Base do Santa Cruz ressurge das cinzas

Boa participação na Copinha evidencia reposicionamento do Tricolor, que retoma status de vitrine

Desempenho do Santa na Copinha atraiu a atenção do mercado Desempenho do Santa na Copinha atraiu a atenção do mercado  - Foto: Cristiano Fukuyama/Divulgação

Plantar no presente para colher no futuro. Valorizado, o Santa Cruz volta a figurar no mercado sob o status de clube vitrine, após quase dois anos esbarrando em entraves estruturais. Ainda que um ponto final não tenha sido colocado nessas limitações, o aceno positivo de clubes para as categorias de base do Tricolor, especialmente após boa campanha na Copa São Paulo e a recente conquista da Copa Pernambuco, coloca a Cobra Coral em novo patamar. Dessa vez, sob um cenário ainda mais favorável.

De jovens promessas a jogadores disputados no futebol nacional. Somente na levada passada, quando disputou a Série C do Campeonato Brasileiro pelo segundo ano seguido, o Santa Cruz conseguiu exportar quatro atletas provenientes da base. Um deles é Walisson Pequeno, que chegou a treinar com o profissional, mas não atuou em nenhuma partida. Ele rescindiu o contrato com o clube, em março do ano passado, alegando dívidas do Tricolor e assinou com o Goiás, onde hoje integra o Sub-23. A despedida unilateral gerou contratempos, porém não impediu que a Cobra Coral alinhasse posse de 35% dos direitos econômicos do meia-atacante.

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Parte da mesma safra, Elias Carioca, por outro lado, subiu ao profissional ao se destacar com a camisa coral no Brasileiro de Aspirantes. Sob o olhar do então técnico Leston Júnior, o garoto de 20 anos foi bem no início da temporada, mas, posteriormente, caiu de rendimento. O talento do atacante, no entanto, não passou batido e o Santa Cruz foi exitoso ao vender o jogador ao Athletico-PR, em setembro, por pouco mais de R$ 1,6 milhão - o Tricolor ficou com R$ 900 mil bruto. O atleta participou de 28 jogos e marcou cinco gols pela Cobra Coral.

Ainda na mesma linhagem, o zagueiro João Victor, que disputou 32 partidas com um tento anotado pelo clube coral, assinou com o Vitória por cinco temporadas, depois de ter sido emprestado ao rubro-negro baiano na metade do segundo semestre. O Santa Cruz negociou 50% dos direitos econômicos do jogador por R$ 800 mil, em pagamento parcelado. Mais recentemente, apesar de ainda não ser oficializado pelo Tricolor, o lateral-direito Warley fechou com o Botafogo-RJ. O clube pernambucano ficará com 40% dos direitos do atleta.

Como uma sequência do trabalho impulsionado no ano passado, o Santa Cruz apresentou em seu elenco, nas categorias inferiores, atletas que hoje começam a ser reconhecidos. O goleiro Rockenedy, dono das luvas que garantiram a Cobra Coral na terceira fase da Copinha, após defender dois pênaltis contra o Operário; a dupla de zaga Júnior e Igor, o volante André, o meia-atacante Felipe Cabeleira, que já foi integrado ao elenco profissional, e os atacantes Felipe Almeida e João Cardoso. Todos cotados para jogar pelo time principal nesta temporada. Alguns deles, inclusive, já receberam propostas de times do Sul e Sudeste do Brasil.

“Quando a gente faz um trabalho com calma, seriedade, com muita paixão e amor, as coisas saem de acordo com o que convém. Na Copa São Paulo, chegaram propostas para vários jogadores. Tem algumas coisas em negociações e quem se destacou vai compor o elenco profissional”, disse o diretor das categorias de base do Santa, Rogério Guedes. Para o diretor, nesse sentido, a Cobra Coral conseguiu se reposicionar no mercado do futebol. “O Santa volta ao cenário de ser um clube formador, que está revelando. O Santa passou muito tempo para poder fazer uma negociação. Para quase metade do time titular chegou proposta, clubes chegando, querendo fazer parceria”, concluiu.

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