Esportes

Bom humor e conhecimento para transformar realidade

Eduardo Sena procura ser um agente educador: "Não adianta somente ficar irritado com o preconceito"

Alice do Monte, torcedora do NáuticoAlice do Monte, torcedora do Náutico - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Eduardo usa o bom humor. Alice procura se sobressair com os conhecimentos sobre futebol. Cada qual com sua arma, o rubro-negro e a alvirrubra são exemplos de homossexuais que não escondem sua orientação nos estádios, lutando para desconstruir preconceitos.

"Quando você entra em uma estrutura heteronormativista, a tendência é que você negocie com esse mundo. Mas eu não deixo de ser quem sou. Já aconteceu de um jogador do meu lado perder o gol e o cara falar: 'só podia ser frango'. Virei e disse: 'eu não perderia um gol assim'. Fico incomodado com gritos de 'bicha' mesmo não sendo diretamente para mim. Dessa forma, até em brincadeira, eu acabo me posicionando na tentativa de fazer a pessoa rever a opinião”, afirmou o jornalista Eduardo Sena, de 29 anos.

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Para o torcedor do Sport, é necessária uma participação mais efetiva dos clubes no combate à homofobia. "Já ouvi dizer que gay só pisa em estádio para ver show de cantora. Outros falam que a gente pode torcer, mas não pode jogar. Não é bem assim. Eu procuro ser um agente educador. Não adianta somente ficar irritado com o preconceito”, argumentou.

A resistência de alguns torcedores não é apenas em relação à presença de gays nos estádios. Lésbicas também precisam driblar um preconceito duplo: o da orientação sexual e do gênero. "A presença da mulher já incomoda. E se for LGBT, aí é bem mais. Alguns acham que somos 'bibelôs', para enfeitar a arquibancada ou acompanhar algum homem ", disse a estudante Alice do Monte, de 22 anos.

Ainda assim, a alvirrubra aponta um detalhe. "Acho que os gays sofrem mais do que nós porque algumas pessoas nos enxergam com uma visão masculina. Infelizmente isso faz parte de um estereótipo de gênero criado. O estádio, para algumas pessoas, é um local para demonstrar virilidade da forma mais animalesca possível”, lamentou.

"O esporte não era para ser ambiente de preconceito, mas de amor. Quando vou com a minha namorada, eu percebo os olhares diferentes. Seja em um abraço ou em simplesmente pegar a mão. Muitos amigos meus LGBTs não gostam de futebol por conta desse clima hostil. Sem falar nos gritos homofóbicos que ferem a nossa existência. É preciso uma manifestação maior dos clubes e das federações. Nossa presença ainda incomoda muito, dentro e fora dos estádios.”

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