Barcelona x Manchester City: a guerra dos clones

Guardiola treinou o Barcelona e impôs um estilo de jogo no Barcelona

Daniel Rocha e Rayza Alcântara, atores de "Recife Assombrado"Daniel Rocha e Rayza Alcântara, atores de "Recife Assombrado" - Foto: Divulgação

Com um DNA similar e um genitor em comum, Pep Guardiola, o modelo Barcelona e a cópia Manchester City se enfrentam na Liga dos Campeões nesta quarta-feira no Camp Nou, onde esses dois clones futebolísticos disputaram a bola, a estética e a vitória. Uma mesma ideia une esses dois 'gêmeos' europeus, inspirada nos ideais de Johan Cruyff: roubar a bola, recuperá-la rapidamente e fazê-la circular o mais rápido possível, criando confrontos em campo com vantagem numérica no ataque na base da movimentação dos jogadores.

Basicamente, é o perfeito manual do "Guardiolismo", em vigor no Barça desde a época em que o técnico catalão conquistou duas Ligas dos Campeões (2009 e 2011). Agora, Pep tenta aplicar esses conceitos no City, o que promete um belo confronto em campo nesta quarta-feira. "A maneira de jogar do Barcelona é especial porque é uma máquina", resumiu Guardiola. "Já são dez, quinze anos que eles dominam o futebol com sua maneira de jogar, que eu adoro".

Durante sua era à frente do Bayern de Munique (2013-2016), Pep Guardiola já havia voltado ao Camp Nou em maio de 2015 para disputar uma semifinal da Champions, e o espetáculo foi à altura das expectativas. Na partida, após uma hora de batalha campal pela posse da bola, a estrela do Barça Lionel Messi marcou dois gols, um deles com direito a 'entortada' histórica sobre o zagueiro Jerome Boateng, propulsando o clube catalão treinado por Luis Enrique à final da competição, que acabou conquistando.

Jogar bonito

Diante de seu amigo "Lucho" e contra o clube no qual passou três décadas, "Pep" não falou em vingança, afirmando que "será mais um jogo como os outros". Mas a situação do grupo C não é favorável aos 'Citizens' (2º com 4 pontos), que precisam de um bom resultado no Camp Nou para não deixar o Barcelona (1º com 6 pontos) escapar na liderança.

A adaptação do clube inglês ao jogo 'catalão' vem demorando para se aperfeiçoar: impressionante no início da temporada, com 100% de aproveitamento nos primeiros dez jogos sob comando de Pep, o atual líder do Campeonato Inglês vem de três jogos seguidos sem vitória em todas as competições.

No último sábado, empatou em casa com o Everton (1-1), com dois pênaltis desperdiçados por Kevin De Bruyne e Sergio Agüero. Mesmo assim, Guardiola acredita no projeto e pede paciência. "Nesta temporada, para ser campeão, preciso que minha equipe tenha a posse de bola. Podemos perder com a posse de bola, mas temos mais chances de perder sem a posse de bola", havia explicado em outubro.

Para isso, o City terá que conseguir tirar a bola dos pés do Barça, que pôde comemorar no fim de semana a volta de Messi, recuperado de lesão e autor de um gol na vitória por 4 a 0 sobre o La Coruña. O trio 'MSN' (Messi-Suárez-Neymar), com força total, espera mostrar que é capaz de continuar sendo o exemplo do jogo bonito na Europa. "São três jogadores incríveis no ataque", reconheceu Guardiola. "Eles são incríveis no contra-ataque, são bons na construção das jogadas, então formam uma grande equipe".

Jogo de xadrez


No âmbito europeu, porém, há um mundo que separa o venerado clube catalão, cinco vezes campeão da Champions (quatro desde 2006), do irmão mais novo City, semifinalista na última temporada, mas que nunca ergueu a 'Taça Orelhuda'. O Barça, invicto em casa em 2013, se acostumou a historicamente levar a melhor sobre o Manchester City, eliminando o clube inglês nas oitavas de final da Champions em 2014 (2-0, 2-1) e 2015 (2-1, 1-0).

Mas, aos poucos, o City se 'Barceloniza': não satisfeito em contar com ex-dirigentes do clube catalão (Ferran Soriano, Txiki Begiristain), foi buscar Guardiola, arquiteto do esquema de jogo do Barça. "Jogaremos uma partida muito atrativa contra um adversário que está sempre progredindo e que sabemos que vai continuar progredindo quando conhecemos a identidade do técnico", elogiou Luis Enrique. O técnico do Barça sabe que pode esperar uma intensa partida de xadrez. "Quando vejo o City, eles têm muitas variantes e é difícil saber o que vão fazer", analisou. Em resposta, o Barcelona poderá usar a formação 3-4-3, que deu certo no sábado, sinal de que esses dois gêmeos farão de tudo para se distinguir um do outro nesta verdadeira batalha fratricida.

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