Aviões da FAB chegam à Colômbia para traslado de mortos em voo

O voo que transportava a delegação da Chapecoense para a Colômbia caiu na última terça (29), matando 71 pessoas

Deputado Aluísio Lessa (PSB) participou das articulações junto à SARA e prestigiou a entrega dos títulosDeputado Aluísio Lessa (PSB) participou das articulações junto à SARA e prestigiou a entrega dos títulos - Foto: Divulgação

Os três aviões Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB) chegaram no final da tarde desta sexta-feira (2) à base de Rionegro, na Colômbia, próximo à cidade de Medellín. As aeronaves farão o traslado dos mortos do Brasil no voo com a equipe da Chapecoense. Às 16h no local (19h, de Brasília) terá início o transporte de 50 vítimas fatais brasileiras. No mesmo horário devem decolar, em voos privados, para o Brasil os corpos dos 14 jornalistas que também estavam no voo para cobrir a final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional.

O voo que transportava a delegação da Chapecoense para a Colômbia caiu na última terça (29), matando 71 pessoas. A suspeita da causa do acidente é que a aeronave operada pela companhia boliviana LaMia ficou sem combustível. "O que mais queremos agora é voltar para casa, levar para nossa casa os nossos amigos e irmãos, porque a espera é a pior coisa que existe", disse, mais cedo, Roberto Di Marche, primo do dirigente Nilson Folle Júnior, que morreu na tragédia.

O corpo de paraguaio Gustavo Encina, tripulante da aeronave, foi o primeiro a deixar a Colômbia na quinta (1), em um voo comercial da Avianca. Às 8h, horário local, (11h, de Brasília) decolou outro voo comercial da Avianca com o corpo do venezuelano Angél Lugo.

O processo do traslado dos restos mortais das vítimas foi mais rápido que o comum, já que governos de Brasil, Bolívia, Paraguai e Venezuela trabalharam conjuntamente para agilizar a documentação de repatriação dos corpos. Agências funerárias colombianas cederam espaço para acomodar os corpos enquanto não eram decididos os detalhes do traslado. Além disso, prestaram assistência aos familiares que viajaram a Medellín para acompanhar as vítimas do acidente.

VELÓRIO

Os cadáveres dos 71 mortos foram preparados para a repatriação por quatro funerárias de Medellín durante quase dois dias. A cidade de Chapecó, em Santa Catarina, se prepara para um grande velório na Arena Condá, previsto para este sábado (3). O local tem capacidade para 19 mil espectadores. O clube vai instalar telões nas proximidades do estádio porque as autoridades calculam a presença de quase 100 mil pessoas no funeral.

Os corpos serão levados de Medellín para Rionegro, onde estão internados em diferentes clínicas os seis sobreviventes da tragédia, em 35 carros fúnebres. "Fizemos um grande esforço para que em breve estejam com suas famílias", afirmou Juan Tavera, gerente de uma das funerárias responsáveis por preparar os corpos.
Uma missa organizada pela Funerária San Vicente, a principal de Medellín, foi celebrada nesta quinta (1) em homenagem aos mortos. Parentes das vítimas compareceram à cerimônia. As autoridades colombianas, em coordenação com especialistas estrangeiros, prosseguem com a investigação, que aponta para a falta de combustível da aeronave. Mas as conclusões finais podem demorar até seis meses.

PLANO DE VOO

Nesta quinta (1°), o governo boliviano suspendeu a licença da companhia LaMia e destituiu altos funcionários do setor de controle aéreo do país. O representante da empresa, Gustavo Vargas, afirmou que a aeronave não cumpriu o plano de reabastecimento em Cobija, cidade boliviana na fronteira com o Brasil, ou em Bogotá.

O avião da Chapecoense não poderia ter decolado da Bolívia em direção à Colômbia, segundo as regras aeronáuticas. O plano de voo era falho e considerado "absurdo" por especialistas em aviação. E a liberação para a partida da aeronave abriu uma crise na Bolívia, que decidiu afastar os executivos dos dois principais órgãos aéreos do país.

O documento do plano de voo do avião da empresa LaMia foi revelado pelo jornal boliviano "El Deber". O piloto assinou um planejamento da viagem sem nenhuma margem extra de combustível para situações de imprevistos, como ocorreu na aproximação da cidade de Medellín.

O plano apontava que a aeronave tinha capacidade de voar por 4 horas e 22 minutos –tempo exato do deslocamento previsto entre Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e Medellín. E ele não considerava escalas para abastecimento no meio do trajeto.
A principal hipótese para a tragédia é que a aeronave tenha ficado sem combustível após ser orientada a voar em círculos devido ao tráfego aéreo em Medellín.

A decolagem de uma aeronave nessas condições foi considerada esdrúxula por pilotos ouvidos pela Folha de S.Paulo –mais do que simples erro, uma irresponsabilidade. "Ele não teve nem trabalho de mentir no plano de voo", disse um oficial de alta patente da Aeronáutica brasileira.

O acidente cortou as aspirações da modesta Chapecoense, clube fundado há 43 anos e que teve uma ascensão meteórica desde 2009, subindo da Série D do futebol brasileiro até a Série A em poucos anos, antes de alcançar a final da Copa Sul-Americana, o segundo torneio mais importante do continente.

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