa afirmando que “Não há peso específico (determinado para o paciente chegar), mas ainda é utilizado o Índice de Massa Corporal (IMC) como ferramenta para classificar a obesidade - acima de 30 já é considerado obesidade”.

Pressa
“Se se emagrece muito rápido, não dá tempo para o corpo ir se adaptando à sua nova versão, e naturalmente ele fará de tudo para voltar ao peso anterior mais rápido.

A chance de voltar a engordar é muito maior”, ressalta a nutricionista, quando questionada se a melhor forma de perder peso de forma saudável é de forma gradual.

Domício complementa, ainda, que a maior ilusão ‘vendida’ a quem deseja emagrecer é exatamente a rapidez. E isso não se dá à toa.

É que em relação ao metabolismo, reduzir grande volume de peso rápido “desregula ainda mais o metabolismo, já que o corpo naturalmente no emagrecimento já diminui o gasto energético.

Ela reforça também que “no universo virtual, é cada vez mais comum a gente se deparar com receitas milagrosas e dietas que prometem a perda de peso em semanas”.

Ela explica que a cada 1 quilo emagrecido, diminui-se pelo menos 30 calorias de gasto energético e o apetite aumenta em 100 calorias.

Uma premissa que reforça a necessidade de saber que a obesidade é doença, sendo assim é necessário entendê-la desde o histórico de peso do paciente ao longo da vida, desde o período da infância.

“Com esse filtro vamos entender se há necessidade, no momento inicial do emagrecimento, de já utilizar medicação no tratamento, sempre aliada à mudança do estilo de vida: alimentação saudável, movimento (sair do sedentarismo), atenção ao sono e ao estresse”, enaltece Mariana, que carrega consigo uma frase - tatuada, inclusive, em seu corpo: “Disciplina é liberdade”.

Remédios
“Precisamos parar de estigmatizar a medicação, em muitos casos ela é necessária, e emagrecer também com o seu auxílio é emagrecer de forma saudável”, pontua Mariana, quando o assunto se volta ao uso de remédios como o Ozempic e o Mounjaro ambos, pode-se dizer, recentes no mercado do emagrecimento e por vezes usados sem a devida prescrição médica.

“Essas medicações foram criadas para tratar diabetes, alteração na glicose e resistência à insulina. Condição clínica que é presente na obesidade. Então naturalmente quando regulamos o metabolismo da glicose, tendemos a emagrecer”, explica a nutricionista, que segue alertando para as seguintes questões:

 “Se bem indicada - para quem? Quando? Em qual fase do emagrecimento? Qual o histórico do paciente e as patologias associadas - é uma excelente medicação”.

Mariana Domício ressalta, ainda, que o “erro grave é que no ‘modismo’ uma grande parte dos usuários utilizam para fins estéticos”.

De fato, o mercado clandestino em especial, tem mesmo se aproveitado da popularidade dessas medicações que, vale lembrar, deve obrigatoriamente ser prescrita por um profissional habilitado para tanto.

“Se mal utilizada pode causar danos à saúde, entre outros, problemas gastrointestinais, pancreatite, desmaios e hipoglicemia”, cita ela. 

Mas, independente de remédios da natureza de medicamentos como o Ozempic e o Mounjaro, dieta e exercícios físicos seguem como principal recomendação dos nutricionistas? Um questionamento que, de pronto, ela respondeu sem titubear: “Sempre!”

 

O uso de medicamentos sem acompanhamento médico para fins estéticos, pode provocar danos graves à saúde | Crédito: Freepik

Domício segue pontuando sobre os remédios que, segundo ela, precisam ser vistos sob dois pontos considerados importantes: acessibilidade para a população em geral, em especial a classes menos favorecidas, que é onde a obesidade cresce cada vez mais.

Além disso, a população que tem acesso segue querendo emagrecer e, dessa forma, utiliza as medicações de forma errada “e muitas vezes ao invés de regular o metabolismo e perder gordura, fica sem comer, perde massa magra e diminui o gasto energético”. 
 

Crédito: Freepik

Sendo assim, quando param a medicação, voltam a engordar. No entanto, segundo Mariana, “Se a medicação for utilizada de forma correta, junto a uma boa alimentação e atividade física, ela transforma vidas”.

A alimentação saudável é apenas parte de um processo para combater a doença da obesidade.

“Ao mesmo tempo que a população nos dias atuais tem tido mais consciência do que é ou não saudável, ela também vive em busca de soluções milagrosas que nem sempre são recomendadas para a saúde.”

 

 

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