Brasil chega afinado para o Mundial de basquete

Seleção começa Copa do Mundo calibrada após período de preparação e sonha em reviver tempos de glória

Atleta do Chicaco Bulls, Felício é um dos destaques da seleçãoAtleta do Chicaco Bulls, Felício é um dos destaques da seleção - Foto: CBB/Divulgação

A seleção brasileira masculina de basquete inicia na Copa do Mundo da China sonhando em reviver os tempos de glória. Apesar de hoje integrar o segundo escalão de potências da modalidade, a equipe bicampeã mundial (1959 e 1963) chega à competição com boas expectativas. Os comandados do croata Aleksandar Petrovic fizeram uma preparação com boas apresentações diante de países como Argentina, França, China e Montenegro, entre outros. O Brasil faz parte do Grupo F e estreará na competição neste domingo, às 5h contra a Nova Zelândia. Grécia e Montenegro fecham a chave, que classificará duas seleções para a segunda fase do torneio.

Com um time formado por veteranos e novatos, Petrovic levou para a China uma seleção rápida e atlética. Dos 12 selecionados, sete nunca estiveram em uma Copa do Mundo. São eles Yago (20), Didi (20), Bruno Caboclo (23), Benite (29), Rafa Luz (27), Augusto Lima (27) e Cristiano Felício (27). Os três mais novos só disputaram competições eliminatórias para a Copa do Mundo - à exceção de de Caboclo, que também disputou a Copa América. Já os quatro seguintes estiveram presentes nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 e possuem experiência com a camisa do Brasil. Além deles, o treinador chamou os experientes Marcelinho Huertas, Leandrinho, Alex, Marquinhos e Anderson Varejão, que juntos possuem uma média de idade superior a 36 anos.

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A ausência mais relevante da lista foi a do jogador do Philadelphia 76ers, Raulzinho. Principal armador brasileiro, o mineiro de 27 anos não foi selecionado por estar com uma lesão no tornozelo esquerdo. Além dele, nomes como Scott Machado, Léo Meindl e Rafael Hettsheimeir também foram preteridos pelo técnico Petrovic.

Esta é a primeira convocação da seleção brasileira para uma Copa do Mundo que possui ao menos dois jogadores com 20 anos (Didi e Yago) desde 2002. Na ocasião, os hoje veteranos Anderson Varejão e Leandrinho vestiram a camisa da seleção em um mundial pela primeira vez. A passagem de bastão pode ser muito simbólica, já que esse deve ser o último mundial da dupla. Além deles, Marquinhos, Alex e Marcelinho Huertas também trilham os seus últimos passos com o Brasil.

Esta oportunidade que Petrovic deu aos jogadores mais novos que atuam no Brasil veio acompanhada de algumas críticas ao basquete jogado no País. No final do ano passado, o treinador afirmou que os jogadores precisavam defender e utilizar mais o jogo de garrafão, além de citar que havia um volume muito alto de chutes da linha dos três pontos no NBB. Para o jornalista Fábio Balassiano, do blog Bala na Cesta, o croata não foi bem interpretado. “Petrovic me deixou bem claro que o problema são os arremessos que não são bem preparados, sem trabalhar a bola e pouco equilibrado. Até porque podemos observar que, com ele, a seleção roda mais a bola e o ataque flui melhor, inclusive com chutes de três”, afirmou.

A principal adversária do grupo do Brasil é a Grécia. A seleção foi vice-campeã da Copa do Mundo de 2006 - eliminou os Estados Unidos de LeBron James nas semifinais. Agora os gregos contam com o atual MVP da NBA, Giannis Antetokounmpo, mas, segundo Ricardo Bulgarelli, comentarista de basquete dos canais ESPN, eles são muitos mais do que o ala do Milwaukee Bucks. “O sucesso da Grécia passa também pelas mãos de Nick Calathes. Ele é um armador muito experiente, foi líder de assistências da última Euroliga e o fato dele estar ao lado de Giannis faz o time grego muito forte. Além dele, a equipe ainda tem destaques como Kostas Sloukas, Yannis Bourusis e Kostas Papanikolaou para darem trabalho à seleção brasileira”.

Já Montenegro e Nova Zelândia apresentam um nível de jogo mais parecido com o do Brasil. Os três países, inclusve, devem protagonizar disputa pela segunda posição do grupo. Em relação à seleção europeia, é preciso atenção com Nikola Vucevic, jogador do Orlando Magic. O pivô foi All-Star na última temporada, é o principal nome da equipe e deve ser fundamental no campeonato. Algo que anda falta no time verde-amarelo desde os tempos de Oscar Schmidt, um jogador decisivo.

“Nos últimos anos nós percebemos a falta que faz não ter um atleta que ponha a bola de baixo dos braços, pegue fogo nos momentos finais da partida e resolva. Tentaram o Leandrinho por muitos anos, mas ele não é esse tipo de atleta. O jogador que tem mais essa característica é Marquinhos, mas o fator da idade já pesa e ele não consegue fazer o mesmo que faz no NBB”, afirmou Denis Botana, do Blog e Podcast Bola Presa.

Sempre favoritos, os Estados Unidos seguem como uma forte equipe, mas não são vistos mais como imbatíveis. Na semana passada, a Austrália derrotou os comandados de Greg Popovich e ligaram o sinal de alerta na esquadra americana. Espanha, França e principalmente Sérvia são os principais candidatos a quebrar a hegemonia dos últimos cinco títulos dos norte-americanos em competições organizadas pela Fiba (Federação Internacional de Basquete).

Formato

Os primeiros colocados do Grupo F passam à segunda fase para enfrentar os dois primeiros do Grupo E, que tem EUA, Turquia, República Tcheca e Japão. No novo grupo, os resultados da primeira fase também contam para definir os dois times que avançam às quartas de final.

Por isso, sem vencer gregos ou americanos, as chances de o Brasil passar para o mata-mata tornam-se pequenas. EUA e Argentina são os favoritos para conquistar as duas vagas olímpicas das Américas. Os argentinos terão um cruzamento teoricamente mais fácil pelo caminho.

Depois de enfrentar a Nova Zelândia, os brasileiros encaram a Grécia, às 9h de terça-feira (3), e encerram a primeira fase contra Montenegro, às 5h de quinta (5). O SporTV transmite todas as partidas do País, além de outras da competição, que mudou de formato neste ano. Passou a contar com 32 seleções e classificação via eliminatórias continentais.

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