Alvo de suposto ataque racista, Sterling critica mídia inglesa

O atacante do Manchester City postou sua indignação com os jornais durante a repercussão do caso de racismo que sofreu na partida contra o Chelsea

Raheem Sterling deixou o seu na vitória dos CitizensRaheem Sterling deixou o seu na vitória dos Citizens - Foto: AFP

"Eu só consegui rir, porque não esperava algo melhor". A frase é do atacante Raheem Sterling, 24, que usou sua conta no Instagram para rebater os xingamentos racistas que teria recebido de torcedores durante a derrota para o Chelsea, no último sábado (8). No texto, o atacante do Manchester City faz um paralelo entre duas notícias veiculadas pelo jornal Daily Mail para ilustrar como a mídia inglesa "ajuda a inflamar o racismo e o comportamento agressivo". As duas publicações são sobre jovens jogadores do City que compraram casas para suas mães.

Mas a manchete sobre Tosin Adarabioyo, atleta negro de 20 anos, diz que o garoto "gasta 2,25 milhões de libras em uma mansão mesmo nunca tendo começado uma partida da Liga". Não cita que a casa era para sua mãe. Já a notícia sobre Phil Foden, jogador branco de 18 anos, diz: "Nova estrela [...] compra casa nova de 2 milhões de libras para sua mãe". "Para todos os jornais que não entendem porquê o racismo existe nos dias de hoje, tudo que tenho a dizer é que pensem outra vez", finaliza Sterling.

O caso tomou as redes sociais. O jornalista Adam Keyworth publicou uma sequência de manchetes da mídia britânica sobre o atacante. Nelas, Sterling é criticado por fatos como ter viajado de avião na classe econômica, por ter o carro sujo, comprar roupas em uma loja barata ou presentear sua mãe com uma pia "obscena". O ex-zagueiro do Manchester United, Rio Ferdinand, também se pronunciou nas redes, questionando até quando "iremos permitir esse tipo de comportamento". O irmão de Rio, Anton Ferdinand, também já foi alvo de um caso de racismo.

Em 2011, o lendário defensor do Chelsea, John Terry, teria xingado Anton, então jogador do Queens Park Rangers, de "preto de m..." durante uma partida da Premier League. Terry foi acusado pela procuradoria britânica por "delito de alteração da ordem pública com agravante racial", perdeu a braçadeira de capitão e chegou a ser suspenso. Um ano depois, foi considerado inocente pela justiça inglesa.

O episódio envolvendo Sterling e os torcedores do Stanford Bridge será investigado pela Polícia Metropolitana da Inglaterra e pelo próprio Chelsea. O clube disse que tomará "a medida mais forte possível caso necessário". Já a polícia disse que não decidiu sobre a prisão de ninguém, mas que "está ciente de vídeos na internet que alegam ataques racistas contra um jogador". Também a Federação Inglesa (FA), que nos últimos anos tem promovido campanhas contra a discriminação, sobretudo contra a homofobia, também divulgou nota dizendo que investigará o caso.

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