A arte de transmitir emoções

Narradores contam como descobriram o talento para transmitir eventos esportivos, principalmente os jogos de futebol

Fiepe Fiepe  - Foto: Divulgação

Restringir disputas e competições meramente ao local de jogo é menosprezar as muitas sensações que o esporte proporciona. Para levar todas as nuances do âmbito esportivo a ambientes distantes, é preciso sensibilidade de sobra, ser intérprete capaz de transmitir comoções, dramas, tragédias e alegrias. É essa a tarefa dos narradores esportivos. Muito além da informação e qualificação técnica, são eles os encarregados de captar e transmitir impressões aparentemente indescritíveis. Não é para qualquer um. Afinal, transformar fatos em narrativas épicas é fruto de muita devoção ao esporte.

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Por vezes, é uma materialização de um sonho de infância. Foi assim com Aroldo Costa, narrador da Rádio Jornal. Quando criança, em Garanhuns, região Agreste do Estado, não perdia um evento esportivo na televisão. Mas o pequeno Aroldo não se limitava apenas a acompanhar atentamente às disputas. “Quando tinha oito, nove anos, já ficava na frente da televisão atento a tudo. Eu ‘ousava’ narrar vôlei, basquete, futebol, fórmula 1...”, conta. “Com 14, 15 anos, um tio conseguiu um teste na Rádio Difusora de Garanhuns (hoje Rádio Jornal). Com 16 anos já estava narrando Sete de Setembro x Desportiva Vitória, no Gigante do Agreste (em Garanhuns)”, detalha, relatando o início precoce.

“Era a realização de um sonho. Até completei a graduação em jornalismo, mas peguei na prática, porque sempre queria narrar tudo que podia. E é assim até hoje. Quero sempre envolver o ouvinte, fazê-lo entrar no clima do jogo, passando emoção, informação, mas contando uma história”, sintetiza. Quem também se identificou com o ofício desde os tempos de garoto, vividos em Paulista, foi Hermes de Souza, que já foi narrador e apresentador da Rádio Folha Pernambuco FM 96.7. O curioso é que foi a falta de intimidade com a bola que o levou a descobrir a paixão pela narração.

“A qualidade técnica não era das melhores lá pelos meus oito, nove anos. Então era normal ficar de fora das peladas. Aí eu ficava narrando e dando nomes, apelidava os caras mais velhos nos jogos de vôlei, imaginando um jogo fantástico em arenas, estádios. Acabou que todo mundo gostava e as peladas viravam uma grande brincadeira”, relembra. A brincadeira virou coisa séria. “Acho que foi aí que começou esse desejo de me descobrir um narrador. Mais tarde, passei no vestibular para engenharia química, mas ainda brincava com narração, exercitava a voz e aí não teve jeito. Fiz jornalismo e trabalhei com reportagem e o resto é história”, completa.

Entretanto, nem sempre a narração esportiva nasce de uma habilidade natural surgida precocemente. Rembrandt Júnior, narrador da Globo Nordeste e dos canais SporTV, começou quase por acaso. Mas recebeu um empurrão de peso para embarcar no ramo. “Eu era muito entusiasmado com esportes e trabalhava desde o ensino médio na Escola Radar, em Vitória de Santo Antão (Zona da Mata do Estado). Aí comecei como repórter da rádio local, na época da fundação do Desportiva Vitória (início dos anos 1990). Depois passei a trabalhar para a Rádio Clube e fiquei indo para o Recife quando fazia faculdade de Educação Física, conciliando trabalho e estudos”, detalha.

“Em 1999, Luciano do Valle (notável narrador, falecido em 2014) veio ao Recife para transmitir o Campeonato Pernambucano e me chamou para a TV Pernambuco. E foi ele quem me deu a primeira chance para a narração, em preliminares ou quando ele se ausentava por conta dos compromissos com a Rede Bandeirantes. Antes, só fazia reportagem e apresentação de evento. Acho que seria repórter até hoje se não tivesse tido o incentivo de Luciano”, diverte-se. “E eu nunca tinha pensado em fazer televisão até esse convite de Luciano. Batia um nervosismo, porque eu não tive preparação, mas as coisas foram acontecendo e eu tomei gosto em levar emoção aos espectadores” aponta, para depois ressaltar: “Claro que com honestidade, pois temos de ser fiéis ao que acontece”, complementa.

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