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Araponga, o símbolo pé quente da conquista

Roupeiro chegou ao Náutico justamente em 1968, ano do hexa estadual

Araponga trabalha no Náutico desde 1968Araponga trabalha no Náutico desde 1968 - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

“Ninguém sabe meu nome, mas todo mundo me conhece”. A frase é quase como uma charada. Poucos realmente sabem quem é Severino Matias de Carvalho. Um homem de várias alcunhas. “Lula”, no ambiente familiar. “Presidente”, para os companheiros de trabalho. Mas o roupeiro de 78 anos, com 50 deles dedicados ao Náutico, ficou famoso por outro apelido. “Sou Araponga”, diz com orgulho. Meio século dedicado a cuidar dos uniformes do clube que ama. Um torcedor e símbolo do Timbu. Que “viu de tudo”, como gosta falar. Inclusive o maior feito do Alvirrubro.

O pernambucano de Carpina chegou ao Náutico justamente em 1968, ano do hexacampeonato. "Eu estava assistindo a um jogo do Náutico contra o Íbis, nos Aflitos. Meu irmão me procurou e me perguntou se eu gostaria de trabalhar no clube. Aceitei na hora", disse, contando a origem do apelido. "Fui correr pelo estádio quando Gena (ex-lateral-direito) me viu passar e disse que eu parecia com Araponga, um jogador do Santa Cruz. Me lembro que nós tivemos um jogo lá no Arruda e ganhamos por 1x0 do Santa. No final, todo mundo gritou: ‘Araponga é pé quente. Mas não era o outro, era eu”, contou.

Araponga é saudoso ao falar da convivência com vários atletas e treinadores. Por um deles nutriu uma relação especial: Duque, técnico no hexacampeonato. “Ele pensava 50 anos à frente. Foi o homem mais inteligente com quem trabalhei”, disse. Mas a admiração tinha um limite. “Ele queria que eu fosse com ele para o Sport, mas neguei. Eu sou Náutico”.

A final de 1968 tem seu enredo conhecido, mas uma briga quase mudou a história. "Jardel, que tinha cabeça quente, discutiu com Aloísio e jogou um prato nele. Duque o tirou da concentração. Fomos para Ilha e perdemos por 3x2. Depois da partida, os jogadores disseram para Duque que o time precisava de Jardel e ele o aceitou de volta".

Pós-título, Araponga tomou uma decisão que mudaria sua vida. “A comemoração nos Aflitos começou de seis horas da noite e só terminou seis horas da manhã. A feijoada foi dentro do campo. Fiquei pensando: 'futebol é bom demais. Cheguei e fui hexa'. Eu tinha outro emprego na época, mas falei para o meu chefe que ficaria somente no Náutico. Aqui é minha segunda família, é tudo para mim", frisou Severino Matias de Carvalho, o alvirrubro mais famoso do nome menos conhecido.

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