Ancelotti pode ser primeiro técnico de nação diferente da seleção que comanda a ser campeão da Copa
Na história da Copa do Mundo, todos os treinadores campeões eram do mesmo país das nações vitoriosas
Carlo Ancelotti está perto de estrear em Copas do Mundo, comandando justamente a seleção mais vitoriosa do planeta. E caso o italiano conquiste a sexta estrela com o Brasil, ele entrará para a história sendo o primeiro profissional a atingir o feito por uma equipe de nacionalidade diferente da sua.
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Histórico
Todos os técnicos campeões mundiais comandavam os mesmos países em que nasceram. No Brasil, por exemplo, os cinco títulos foram com brasileiros no banco de reservas: Vicente Feola (1958), Aymoré Moreira (1962), Zagallo (1970), Carlos Alberto Parreira (1994) e Luiz Felipe Scolari (2002).
Dois treinadores chegaram perto de quebrar esse tabu. Um deles foi impedido pelo Brasil. O inglês George Raynor era o técnico da Suécia na final da Copa do Mundo de 1958, mas ficou com o vice-campeonato ao perder por 5x2 para a Canarinho. Já em 1978, o austríaco Ernst Happel bateu na trave com a Holanda ao perder a decisão para a Argentina por 3x1.
Experiências
Ancelotti pode ser o primeiro técnico estrangeiro a comandar o Brasil em Copas, mas não foi o único nome fora do país a ter a chance de treinar a Seleção. O primeiro foi o uruguaio Ramón Platero. Em 1925, ele treinou a equipe no Campeonato Sul-Americano (hoje Copa América), na Argentina. Foram apenas quatro partidas, somando duas vitórias, um empate e uma derrota.
Os brasileiros ficaram com o vice-campeonato, com direito a uma briga generalizada na partida final, diante dos anfitriões, terminada em 2x2, sob os gritos de "macaquitos" dos torcedores locais, que segundo relatos da época chegaram a invadir o gramado. Em repúdio ao caso, o Brasil decidiu ficar fora das edições seguintes do torneio, retornando apenas em 1937.
Segundo estrangeiro e primeiro europeu a comandar o Brasil, o português Jorge Gomes, o Joreca, treinou a Seleção em 1944, dividindo o posto com Flávio Costa. Ambos comandaram a equipe em dois amistosos contra o Uruguai, com vitórias por 6x1 e 4x0.
O último da lista foi, acredite se quiser, um argentino. Em 1965, coube a Filpo Nuñez treinar a Seleção, à época bicampeã mundial. A Confederação Brasileira de Desportos (CBD), hoje CBF, decidiu que o Palmeiras representaria o País em um amistoso contra o Uruguai, vencido por 3x0, na inauguração do Mineirão, e escolheu Nuñez, técnico do Verdão, para a missão - o treinador oficial do Brasil era Vicente Feola.

