Esportes

Basquete brasileiro vê cenário mais difícil após adiamento olímpico

Remarcação dos Jogos de Tóquio para 2021 deve forçar seleção masculina a tentar vaga com elenco ainda veterano

Leandrinho em ação pelo BrasilLeandrinho em ação pelo Brasil - Foto: AFP

O basquete brasileiro apresenta um cenário preocupante que já se arrasta há anos. Uma das provas que atentam tal afirmação envolve o time feminino do Brasil, ausente pela primeira vez dos Jogos Olímpicos desde a edição de 1988. O esquadrão masculino, por outro lado, embalou uma sequência de duas Olimpíadas seguidas (2012 e 2016). Para estar na próxima edição, porém, os brasileiros terão que ralar. A última vez que o maior evento esportivo do planeta não contou com a seleção brasileira em nenhum dos naipes da modalidade foi em 1976. Um período que antecedeu a chegada dos ídolos Oscar Schmidt, Magic Paula e Hortência.

Com a seleção feminina fora das Olimpíadas, resta ao esquadrão masculino a responsabilidade de levar a bandeira brasileira à competição. O caminho para isso acontecer, no entanto, se tornou ainda mais difícil após a pandemia da Covid-19. Isso porque os Jogos foram adiados para o próximo ano, assim como o Pré-Olímpico, que seria disputado pelos comandados de Aleksandar Petrovic. A competição ocorreria em junho deste ano foi remarcada para acontecer entre 22 de junho e 04 de julho de 2021, o novo ano dos Jogos de Tóquio. As novas datas, porém, ainda precisam ser chanceladas pelo Comitê Olímpico Internacional.

O grupo do Brasil contará com Croácia e Tunísia. As duas melhores equipes avançam e enfrentam os dois melhores da chave formada por Rússia, Alemanha e México. A vaga para os Jogos Olímpicos, no entanto, só será destinada ao primeiro colocado da chave. Além do nível dos jogos que tende a ser dificílimo, os grandes destaques brasileiros já são veteranos e, com a competição sendo disputada apenas no próximo ano, estarão ainda mais velhos.

A Copa do Mundo de Basquete, disputada em 2019, foi a última competição que Petrovic contou com os principais nomes brasileiros. A participação teve altos e baixos, mas os grandes destaques foram os mesmos que nos acostumamos a acompanhar nos últimos 10 anos. No Pré-Olímpico, todos chegarão com pelo menos 36 anos e a dúvida sobre como esses atletas estarão é latente. Anderson Varejão (37), Leandrinho (37), Alex Garcia (40), Marcelinho Huertas (36) e Marquinhos (35) continuam sendo os pilares de uma seleção já envelhecida e com falta de renovação.

Além de tudo isso, a pandemia do novo coronavírus os afastou das quadras e ainda não se pode contabilizar o quanto isso vai prejudicar a preparação dos atletas, principalmente quando levamos em conta a idade deles. É difícil imaginar que os veteranos abandonem o barco da seleção, mas também é possível afirmar que eles estavam se preparando para disputar o Pré-Olímpico neste ano. Prolongar seu planejamento por mais uma temporada pode não estar nos planos de um ou dois atletas destes citados.

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Petrovic, no entanto, pode tentar observar o copo meio cheio. Yago (20), Didi (20) e Bruno Caboclo (23) estiveram no elenco do Mundial e, por ainda serem atletas jovens, têm perspectiva de evoluir e chegarem mais prontos para o Pré-Olímpico. Dos três, Didi é quem mais empolgou no pós-Copa do Mundo. O ala foi draftado pelo New Orleans Pelicans, mas seguiu para jogar na Austrália, onde vem fazendo um bom campeonato. Louzada, inclusive, conseguiu levar o Sidney Kings à final, mas a decisão não aconteceu devido à pandemia.

Outros nomes que não são nem veteranos nem jovens precisam ser o equilíbrio da equipe, assim como foram no Mundial. São eles Rafael Luz (28) e Vítor Benite (30). A grande decepção da Copa do Mundo, Cristiano Felício (27), tem qualidade, segue na NBA e precisa melhorar seu jogo com o selecionado nacional.

Se a missão de Petrovic já era difícil, essa consequência do coronavírus dificultou ainda mais o projeto do treinador. Os próximos passos ainda são incertos e o que resta é acreditar que a experiência dos principais jogadores se aliarão a uma melhora considerável do núcleo jovem brasileiro.

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