Ascensão meteórica e o sonho olímpico de Carol Santiago

Vivendo primeira temporada como atleta profissional aos 34 anos, recifense analisa conquistas e sonha com Tóquio

Carol ganhou quatro ouros no Parapan e dois ouros e três pratas no Mundial Carol ganhou quatro ouros no Parapan e dois ouros e três pratas no Mundial  - Foto: Lidiane Mota/Folha de Pernambuco

Dezenas de recordes superados, dois ouros e uma prata no Mundial de Natação Paralímpica e quatro vezes marcando presença no lugar mais alto do pódio no Parapan de Lima. Esse é o desempenho da nadadora Maria Carolina Santiago nos grandes eventos internacionais da natação em 2019. Mesmo adotando o esporte paralímpico há pouco mais de um ano, a pernambucana, de 34 anos e forjada no desporto convencional, já apresenta rendimento de alto nível, com resultados expressivos. Não por acaso, foi homenageada na última sexta-feira pela Secretaria de Educação e Esportes do Estado, em resposta ao seu desempenho e, principalmente, à superação para atravessar a transição de atleta amadora para o status profissional.

“É muito significativo, principalmente vindo do meu Estado. Recebi muitas homenagens, mas essa em especial fiz questão de vir. É uma emoção diferente voltar pra casa e dizer ‘olha que medalha nós conquistamos’. Saber que Pernambuco está com a gente nessa é muito gratificante”, celebrou Carol, que recebeu a bandeira do Estado, um certificado a parabenizando pelas conquistas e uma camisa do Time PE, programa local que investe nos atletas e atual único patrocinador da nadadora.

O reconhecimento foi conduzido pelo secretario executivo de esportes de Pernambuco, Diego Pérez. “É uma satisfação enorme. Essas marcas dela dão um estímulo não somente aos atletas do presente, mas, principalmente, aos atletas e paratletas do futuro. A gente conversou muito com ela sobre como é ser melhor do mundo, bater recordes no Parapan. A simplicidade é o que a leva aos resultados positivos, e também deixa de legado às futuras gerações.”

Carolina nasceu portadora da síndrome de Morning Glory, condição que retirou a visão periférica no olho direito e a faz enxergar somente vultos no esquerdo. Ainda assim, ignorou a capacidade reduzida na visão e encontrou na natação uma válvula de escape. Aos 17 anos, porém, foi forçada a parar por conta de um acúmulo de água na retina, lhe tirando por completo a visão por cerca de oito meses. Após a regressão do problema, mesmo sem qualquer tipo de contraindicação , Carol não retornou às piscinas. Esse reencontro só aconteceu quase uma década depois e, logo após voltar a nadar, conheceu a maratona aquática.

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O desporto paralímpico surgiu na vida de Carol ano passado, após um técnico ser apresentada ao Grêmio Náutico União, do Rio Grande do Sul, por intermédio de um amigo. De cara, ela chamou atenção pelos tempos dentro d’água. De lá pra cá, a rotina da pernambucana se transformou, com moradia no Centro de Treinamento Paralímpico, programação de atleta de alto rendimento e presença em pódios nacionais e internacionais.

Segundo Carol, o processo de adaptação no primeiro ano como profissional foi natural, apesar do maior esforço necessário. “Virar atleta profissional é muito bom, porque o que faço melhor é ser nadadora. Então juntei o útil ao agradável nessa situação. Então assim, não teve muita dificuldade, foi natural. Agora, o processo de treinamento é cansativo, doloroso, longo. Na verdade, a competição é ligeira, mas tem toda uma preparação e abdicação de coisas que você deixa de fazer durante o ano”, explicou.

O sucesso da paratleta gera maior visibilidade às modalidades paralímpicas e serve como inspiração para jovens e adultos. Para Carol, é importante mostrar que, apesar de portar uma deficiência, qualquer é capaz de superar barreiras. “Penso que talvez alguém me veja e diga ‘nossa, quero chegar lá’, e isso aí só me dá mais vontade para treinar e dar meu melhor novamente para outras pessoas se espelharem em mim. Além disso, fazer do esporte não somente uma forma de integração, mas também uma maneira para que a deficiência da pessoa apenas seja uma característica dela. Ela também pode competir em alto nível”, afirmou.

O ápice da carreira de Carolina ainda vai acontecer. A oportunidade de disputar as Paralímpiadas de Tóquio não sai da cabeça da pernambucana. “A preparação começou desde o ano passado, quando me foi proposto ser paratleta. Então a gente começou o trabalho para que pudéssemos chegar lá. Eu acredito que antes do próximo mês saem os critérios, e eu estou muito ansiosa. Os treinamentos estão fortes para que tenhamos bons resultados. Todo dia que eu vou treinar está mais perto.”

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