Brasil atrai estrelas, mas tendência prospera?

Especialistas analisam se contratações de nomes consagrados do futebol é algo pontual ou afirmação do mercado nacional

Daniel Alves é a principal contratação do futebol brasileiroDaniel Alves é a principal contratação do futebol brasileiro - Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

O mercado de transferências do futebol brasileiro anda mais movimentado do que de costume. Somente nos últimos meses vimos desembarcar por aqui nomes de alto gabarito, como os laterais-direitos Daniel Alves e o espanhol Juanfran, novos reforços do São Paulo. O Palmeiras repatriou os atacantes Luiz Adriano (veio da Rússia) e Henrique Dourado (estava na China). Além deles, o Flamengo também trouxe o lateral-esquerdo Filipe Luís, o lateral-direito Rafinha, o zagueiro espanhol Pablo Marí, sem falar no técnico português Jorge Jesus. Tratam-se de profissionais com mercado na Europa ou no endinheirado cenário asiático, mas que vieram para o Brasil. Seria uma afirmação de maior atratividade do mercado nacional ou algo apenas pontual? Para especialistas, é mais fácil apostar na segunda hipótese, embora não se ignore completamente a possibilidade de o panorama se prolongar nos próximos anos.

Segundo Leonardo Bertozzi, jornalista e comentarista dos canais ESPN, as situações das equipes são distintas. "Cada caso tem um motivo. O do Flamengo, por exemplo, com Filipe Luís, Rafinha, Jorge Jesus, é uma demonstração clara do poderio financeiro do clube e, sobretudo, de segurança de que isso vá se manter no médio prazo. O cara vem sabendo que o Flamengo vai ser competitivo, vai brigar por títulos... Isso é uma atração. O próprio Jesus disse isso quando veio, de que poderia ganhar todos os títulos possíveis", afirma. "O caso de Daniel Alves é um desejo dele de algum tempo, de que gostaria de vir ao Brasil, de jogar no São Paulo, e isso coincidiu com a proposta do São Paulo, de ser um contrato longo, até 2022, porque na Europa não é comum que jogadores com 30 e alguns anos tenham um contrato longo, então casou essa vontade dele com a possibilidade de um contrato longo", ressalta.

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Para Bertozzi, no entanto, há uma diferença entre o atual momento e o de 2012, quando jogadores de carreira na Europa vieram para o Brasil, ainda que não desperte tanto entusiasmo. "Jogadores voltando para o Brasil depois de uma carreira na Europa não chega a ser exatamente uma novidade. O caso do Juanfran no São Paulo é uma experiência interessante, porque é raro que jogadores europeus, mesmo em um estágio avançado de suas carreiras, venham para o Brasil. Acho que é um sinal de possível crescente prestígio da Liga. Isso é bastante positivo e se um deles tiver um certo sucesso é possível que outros se interessem e possam vir. Embora isso já tenha acontecido em outros momentos, como em 2012, quando o Botafogo trouxe o Seedorf, o Internacional trouxe Forlán. Discutimos se aquilo seria uma tendência, se era o começo de algo. E na verdade não foi. Então a gente precisa ter cuidado", aponta

De acordo com o consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi, Flamengo e Palmeiras são pontos fora da curva no cenário nacional. "Esses jogadores estão em 'menos fim de carreira' do que Seedorf ou Ronaldo quando voltaram. Essas contratações na minha opinião estão muito ligadas a premiações, como as da Copa do Brasil, Brasileirão e Libertadores, e aí começa a valer a pena. Claro que nada comparado a uma Champions League", destaca. "Outra questão é a TV (verbas de transmissão), com os contratos renovados, o que deixa o clube com estabilidade. O Palmeiras tem a Crefisa ajudando, mas o Flamengo é que está fazendo a diferença. O São Paulo chamou atenção com Daniel Alves, mas não tem essa capacidade financeira e está dando um passo grande em busca de resolver o problema de títulos, mas não está no mesmo patamar do Flamengo. É um investimento grande, de 12 milhões de euros. Acho um pouco exagerado", analisa.

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