Atletas se viram para não ficar "zerados" na quarentena

Pernambucanos fazem o que podem para manter ritmo, mas citam prejuízos por paralisação no esporte

Priscila Oliveira, do pentatlo, tem conseguido correr, praticar tiros e manter físico na base do improvisoPriscila Oliveira, do pentatlo, tem conseguido correr, praticar tiros e manter físico na base do improviso - Foto: Cortesia

Já faz pouco mais de um mês desde que as atividades esportivas foram paralisadas no Brasil, uma consequência da propagação do novo coronavírus. De lá para cá, atletas e paratletas de diversas modalidades vêm tentando manter a forma, cada a um ao seu modo, para não ficar para trás no retorno das competições, mesmo diante de tantas incertezas. A Folha de Pernambuco abordou com esportistas do Estado sobre como eles vêm fazendo para se virar longe de seus locais de treino em meio ao período de confinamento imposto pela pandemia da Covid-19.

"Venho fazendo treinos de isometria todos os dias. Antes, também vinha realizando atividades aeróbicas sozinho na praia, em dias alternados. A nossa parte física será bastante afetada, e esses tipos de exercícios são apenas para não zerar a condição", afirmou Fernando DDI, campeão mundial de beach soccer com a seleção brasileira.

Responsável pelo Instituto Geração 4, que tem o intuito de promover o desenvolvimento social, educacional e cultural de jovens através do esporte, DDI afirma que, apesar do isolamento social, mantém os ensinamentos aos 200 alunos de forma online. "Tem sido uma nova experiência, pois transformamos as atividades presenciais em aulas online, além de acompanhamento psicológico. Estamos sempre monitorando eles de uma forma ou de outra", afirmou.

Prestes a ser pai, o defensor mostrou preocupação diante das incertezas causadas pela pandemia do novo coronavírus. "Estamos bem atentos e nos preparando para a chegada do nosso filho, na medida do possível. Queremos que ocorra tudo bem e seja dentro da mais perfeita segurança para continuarmos saudáveis."

Para a pentatleta Priscila Oliveira, manter os treinos em dia no pentatlo moderno é ainda mais complicado, afinal, são cinco modalidades (hipismo, esgrima, natação, tiro esportivo e corrida) para se preocupar. Sem poder montar e nadar, a pernambucana vem se virando como pode em sua residência. "Pelo fato de o quintal de casa ser grande, consigo praticar tiros sem problemas, e se forçar um pouquinho dá para correr. Também mantenho a preparação física improvisando objetos do nosso dia a dia", relatou.

A sucessora de Yane Marques, que briga por vaga nos Jogos de Tóquio, lamentou a suspensão das competições, mas segue confiante em representar o Brasil no Japão, no próximo ano, apesar da grande concorrência. "Estou em casa desde o dia 19 de março, quando parei de treinar fora. Tinha viagens para competir em mais três etapas da Copa do Mundo, além de dois Opens e o Campeonato Mundial. Assim como a Olimpíada, todas foram canceladas, e espero que sejam realizadas no segundo semestre. Elas (competições) são critérios para garantir vaga nos Jogos. Por ser a última maneira de conquistar a vaga, é um método (Campeonato Mundial) um pouco mais difícil, pois reúne competidoras de mais de 30 países, mas sigo confiando que posso conseguir estar presente em Tóquio em 2021", contou a pentatleta de 31 anos.

Medalhista de ouro e de bronze no dardo em sua estreia nos Jogos Parapan-Americanos do ano passado, em Lima, no Peru, Sandro Varelo também vem sofrendo para realizar seus treinamentos. Segundo o atleta, usar a imaginação tem sido uma forma de manter a rotina, que antes era dividida entre campo e academia.

"De segunda e quarta é mais puxado. Faço três tempos de 1h45 minutos treinando. Nos demais dias, são dois tempos apenas. Mesmo com muita criatividade, não é a mesma coisa de estar no campo ou na academia. Em casa, estou realizando atividades de força com garrafas pet, bombonas de água mineral e elásticos. Já na parte técnica, tenho aderido à bola de tênis, além de simular lançamentos do implemento adaptado", explicou Varelo.

O especialista em dardo, hoje com 38 anos, ainda falou que a maior dificuldade neste período de isolamento tem sido manter a dieta. "Agora, a dieta está ainda mais rigorosa. Estou ingerindo apenas o que preciso para me ajudar no arremesso de peso. Não estou passando fome, mas posso te falar que estou com vontade de desviar o caminho", afirmou aos risos.

Acostumado a um ritmo de 10 a 14 treinos semanais, o nadador paralímpico Phelipe Rodrigues disse que passou por dificuldades nas primeiras semanas de quarentena. Dono de sete ouros e um bronze em Lima, no Parapan do ano passado, o recifense afirmou que, por causa da insônia, estava indo dormir ao raiar do dia.

"Por causa da insônia, cheguei a ir dormir 5h da manhã na primeira semana de isolamento. Na segunda semana, melhorei um pouco, mas tentava sempre acordar mais cedo. No máximo 9h já estava de pé. A partir de então, evitava cochilar ao longo do dia, para ficar cansado e poder dormir bem à noite", ressaltou.

Ele, que mora em São Paulo preferiu deixar os pais na casa de familiares na Paraíba, com medo da pandemia do coronavírus. O estado localizado no Sudeste é o principal epicentro da doença no País. "É difícil estar longe, mas olho pelo bem maior. Lá, sei que eles estão mais seguros. Tenho receio deles virem para cá, e no caminho acabarem contraindo a doença."

Veja também

Sabino é regularizado e fica à disposição de Louzer para partida contra o Retrô
Sport

Sabino é regularizado e fica à disposição de Louzer para partida contra o Retrô

Sport tem acordo encaminhado com Corinthians para a contratação de Everaldo
Futebol

Sport tem acordo encaminhado com Corinthians para a contratação de Everaldo