Antes anônimas, hoje capitais do esporte

Impulsionadas pelo sucesso das equipes locais, algumas cidades deram adeus ao anonimato para se inserirem no mapa do mundo

Deputado federal Aldo RebeloDeputado federal Aldo Rebelo - Foto: Agência Brasil

Na pequena Leicester, na Inglaterra, o azul é a cor predominante desde o início do ano. Em Barcelona, o futebol é o cartão-postal da região da Catalunha. O “C”, que intitula o nome de Cleveland, nos Estados Unidos, também estampa a camisa do atual campeão da NBA. Entre as cidades e seus clubes, há uma relação bem maior do que um simples “bairrismo” ou o natural orgulho em ver o triunfo de um conterrâneo. As instituições, com suas conquistas nos gramados e nas quadras, trabalharam indiretamente como uma ferramenta de marketing perfeita para propagar suas cidades mundo afora.

Com pouco mais de 330 mil habitantes, Leicester, na Inglaterra, era conhecida por ter “abrigado” o corpo de Ricardo III, último rei do país a morrer em uma ba­talha, há mais de 500 anos. Coincidência ou não, após trazer os restos mortais do monarca, em março do ano passado, o clube homônimo da cidade foi dan­do adeus ao anonimato. Primeiro, conseguiu uma reação histórica na temporada 2014/2015, engatando sete vitórias em nove jogos, escapando do rebaixamento no campeonato inglês. Na edição seguinte, o Leicester conseguiu um feito antes ina­creditável: seu primeiro título em mais de 130 anos de história.

“A cidade não tinha muita expressão. As pessoas mal sabiam pronunciar o nome. Mas, com o crescimento do Leicester, televisões do mun­do inteiro começaram a se interessar pela história e os turistas chegavam com a intenção de ver os jogos do time. Tudo isso deixou a população orgulhosa e, aos poucos, as pessoas foram abraçando o time”, afirmou o jornalista da ESPN, João Castelo Branco, que acompanhou de perto a campanha do clube.

“Teve um dia que as crianças da cidade vestiram somen­te azul em alusão ao Leicester. A prefeitura passou a promover os jogos da equipe e criou uma exposição dentro de um dos museus da região sobre a conquista do campeonato. O clu­be colocou a cidade no ma­pa do mundo”, completou.

“Não vamos esquecer essa noite. Ninguém nesse ginásio, na comunidade, em Ohio... todo mundo que tem alguma ligação com o Cleveland. Se você não é daqui, não vive aqui, não joga aqui, não dedica sua vida ao Cleveland, não faz sentido vi­ver. Cleveland contra o mundo”. Foi com essa frase que o astro do time de basquete homônimo à cidade, LeBron James, comemorou o título da temporada 2015/2016 na NBA, colocando fim a um jejum de 53 anos sem uma conquista local em pelo menos uma das três principais competições do país, como a NHL (beisebol) e NFL (futebol americano).

“Depois da conquista, muita coisa mudou. As pessoas começaram a ter mais interesse no time, comprando camisa e boné. Também conheço gente que emoldurou o jornal com a manchete de campeão”, disse a estudante pernambucana Mônica Oliveira, de 27 anos, que faz intercâmbio na cidade. A outra “febre” local recente foi o beisebol, mas o Cleveland Indians não teve a mesma sorte e acabou perdendo a final da World Series para o Chicaco Cubs.

Barcelona sempre foi uma cidade conhecida por sua diversidade cultural. Esportivamente, ser sede dos Jogos Olímpicos de 1992 impulsionou ainda mais sua fama mundial. Mas foi o time azul-grená quem elevou a cidade ao posto de “capital do futebol”, graças ao talento dos craques que atuaram (e atuam) no Camp Nou. Um deles foi o ex-jogador brasileiro Edmilson.

“Desde a Olimpíada, Barcelona foi planejada para o crescimento. Mas o clube em si, principalmente a partir de 2004, foi fundamental para aumentar a importância da cidade. Quem é da região trata o Barça como uma seleção, até mesmo pelas causas políticas que ultrapassam o futebol, como a defesa da independência da Catalunha. Há um respeito enorme pelo time. É como diz o slogan: ‘mais que um clube’. Nunca vi uma relação entre cidade e equipe como é lá”, frisou Edmilson.

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