A angústia de conviver com o medo

Por dever de ofício, jogadores são obrigados a voar muitas vezes num ano. Alguns confessam o temor dessas viagens

Equipamento foi instalado no bairro de Prazeres, entre o Mercado das Mangueiras e o Viaduto Geraldo Melo.Equipamento foi instalado no bairro de Prazeres, entre o Mercado das Mangueiras e o Viaduto Geraldo Melo. - Foto: Matheus Britto / PJG

 

Conviver com o medo de voar é uma tarefa árdua para quem pas­sa praticamente o ano inteiro viajando. É o caso dos jogadores de futebol profissional. Somente nos Brasileirões das Séries A e B, são 38 trechos, já que são 19 jogos fora de casa para cada clube. Isso sem contar com Copa do Brasil, Copa Sul-Americana e Copa do Nordeste, no caso específico dos nordestinos. Para piorar ainda mais, um país com dimensões continentais como o Brasil torna os trajetos mais longos e complicados, diferente da Europa, por exemplo, onde algumas viagens podem ser feitas até mesmo de trem.

 Ou seja, gostando ou não, levantar voo é preciso para os brasileiros. Porém, assim como é comum você ter um amigo, parente ou conhecido que tenha medo de avião, a situação não é diferente. Entre os nomes que já externaram essa opinião publicamente estão Givanildo Oliveira, Derley, Paulo Roberto Falcão, entre outros.
Segundo o lateral-direito Apodi, que atuou pela Chapecoense na temporada passada e perdeu “verdadeiros irmãos”, como o mesmo definiu, a grande maioria dos atletas não gosta de viajar de avião. “Ninguém gosta. Na verdade, acho que 90% dos jogadores não gostam de pegar avião e sou um deles. Não fazemos isso porque somos obrigados, mas é porque é nosso trabalho, assim como o da imprensa, viver para lá e para cá”, comentou, para em seguida aconselhar os responsáveis pelas logísticas dos clubes. “Eu penso que as pessoas envolvidas nesse quesito de arrumar as viagens têm de estar mais conscientes e qualificadas. Acima de tudo, estão levando pessoas. São erros que não deveriam acontecer”, comentou.
O goleiro Rodolpho, do Náutico, nunca teve muitos problemas para viajar de avião. Porém, passou por alguns sustos, principalmente quando atuou na Chapecoense, entre os anos de 2011 e 2013. O clima da cidade de Chapecó por conta da neblina atrapalha a decolagem e a aterrissagem das aeronaves. Jogos, inclusive, já foram adiados porque as equipes não conseguiram chegar ao município.
“Vocês viram nesses últimos anos no Campeonato Brasileiro o quanto é difícil chegar em Chapecó de avião. Sempre tem muita neblina e muitas vezes não é possível aterrissar. Já passei por situações complicadas, de ter de arremeter diversas vezes no mesmo voo. Graças a Deus não aconteceu nada mais grave, mas já passei alguns sustos e acaba se tornando comum com quem vai para lá”, resumiu o arqueiro.
Pior é quando o temor de tantos atletas vira realidade, e pessoas próximas têm a vida interrompida por conta de tragédias. Dois atletas do Santa Cruz tiveram contato com jogadores da Chapecoense, antes deles viajarem para Medellín. Léo Moura revelou em sua conta pessoal do instagram um trecho da conversa que teve com Cléber Santana.

O meia coral parabenizou o colega pela conquista da vaga na decisão da Copa Sul-Americana. Já Tiago Costa, ex-Chape, disse que tinha conversado com os ex-companheiros na sexta-feira anterior à tragédia. “Eu falei com os caras, parabenizando por terem ido à final. Todo mundo estava feliz, muito contente. Falei com Cléber no sábado, até. Tinha muitos amigos ali. Além do Cléber, Thiego, Ananias, Dener, Caramelo, Bruno Rangel, Danilo”, lamentou.

 

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