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Após vencer lesões, Thaisa fala sobre retorno à seleção

Aos 31 anos, a central Thaisa revela ter temido fim da carreira e diz ter voltado às quadras ainda mais motivada

Dani Lins e Thaisa reeditam parceria na seleçãoDani Lins e Thaisa reeditam parceria na seleção - Foto: Ernesto Beltré/Norceca

Em abril do ano passado, a central Thaisa, de 31 anos, protagonizou uma cena de dar frio na espinha, como diz o dito popular, ao torcer o tornozelo direito em uma partida com o Eczacibasi Vitra, pelo campeonato turco. O resultado foi uma lesão no ligamento e na cartilagem, o que lhe rendeu alguns dias hospitalizada. Não era, porém, o único - e nem o pior - problema. Em janeiro, havia sofrido uma ruptura do ligamento lateral e de parte do menisco do joelho esquerdo, mas foi vítima de negligência médica e, por pouco, não viu sua carreira acabar de forma melancólica, bem diferente da história vitoriosa que construiu em mais de uma década dedicada ao esporte.

São dois títulos olímpicos, dois pódios em mundiais, pentacampeã do Grand Prix, duas vezes campeã mundial de clubes, inúmeras premiações individuais... O currículo de Thaisa é tão expressivo quanto a paixão pelo voleibol. Após mais de um ano de incertezas e de uma verdadeira batalha, a carioca, enfim, está voltando ao seu habitat. Isso, por si só, já é uma vitória para quem ouviu ser praticamente impossível retornar. “Foi, no mínimo, devastador.” À base de muita dedicação nos tratamentos, ela voltou. Ainda mais sangue nos olhos. “Lutei tanto e consegui. Que motivação melhor eu poderia ter?”, disse ela, contando não ter mágoas do clube turco, mas do médico que a "tratou".

“O médico não quis fazer o que deveria ter sido feito em janeiro, quando machuquei. Uma artroscopia resolveria. Mas não, ele foi imprudente e quase acabou com minha carreira. Disse não ter nada, que em 15 dias estaria ótima, e meu joelho foi ficando cada vez pior e pior. O clube ficou tão surpreso quanto eu quando soube da posição dele. Ficaram indignados, tanto que cuidaram de mim e pagaram minha cirurgia do joelho... (mas que acho que era o mínimo, né?).”

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Na reta final da Superliga 2017/18, Thaisa retornou ao Brasil, através do Hinode Barueri/SP, clube comandado pelo técnico da seleção brasileira, José Roberto Guimarães. A contratação teve como meta prioritária cuidar da recuperação e do retorno dela de forma segura. Thaisa chegou a atuar em algumas partidas, mas foi no mês passado, com a camisa da seleção brasileira, que voltou de fato a competir com maior regularidade, na Copa Pan-Americana. Agora, trabalha junto ao elenco principal para estar pronta para ajudar o Brasil a conquistar o inédito título no Mundial, mês que vem.

“Não imaginava retornar à seleção, fico muito feliz com essa oportunidade. Eu queria voltar a jogar em alto nível, mas não sabia como meu corpo reagiria. Foi muito difícil todo o período de recuperação. Chego dando o meu máximo e treinando forte todos os dias. Ainda sinto dor. Tenho que controlar, não pode sobrecarregar. Ainda não estou no meu melhor, mas acredito que em breve estarei mais adaptada aos treinos, impacto, saltos. Não tem jeito, é questão de tempo. Estou evoluindo, muito feliz, e quero muito ajudar o Brasil nesse Mundial”, disse Thaisa, que, embora tenha um nível de jogo inquestionável, terá mais concorrência nesse retorno.

Enquanto esteve fora, outras meninas aproveitaram a chance de mostrar serviço, como a veterana Adenízia e as jovens Bia e Carol. “Nada melhor do que ter disputa, isso eleva o nível do treinamento e exigência. Eu penso em ajudar ao máximo, seja dentro ou fora da quadra. Passar minha experiência”, completou ela, uma das mais gabaritadas do elenco atual ao lado da levantadora Dani Lins e da ponteira Fernanda Garay, que também retornam após um período distante por motivos distintos - Dani foi mãe e Garay optou por dar mais atenção à vida pessoal.

O retorno delas veio calhar, uma vez que o desafio do Brasil no Mundial não será fácil. A equipe está no Grupo D da primeira fase, junto com Sérvia, República Dominicana, Porto Rico, Quênia e Cazaquistão. Avançar na chave não deve ser problema, mas nos playoffs a exigência será maior. Nesta temporada, o País ainda não figurou em pódios internacionais. Foi quarto na Liga das Nações, com o grupo principal, e também na Copa Pan-Americana, na qual competiu com um elenco misto. “Sabemos que tem várias equipes muito fortes, que evoluíram bastante nos últimos anos, e o Brasil não terá caminho fácil. Muito pelo contrário. Não temos favoritismo. Melhor assim (risos)”, analisou Thaisa.

   Clube

Após passar por uma das equipes mais fortes do mundo, o Eczacibasi Vitra, Thaisa voltará a disputar uma Superliga completa na próxima temporada, com o Hinode Barueri/SP. O retorno ao Brasil é comemorado por ela, que revelou ter sentindo muita falta de casa durante o tempo que passou fora do País. “Eu amei jogar fora, conviver com outras culturas e nacionalidades, jogar um campeonato muito forte. Mas senti muita falta da minha casa e família. Sempre dei prioridade em jogar no Brasil, mesmo tendo muitas oportunidades de ir para fora e ganhar muito bem.”

 

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