Após perdas, Santa se desdobra para pagar salários com 'delivery'

Clube apresenta queda de cerca de 40% no quadro de sócios e agora usa criatividade para honrar compromissos

Torcida do Santa Cruz no estádio do ArrudaTorcida do Santa Cruz no estádio do Arruda - Foto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

A crise agravada pela pandemia do novo coronavírus persiste, enquanto os desafios para os clubes pernambucanos para manterem as contas em dia só aumentam. É atracado neste cenário que dirigentes do Santa Cruz tentam puxar o fôlego que resta para que os prejuízos no José do Rego Maciel sejam minimizados. As tentativas, no entanto, vêm num ritmo diferente do que está sendo observado no clube. De acordo com o diretor de marketing da Cobra Coral, Guilherme Leite, o Santa sofreu uma queda de aproximadamente 40% no número de sócios titulares adimplentes, o que equivale a uma perda de mais de R$ 100 mil em receita de arrecadação, uma das principais para o mantimento de parte da folha salarial do futebol e demais funcionários.

Antes da queda no quadro de sócios, o Santa Cruz contava com quase 5 mil titulares ativos. Hoje, o clube contabiliza cerca de 3 mil sócios titulares em dia, e cerca de 6 mil dependentes, ou seja, uma redução que beira o quantitativo de 2 mil sócios. O Tricolor ainda não tem a contabilidade de quais setores sociais acabaram sofrendo maior debandada. O diretor de marketing, entretanto, acredita que as categorias mais afetadas foram as mais baratas - Bronze e Prata -, com valores de R$ 29,90 e R$ 39,90 mensais, levando em consideração que os sócios enquadrados nas categorias Prata Família, R$ 59,90; Ouro, R$ 99,90; e Diamante, R$ 199,90, geralmente pagam o valor anual do quadro.

“Com essa crise, o torcedor deixou de ter renda. Nós entendemos a queda e estamos fazendo o máximo para que ela seja o menos impactante possível. Estamos ligando individualmente para os sócios. Desde que começou a gestão de Tininho, temos cerca de 15 mil sócios que passaram pela base em algum momento e estavam em dia. Temos o telefone de todo mundo. Existem funcionários trabalhando em casa com o ‘call center’, ligando e coletando para flexibilizar data de pagamento”, explicou Guilherme Leite.

“Promoção infelizmente não temos como fazer porque é ano de eleição e o estatuto do clube não permite fazer isso. Então, não temos muito o que fazer, além de flexibilizar o pagamento e chamar o torcedor para quem ainda não é sócio, se associar”, reforçou.

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Segundo Guilherme, apesar da queda no número de sócios e, consequentemente, nas receitas, o clube ainda não consegue estimar o prejuízo total acumulado nas duas semanas que já se passaram sem futebol. Lembrando, também, que alguns patrocinadores lançaram proposta de flexibilização de contrato ao clube, com redução e parcelamento das cotas mensais. Outros, inclusive, optaram por suspender temporariamente o contrato com o Tricolor, como adiantado pela reportagem na quinta (02).

A partir disso, as contas no Arruda vão apertando, ao passo em que uma das poucas alternativas do Santa Cruz passa a ser criar alternativas e superar os desafios impostos pela crise. Por outro lado, o diretor de marketing conta que é justamente de uma dessas alternativas que o clube tem conseguido sustentar os vencimentos dos funcionários das lojas Cobra Coral, marca própria do clube.

“Prejuízo tem em todos os sentidos. Tem patrocinador pedindo flexibilização de datas, não tem a renda dos jogos. Temos quatro lojas fechadas, por conta do fechamento dos shoppings e a do Arruda. Estamos incentivando muito ‘delivery’, com promoção de camisas, colocamos 50% de desconto na camisa oficial. E é com esse dinheiro que estamos conseguindo manter os salários dos colaboradores das lojas. Tem dado resultado, mas um resultado suficiente somente para reduzir um pouco o prejuízo”, enfatizou.

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