Atletas da Uninassau Basquete resgatam parceria de velhos tempos

Amigas de longa data, paulistas Tássia e Tati Pacheco celebram reencontro no Recife após anos atuando como adversárias

Basquete volta a unir as atletas, que iniciaram as carreiras juntas, em São PauloBasquete volta a unir as atletas, que iniciaram as carreiras juntas, em São Paulo - Foto: Rafael Furtado

Tássia Carcavalli, ala-armadora de 24 anos, e Tatiane Pacheco, ala de 26, têm mais em comum do que o uniforme que vestirão na temporada 2016/ 2017 da Liga de Basquete Feminino. Atletas da Uninassau Basquete, as paulistas percorreram os primeiros anos de suas carreiras juntas, em escolinhas e times de São Paulo. Há pelo menos cinco anos, contudo, se não fosse com a seleção, encontravam-se apenas na condição de adversárias. Nesta Liga, que tem início marcado para o dia 15 de dezembro, elas poderão relembrar os velhos tempos de parceria em quadra.

Tati está na Cidade desde 2013, sendo vice da LBF e campeã sul-americana de clubes pelo Sport Club do Recife. Também por aqui, vestiu a camisa do extinto Uninassau/América, nas últimas duas temporadas. Tássia, por sua vez, está cortando o cordão umbilical com São Paulo, onde morou a vida toda, ao lado da família. É a primeira vez que jogará por um time de fora do seu estado natal.

O reencontro trouxe à tona recordações saudosas e histórias engraçadas vividas pelas meninas, que começaram a jogar em épocas diferentes, mas se tornaram parceiras. Mais velha, Tati entrou no basquete aos dez anos. Naquele tempo, o sonho maior era aprender a nadar, mas o horário das escolinhas de basquete e de natação eram os mesmos.

Era preciso escolher um, e a timidez, marca registrada de Tati até os dias de hoje, foi decisiva. “As escolinhas eram em trajetos opostos e eu tinha de escolher para onde iria. Aí preferi o basquete, porque fiquei com vergonha do maiô”, conta ela, que lançou as primeiras bolas à cesta na turma inaugural da escolinha do Círculo Militar de São Paulo.

Nessa época, Tássia fazia gi­nástica olímpica perto de ca­­sa e ia para o Círculo Militar as­sistir aos treinos da irmã mais velha. Não demorou, en­tretanto, a sentir vontade de também entrar em quadra, ainda aos seis anos. Começou, então, a praticar as duas modalidades paralelamente, até que o ritmo puxado fez com que ela tivesse de escolher a­penas uma, optando pela bo­la laranja. Elas passaram três anos na escolinha, sob o comando da técnica Kátia de A­raújo, que migrou para o CFE Janeth Arcain e levou as meninas consigo. Foram dois anos de trabalho na nova casa até chegar o momento de ma­is uma mudança. Kátia, Tás­sia e Tati passaram a defen­der o E.C. Pinheiros, clube no qual passaram uma temporada, e depois seguiram pa­ra o Americana, onde trabalharam juntas por mais um ano.

“Para onde ela (Kátia) ia, levava a gente. E, até hoje, so­mos próximas”, conta Tássia. Encerrada a temporada no Americana, Tássia continuou na equipe, nas categorias de base, e Tati foi para o Jundiaí. “Nos reencontramos depois, na seleção, mas, na maioria das vezes, fomos adversárias”, recorda Tássia, que comemora o fato de ter uma amiga próxima na Uninassau Basquete. “É sempre bom conhecer alguém quando você chega a um time no­vo, facilita a integração. Ain­da mais sendo Tati, de quem eu gosto muito e que conheço há bastante tempo”, comple­ta. “Tás­sia era o nosso mascotinho nas categorias de base, porque era a mais novinha. Fico feliz por tê-la no nos­so time, sempre gostei de jo­gar com ela”, corresponde Tati.

Tímidas, elas assumem que nos anos em que estiveram distantes, a comunicação não era das melhores. “Não so­mos muito de falar ao telefone, mas quando nos encontramos, é como se tivéssemos nos visto ontem”, conta Tati. A vinda de Tássia ao Recife permitiu que elas matassem a saudade e coloquem os papos em dia. Assunto não falta. Dos tempos em que estiveram separadas e também sobre as recordações do que viveram quando jogavam juntas. “Na época do Americana, lembro que organizamos uma festa surpresa pelos 15 anos de Tássia. Fechamos a parte interna da república para arrumar tudo e, quando ela e as demais meninas chegaram, foram abordadas por três assaltantes, com arma. Levaram nossos doces, refrige­rantes e celulares”, lembra Tati, que conseguiu se es­conder e chamar a polícia. “Depois que passou, rimos muito, mas na hora deu muito medo. Acabou com a festa”, completa Tássia.

 

 

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