Acampamentos, frio noturno e 160 mil refeições: conheça os bastidores do Rali Dakar
Longe das pistas, uma operação itinerante alimenta cerca de 3 mil pessoas por dia e sustenta a logística da competição mais exigente do off-road internacional
O Rali Dakar, a mais longa prova de rali do mundo, não é feito apenas de motores, areia e resistência física. Ao longo de quase três semanas, a competição forma uma espécie de aldeia nômade que cruza a Arábia Saudita, mudando de endereço a cada etapa.
Nesta edição, que vai até este sábado (17), são oito acampamentos temporários — os bivouacs — onde cerca de 3.000 pessoas vivem diariamente, entre competidores, equipes, médicos, mecânicos, jornalistas e organizadores. Os bastidores dessa engrenagem foram acompanhados pelo Infobae, que revelou detalhes pouco visíveis da maior prova off-road do planeta na Arábia Saudita.
Com exceção dos pilotos e navegadores, que descansam em motorhomes, todos dormem em barracas montadas no meio do deserto. É inverno no Oriente Médio: no norte do país, as noites são frias, enquanto o sol do meio-dia impõe contraste térmico. À medida que a caravana avança para o sul, as temperaturas se tornam mais amenas, mas a rotina segue austera e sem conforto convencional.
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Uma cozinha industrial em movimento
Cada novo acampamento já chega pronto para operar, com centro médico, sala de imprensa e um grande refeitório. Alimentar essa população flutuante é um dos maiores desafios do Dakar.
Segundo Adnan Alamoudi, chefe do serviço de catering ouvido pelo Infobae, ao longo dos 23 dias de evento são servidas entre 150 mil e 160 mil refeições. Quase 2.800 pessoas recebem café da manhã, almoço e jantar diariamente, o que eleva o impacto da operação para cerca de 6.000 pessoas envolvidas direta ou indiretamente.
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O cardápio é planejado para evitar monotonia e atender a exigências físicas extremas. Há rotação semanal de menus, massas trocadas a cada poucos dias e um detalhe pouco comum: pratos de macarrão disponíveis 24 horas por dia, sem limite de porções. A ideia é garantir carboidratos extras para competidores, mecânicos e motociclistas que enfrentam jornadas de até 600 quilômetros no deserto.
Cerca de 60% dos alimentos vêm de fora e são transportados diariamente em seis caminhões; o restante fica armazenado em freezers montados nos próprios acampamentos. A operação envolve duas grandes equipes, que somam mais de 300 profissionais entre cozinheiros, auxiliares e pessoal de limpeza — 95% deles sauditas, segundo o responsável pelo serviço.
Além da escala industrial, o ambiente guarda uma cena curiosa: no jantar, é comum dividir a mesa com pilotos e familiares, em conversas informais sobre o dia de prova. No Dakar, até as refeições ajudam a contar a história de uma competição que, longe das câmeras, funciona como uma cidade inteira desmontada e remontada no ritmo do deserto.

