Astro da natação chinesa leva suspensão por oito anos

Sun Yang destruiu a marteladas uma amostra de teste durante controle antidoping fora de competição em 2018

Sun Yang, nadador chinês Sun Yang, nadador chinês  - Foto: Manan Vatsyayana/AFP

Estrela da natação chinesa, Sun Yang foi suspenso por oito anos, nesta sexta-feira (28), pelo Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), por ter destruído com marteladas uma amostra durante um controle antidoping fora de competição, em 2018. Com isso, Sun Yang, de 28 anos, primeiro campeão olímpico chinês de natação - em Londres 2012, nos 400 metros e 1.500 metros -, estará fora dos Jogos de Tóquio 2020. Ainda cabe recurso perante o tribunal federal suíço.

Ele cometeu uma violação do código antidoping, mesmo sem ter usado comprovadamente alguma substância proibida. Em setembro de 2018, o nadador primeiramente se recusou a fazer um teste de urina ao receber agentes antidoping em sua casa. Em seguida, sua mãe ordenou a um segurança que quebrasse o frasco contendo a amostra de sangue do filho.

O caso foi inicialmente analisado pela Fina (Federação Internacional de Esportes Aquáticos), que entendeu que o protocolo da Wada (Agência Mundial Antidoping) não havia sido seguido pelos oficiais e, por isso, determinou que o nadador não havia cometido nenhuma violação – ele foi apenas advertido na ocasião.

A Wada entrou com um recurso na CAS contra a decisão, argumentando que Sun Yang tinha se recusado a ser submetido à coleta de amostras. "Uma coisa é, tendo provido a amostra de sangue, questionar as credenciais dos funcionários enquanto mantém a amostra intacta e em posse das autoridades; outra coisa é, após extensas discussões e avisos quanto às consequências, agir de forma a destruir os resultados e eliminar qualquer possibilidade de teste", analisou a corte.

O órgão entendeu, de forma unânime, que Yang não conseguiu justificar seu comportamento. Ele disse a agência estatal chinesa Xinhua que vai recorrer da decisão. Sua única possibilidade, no entanto, é ir à corte federal da Suíça. Nela, apenas o procedimento de seu julgamento e a proporcionalidade da pena podem ser analisados e reavaliados.

A CAS lembrou que o atleta testou positivo em um exame de junho de 2014 (quando recebeu suspensão de três meses) e que, por isso, o novo gancho deveria ser bem maior, de oito anos. O tribunal ressaltou que os testes feitos antes e imediatamente depois do incidente de junho de 2018 deram negativos e que, uma vez que não há indícios de que ele tenha ingerido alguma substância proibida desde então, seus resultados esportivos serão mantidos.

Durante o Mundial da Coreia do Sul, disputado no ano passado e em que Yang foi medalhista de ouro nas provas de 200 metros e 400 metros nado livre (ele soma ao todo 16 medalhas em mundiais), dois atletas se recusaram a cumprimentá-lo e tirar foto ao seu lado no pódio.

O chinês já se envolveu em várias polêmicas dentro e fora das piscinas. Em uma delas, durante o Mundial de Kazan, em 2015, colidiu com a brasileira Larissa Oliveira, com quem dividia raia de aquecimento. Segundo o técnico Alberto Pinto da Silva, ele teria puxado o pé e passado por cima da atleta. Larissa reagiu e houve discussões com outros técnicos brasileiros. Uma multidão se aglomerou e protestou contra o nadador. Pouco depois, integrantes da delegação asiática pediram desculpas.

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