A ressaca do torcedor com o futebol pernambucano

Temporada 2018 do Trio de Ferro da Capital deixou rubro-negros, tricolores e alvirrubros de cabeça cheia

1 - Jeová Bezerra 2 - José Ferreira Monteiro 3 - Tássio de Lima 4 -  Valéria Gomes 5 - João Marcelino 6 - Adriana Lima 7- Emílio Pereira. Torcedores lamentam o momento ruim dos times do coração e elencam diferenças em relação a clubes mais desenvolvidos1 - Jeová Bezerra 2 - José Ferreira Monteiro 3 - Tássio de Lima 4 - Valéria Gomes 5 - João Marcelino 6 - Adriana Lima 7- Emílio Pereira. Torcedores lamentam o momento ruim dos times do coração e elencam diferenças em relação a clubes mais desenvolvidos - Fotos: Brenda Ancântara/Folha de Pernambuco

Você também estaria de ressaca. “Olha... Aquele jogo contra o América/MG, sei não!” Difícil de entender, Seu Jeová Bezerra. “A ‘Coisa’, como chamam, ter caído, pra mim, foi certo. Salvou o ano.” Calma, Seu José Ferreira, que o seu Santinha, assim como o Náutico, acabaram frustrados na tentativa de sair da Série C. Seu Jeová, então, completa: “Rapaz, foi um ano triste, mesmo.” Piadas à parte, o torcedor pernambucano sofreu no ano de 2018. “A gente fica assim, nessa humilhação, não é?”, conclui Seu José. Nível técnico, violência, culpa do técnico, culpa da diretoria, culpa dos jogadores, culpa da Imprensa e por aí vai. As respostas variaram diante da pergunta: “Quem é o responsável pela atual situação do futebol pernambucano?” Em comum, no entanto, um sentimento de distanciamento justificado como necessário.

“Meu amigo, o que a gente vê por aqui é pelada. Pelada. Eu vejo jogo mais disputado em torneio dos meus amigos. Agora, presta atenção que vou dizer um negócio pra você, quando é o Barcelona em campo, eu paro para assistir. E sou sincero”, justificou, assim, o vendedor ambulante Tássio de Lima, 25 anos, após confessar uma “quedinha” pelo Santa Cruz. “Lá fora existe organização. O nível do futebol é muito diferente. Aqui é tudo uma bagunça. Por isso que estamos nessa situação. Até o jeito de os caras tocarem na bola, lá, é diferente. Aqui, os caras parecem que nem comem.” Vale lembrar que, este ano, virou piada no Arruda a venda de ovos como forma de ajuda nas obras do Centro de Treinamento Coral.

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Assim como Tássio, a administradora de empresas Valéria Gomes, 40 anos, também revelou ter apenas uma “queda” pelo Náutico - apesar de toda família ser Sport. “Eu gosto de futebol. Mas prefiro as ligas europeias. O nível técnico atrai nossa atenção. Os jogos daqui me fazem perder o interesse”, disse Valéria, pouco antes de revelar um possível futuro da filha nas quatro linhas. “Ela (Daniela Gomes) é atacante. Tem 13 anos. Quem sabe não joga no Benfica (de Portugal), não é?”

A influência do pai do zelador João Marcelino de Lima, de 51 anos, o fez escolher o Santa Cruz para torcer. “Toda a família é tricolor.” Era puxado pelo pai, também, a vontade de ir a campo. “Faz anos que não vou. Papai ainda era vivo.” Apesar do distanciamento dos estádios, ele garantiu: “Eu acho que falta empenho dos jogadores. Quando existe uma maior identificação com o clube, aí sim. Tudo caminha bem. Mas quando eles não se interessam, dá no que deu”. Defendendo cores diferentes, a rubro-negra Adriana Lima, de 28 anos, também atribui ao desempenho técnico dos atletas o motivo da queda do Leão. “Tudo que a gente faz tem de ser feito por amor. E eu não via isso nos jogadores do Sport”, contou.

O representante comercial Emílio Pereira, de 58 anos, lembra com saudade da época em que ia aos Aflitos, onde sua esposa foi nadadora, e confraternizava tranquilamente. “Eu não sinto falta de ir a estádio. Tive oportunidades de levar meus filhos e acabei me deparando com muita confusão. Eu fiquei muito decepcionado. Quando o Santa Cruz joga, dou uma olhadinha na televisão. E é a garantia que eu tenho: a porta fechada e a pipoca”, disse Emílio. “Outro ponto é a questão financeira. A diferença no futebol brasileiro é muito grande. Acredito que os times de Pernambuco precisavam de um maior apoio. Independente de admirar o Santa Cruz, eu tenho o maior carinho por Náutico e pelo Sport. E é assim que tem de ser”, concluiu. 

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