Arnaldo Barros: "Sport não pode se limitar à rivalidade regional"

"Se queremos que o clube cresça, temos de ser ousados, de pensar grande", prega o presidente rubro-negro

Arnaldo Barros, presidente do SportArnaldo Barros, presidente do Sport - Foto: Bruno Campos/arquivo folha

Eleito em dezembro do ano passado, numa vitória sobre diversos caciques da Praça da Bandeira, o advogado Arnaldo Barros tomou posse em janeiro da cadeira maior do Executivo do Sport. Em quase nove meses de gestão, algumas frases e decisões polêmicas, como a desfiliação da Liga do Nordeste e consequente saída do Nordestão. Em entrevista concedida na semana passada nos estúdios da Globosat, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, o atual presidente leonino explicou sobre esse assunto e também falou sobre a quantas anda o projeto da sonhada arena e sua readequação, reformas na Ilha do Retiro, Diego Souza, Magrão e até mesmo sobre o patamar que o Sport quer alcançar. "O Sport não pode se limitar a essa rivalidade regional", frisou. A entrevista contou com a presença do repórter Gustavo Lucchesi, da Folha de Pernambuco, um dos dois cronistas convidados especialmente para o programa Camarote F.C, do canal Premiere.

DIEGO SOUZA
A manutenção passou por duas vertentes fundamentais: a primeira foi o nível de satisfação e engajamento que o atleta sempre teve com o clube. A vontade do atleta sempre foi fundamental. Não só Diego Souza, mas se qualquer um alcançar um nível de insatisfação incontornável, nós não vamos querer ninguém num grupo que destoe das ambições que temos. O que não aconteceu com Diego. Ele sempre registrou que queria continuar, é o nosso embaixador. Inclusive, quando ele estava saindo do Fluminense, um presidente de outro clube (segundo apuração da reportagem, foi o presidente Marcelo Sant'Ana, do Bahia) me revelou que tentou iniciar uma negociação diretamente com Diego, mas ele pediu desculpas e sequer quis ouvir a proposta, afirmando que queria voltar ao Sport. O segundo fator foi os termos do contrato assinado. Quando compramos 50% dele, colocamos uma multa que volto a afirmar: é impagável para os clubes brasileiros. No Brasil, nunca houve uma transação nesse valor da multa do contrato de Diego. Posso garantir.

REFORMAS DA ILHA
A Ilha do Retiro é uma senhora de 80 anos, que não foi concebida para atender essas demandas modernas. Por exemplo, a Ilha já teve condições de receber um público de 50 mil espectadores, hoje só suporta 29 mil, por conta dessas áreas de segregação criadas por conta da escalada da violência. Estamos tentando lutar para conseguir dar conforto a todos. E não temos condições financeiras de fazer uma ampla reforma exigida nos moldes de uma arena, por exemplo. Temos um plano de investimento em curso na área estrutural da Ilha toda e que vai durar 24 meses. Por exemplo, temos um projeto de acabar com os túneis de acesso dos jogadores e árbitros, que ficam alagados quando chove. A ideia é que os dois times e arbitragem entrem por um corredor que passa por debaixo da arquibancada, mas na altura do gramado. Minha expectativa é de que até o final deste ano, no mais tardar ano que vem, isso tenha sido concluído.

GRAMADO
Até pouco tempo, tínhamos um dos melhores gramados do Brasil. Acontece que, este ano, tivemos um inverno mais rigoroso que o habitual do Recife. Passamos por um período de 45 dias de chuvas intensas. E o nosso gramado sofreu muito. A lama acabou tomando conta em determinados jogos. Investimos numa empresa conhecida internacionalmente para recuperar o gramado. O trabalho já vem sendo feito. Melhoramos a drenagem, colocamos novas placas e fizemos novo combate às pragas. Posso assegurar que para o próximo jogo na Ilha já teremos um gramado em bom estado.

ARENA SPORT
As nossas ações de melhorias que estamos fazendo na ilha são emergenciais. É o nosso patrimônio e temos que cuidar. Porém, isso não inviabiliza nosso projeto da arena. Muito mais do que um sonho, é uma meta. Eu não posso ser irresponsável de prometer. Mas, quero registrar que esse sonho vem sendo trabalhado há muito tempo. Temos ainda todas as licenças pra início das obras. Contratamos, ainda na gestão de Martorelli, uma empresa para revisar as questões econômicas políticas atuais. De quando o projeto foi concebido até agora muita coisa mudou. Vivemos um cenário econômico completamente adverso, diferente do que era. E não podemos fazer loucuras. Então, num estudo muito bem feito por essa empresa para ver essa viabilidade financeira, a conclusão é de que há sim, mas não naquela dimensão inicial de 40 mil espectadores. No novo projeto, a nossa arena terá uma capacidade entre 28 mil e 32 mil torcedores. Atualmente, temos 25 potenciais interessados e vamos prospectar esses nomes, pois esse sonho só pode ser viabilizado com parceiros. Não posso prometer, mas posso afirmar que é um projeto que está vivo.

PATAMAR DO SPORT
Não posso desqualificar os nossos adversários do Estado, como Santa Cruz, Náutico, Central, Salgueiro... Eles abrilhantam o futebol e merecem todo o nosso respeito. O que falei é que o Sport não pode se limitar a essa rivalidade regional. Se você quer que o Sport cresça você tem que ser ousado, pensar grande. Temos que buscar rivalidades nacionais. Não vamos desdenhar nossas competições, mas nossa preocupação maior serão sempre os caminhos nacionais e internacionais.

SAÍDA DA COPA DO NORDESTE
A decisão foi divulgada recentemente, mas a deliberação foi muito pensada, algo amadurecido. Verificamos dois grandes prejuízos: um era o econômico financeiro e o outro era em termos da saúde dos atletas, pois jogávamos uma quantidade tal de partidas que ou resultava em lesões ou em queda de desempenho no segundo semestre. Com base nisso, nos reunimos com os principais clubes do Nordeste e constatamos que o Nordestão não poderia continuar com esse modelo. A primeira reunião, salvo engano, foi em junho de 2016. Continuamos com encontros regulares para desenvolver a melhor forma de fazer o produto funcionar. E esse produto final elaborado no segundo semestre do ano passado foi fulminado por algumas federações que discordavam da nossa proposta. Com isso, os clubes desistiram do projeto. Mas, o Sport se manteve firme na posição. No final do ano passado, já havíamos avisado à Liga do Nordeste que se continuasse assim não nos interessa disputar a competição em 2018. Para o Sport, a competição não é financeiramente compensadora. Ela é deficitária. Por exemplo, parte das passagens é paga pela organização, mas o Sport viaja com uma delegação com vários profissionais e essa outra parte não é paga. Também pagamos para competir no Campeonato Pernambucano, mas esse legalmente não posso abrir mão porque ficaria fora de outras competições. Dentre Copa do Brasil, Sul-Americana e Brasileiro, o Nordestão é o único que posso declinar sem prejuízo.

SE SENTE TRAÍDO
Não, não me sinto traído não. Cada um responde pelos seus atos. Em nenhum momento condicionei a saída do Sport à adesão de outros clubes. Agora, eu gostaria muito de ter ao meu lado os outros clubes. Mas entendo que eles encontrem as suas soluções, porque sei que todos eles concordam com a lógica do Sport.

LUXEMBURGO
Minha relação é muito profissional com ele. Eu respeito muito Luxemburgo. Ele é um profissional que está extremamente identificado com o Sport, comprometido com o clube. Preocupa-se não só com o que o time vai fazer em campo, mas também com as condições de trabalho dos atletas. Inclusive dando sugestões para o clube de uma maneira geral. Estamos muito satisfeitos com isso.

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