Bolt perde ouro olímpico, e Brasil pode herdar bronze

O CAS rejeitou a apelação de Nesta Carter em julgamento sobre doping e retirou da Jamaica a vitória no revezamento 4x100 nos Jogos de Pequim, em 2008

Usain Bolt, lenda do atletismo mundialUsain Bolt, lenda do atletismo mundial - Foto: Gabriel Bouys/ AFP

O legado olímpico de Usain Bolt ficou um pouco menos reluzente, graças a uma decisão anunciada pela Corte Arbitral do Esporte (CAS) nesta quinta-feira (31). O órgão rejeitou a apelação de Nesta Carter em julgamento sobre doping e retirou da equipe da Jamaica a vitória no revezamento 4x100 metros nos Jogos de Pequim, em 2008.

Desta forma, o currículo de Bolt agora apresenta oito ouros olímpicos, com a perda da vitória na China há dez anos.

Por sua vez, a decisão pode honrar o desempenho do time brasileiro, que terminou a prova de 2008 em quarto lugar e agora pode herdar o bronze.

Com a anulação da corrida jamaicana, o ouro do revezamento em Pequim fica com a equipe masculina de Trinidad e Tobago. Por sua vez, o Comitê Olímpico Internacional (COI) deve confirmar que o Japão herda a prata e o time do Brasil fica com o bronze. Na oportunidade, o quarteto brasileiro era formado por Vicente Lenílson, Sandro Viana, Bruno Lins e José Carlos Moreira.

Para a realocação das medalhas acontecer, no entanto, os comitês olímpicos de cada país envolvido precisam cumprir um trâmite legal, recorrendo junto ao COI.

"A realocação das medalhas não é automática e é feito caso a caso. Como regra geral, entretanto, ela é feita quando os atletas ou equipes sancionadas têm esgotados todos os meios de apelação e os procedimentos são fechados. O COI segue a situação com os Comitês Olímpicos Nacionais, que então notificam os atletas para os quais as medalhas serão realocadas", informou o COI após consulta feita pelo UOL em janeiro de 2017.

Carter foi pego num exame antidoping, com a revelação de uso de um estimulante proibido pelas agências reguladoras. A metilhexanamina foi identificada na reanálise das amostras de urina coletadas em Pequim, o que causou a desclassificação tardia dos jamaicanos, que haviam registrado o tempo de 37s10, recorde mundial.

Anteriormente, o COI retirou a medalha do velocista e de toda a equipe que disputou a prova, mas, em fevereiro de 2017, Carter decidiu apresentar um recurso à Corte Arbitral, que agora foi negado.

A nota emitida pela CAS nesta quinta-feira diz que o órgão "não pode aceitar nenhum dos argumentos levantados por Nesta Carter de que os resultados do exame deviam ser ignorados pelo Comitê Olímpico Internacional em sua decisão disciplinar".

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Em 2008, Carter foi o primeiro jamaicano a correr na final dos 4x100 metros, quando Bolt ganhou a primeira de suas nove medalhas de ouro (que agora viram oito). Em Pequim, o astro também venceu nos 100 m e 200 m -repetindo a trinca vitoriosa nos Jogos de 2012 em Londres e nos Jogos do Rio em 2016.

Revolta

Em 2017, a reportagem ouviu Vicente Lenílson sobre a possibilidade de herdar o bronze olímpico de Pequim, em caso da confirmação da pena ao time jamaicano. Na oportunidade, o atleta brasileiro manifestou que a justiça estava chegando tarde.

"Eu era atleta da Rede Atletismo naquela época e se o doping tivesse ocorrido dentro da competição (só foi comprovado após reanálise da urina de Carter), teria ganho a medalha lá em Pequim mesmo. E o meu clube dava R$ 1 milhão para cada atleta independentemente da cor da medalha. A sensação é de alegria, mas também de frustração, né? Eu perdi R$ 1 milhão. E agora, como fica?", disse Lenílson.

 

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