Arte e futebol em sintonia na Malakoff

Exposição “O Jogo da Bola” proporciona oportunidade para que boleiros se auto-reconheçam em espaço amplamente interativo

Iezu Kaeru interagindo com a obra "A Dança"Iezu Kaeru interagindo com a obra "A Dança" - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Para os garotos e garotas que jogam futebol na periferia da Região Metropolitana do Recife, correr atrás da bola é como ir em busca de um sonho, que vai se realizando aos poucos, em cada drible, matada no peito e chute para o gol. Não importa se o campo é de terra batida ou no meio do asfalto. Tornar reais times de bairro, com direito a nome e escudo em camiseta, campeonato e troféu gera sentimentos diversos, melhora a auto-estima, sem falar da interação que proporciona. 

Foi justamente baseado na interação que os artistas Iezu Kaeru e Eustáquio Neves produziram fotografias em co-autoria com os protagonistas desse futebol praticado no que sobrou de espaço urbano público. Na exposição “O Jogo da Bola”, que abre hoje, às 18h, na Torre Malakoff, no Bairro do Recife, a tecnologia se une a um toque retrô para trazer o público do futebol para o universo da arte, sem barra de proteção, nem rede.

No convite, figurinhas como as de álbuns trazem meninos de bairros como Passarinho, Coque, Santo Amaro, Brasília Teimosa, Ouro Preto, Jardim Brasil, Campo do Onze e Chão de Estrelas. Dá para colecionar e jogar ‘bafo’ (alguém aí lembra desse jogo?). “Sou educador social há oito anos e quis construir uma oportunidade para que o meu público se reconhecesse no espaço, ainda muito elitizado”, disse Iezu, que tem oito expos coletivas fotográficas no currículo, sempre com uma pegada interativa.
A mostra é dividida em duas salas. Uma delas, “Com Camisa”, conta com 45 fotos digitais, de Iezu e dos jogadores de rua. “Fiz o que chamei de ‘workchoque’. Dei aulas de fotografia aos meninos e meninas, construí uma relação de confiança com eles e seus pais, deixava minha câmera para eles clicarem livremente...”, revela o artista.

Nessa mesma sala, a interação se dá em uma máquina de fliperama que estará à disposição dos visitantes que quiserem reviver ou descobrir como era jogar uma partida de futebol em videogame nos anos 80. Ao lado, uma mesa de pebolim, mais conhecido como totó, para jogar futebol de mesa. Em varais, camisetas de 22 times como o “Alkaida” e o “Barcelombra” fazem parte da obra “# O Jogo da Bola”.

“Minha ideia é não somente exibir cliques, mas também proporcionar experiências. Como se as pessoas estivessem dentro das cenas retratadas. Fotografia não tem que estar na parede. São situações que mexem com nossa memória afetiva”, explica Iezu. A tecnologia vem para proporcionar a instalação ‘Batch Gol’, uma experiência de chutar uma bola imaginária, na linha do pênalti, para um goleiro virtual.
Na outra sala, “Sem Camisa”, fotos analógicas assinadas pelo mineiro Eustáquio e por Iezu estarão impressas em adesivos sobre 11 totens de acrílico de 1,85m, que acendem como jogadores iluminados em um espaço escuro coberto por grama sintética e pintado de preto. Destaque para o som ambiente, captado durante as partidas nas comunidades que Iezu visitou.

A abertura da mostra é imperdível porque conta com performance de Neguinho da Bola, artista dos semáforos da cidade; uma barraca de consertar bolas; e vários cabeleireiros especializados em fazer cortes à moda dos jogadores. Não dava para esquecer do 1º Campeonato de Barrinha de Pernambuco, que ocorrerá no anfiteatro do espaço.

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