Brasil desafia favoritismo francês por vaga nas quartas

Seleção encara a ascendente anfitriã França, às 16h deste domingo (23), nas oitavas da Copa do Mundo

Recifense Bárbara, goleira da seleção brasileriaRecifense Bárbara, goleira da seleção brasileria - Foto: Assessoria CBF

A calculadora já não tem mais serventia. A necessidade daqui para frente na Copa do Mundo de futebol feminino, que está sendo realizada na França, é uma só: vencer. O mata-mata teve início neste sábado (22), com as classificações de Alemanha e Noruega, e se estende até a terça-feira (25). A seleção brasileira entra em campo neste domingo (23), às 16h, contra a anfitriã da edição 2019 do evento.

Para este confronto, o time deve contar com o retorno da experiente Formiga, que cumpriu suspensão contra a Itália e, segundo a equipe médica da seleção, está recuperada da entorse sofrida no tornozelo esquerdo, embora o técnico Vadão não a confirme entre as titulares. Assim, o único desfalque segue sendo a atacante Andressa Alves, que está fora do Mundial por conta de uma lesão muscular na coxa esquerda. Fica a expectativa se Vadão usará a meia Andressinha como titular após a boa partida dela contra as italianas.

A França deste Mundial é fruto de projetos de incentivo ao desenvolvimento do futebol feminino no país. São diversas ações que fizeram crescer o número de equipes de base e, consequentemente, de talentos descobertos. É francesa, por exemplo, a melhor equipe feminina da Europa na atualidade, o Lyon, dono de seis títulos da Liga dos Campeões, sendo os últimos quatro de forma consecutiva. A base da seleção é, justamente, do Lyon, dando à equipe um entrosamento diferenciado. O time brasileiro, por sua vez, carece de renovação. Tem um elenco mais velho e que costuma se encontrar somente nas datas Fifa, já que estão espalhadas em países da Europa, nos Estados Unidos e até na Ásia.

Brasil e França tiveram campanhas distintas na primeira fase. As brasileiras ficaram com a corda no pescoço e passaram em terceiro lugar no Grupo C, com vitórias em cima de Jamaica e Itália e uma derrota de virada para a Austrália. É fato que foi um grupo equilibrado, tanto que o Brasil, em terceiro, teve pontuação melhor do que seleções que passaram na segunda posição em suas chaves. No geral, a seleção fez a nona melhor campanha da fase de grupos.

As anfitriãs, por sua vez, venceram Coreia do Sul, Noruega e Nigéria, se classificando com 100% de aproveitamento. Mas, verdade seja dita, a vitória por 1x0 contra a Nigéria contou com ajuda do VAR, que voltou a cobrança de pênalti perdida por Renard por conta do adiantamento da goleira, mas não repetiu o lance quando Henry invadiu a área na segunda cobrança, convertida. Polêmicas à parte, as francesas avançaram com moral e ainda contam com o apoio maciço do torcedor local.

Isso, porém, não assusta. Pelo menos não a seis vezes melhor do mundo, a atacante Marta. Em entrevista durante a semana, ela disse que achava até melhor jogar com o estádio cheio. “Jogar contra o anfitrião é privilégio. Você vai jogar um jogo que vai estar lotado, com a galera gritando. Eu gosto de jogar com torcida, seja a favor ou contra, mas que tenha gente olhando a gente”, disse a maior artilheira das copas mundo, com 17 gols marcados.

Brasil e França só se enfrentaram uma vez em disputas de Copa do Mundo ou Jogos Olímpicos, eventos de maior importância da modalidade. Em 2003, no Mundial realizado nos Estados Unidos, as duas seleções empataram por 1x1 na terceira rodada da fase de grupos. O gol do Brasil foi marcado por Kátia Cilene. Naquela ocasião, as francesas precisavam vencer para tirar as brasileiras da competição. Com o empate, o Brasil avançou em primeiro lugar, com sete pontos, a Noruega em segundo, com seis, e a França, com quatro, acabou eliminada.

Depois desse encontro em 2003, brasileiras e francesas se enfrentaram outras sete vezes, sempre em jogos amistosos. O retrospecto é amplamente favorável às adversárias, que venceram três jogos. Os outros quatro foram empates. Em março de 2013, as equipes duelaram duas vezes: 2x2 e 1x1. Em 2014, mais um placar de igualdade, dessa vez sem gols. Mais tarde, no mesmo ano, a França conseguiu a primeira vitória contra o Brasil, por 2x0. Em 2015, nova vitória das “Les Bleues”, agora por 2x1. No ano seguinte, outro empate por 1x1.

O mais recente encontro entre as seleções aconteceu no ano passado, com triunfo francês por 3x1. Em casa, as francesas buscam sua melhor campanha em uma Copa do Mundo. Até então, o resultado mais expressivo foi o quarto lugar obtido em 2011. Já a seleção brasileira tem o vice-campeonato em 2007 como melhor resultado. Quem vencer o confronto deste domingo encara nas quartas de final o vencedor de Espanha x Estados Unidos, duelo que acontece na segunda-feira.

Ficha do jogo

França

Sarah Bouhaddi; Marion Torrent, Griedge Mbock, Wendie Renard, Amel Majri; Kadidiatou Diani, Elise Bussaglia, Amandine Henry, Eugenie Le Sommer; Valerie Gauvin e Gaetane Thiney. Técnica: Corinne Diacre.

Brasil
Bárbara; Letícia Santos, Kathellen Souza, Mônica, Tamires; Formiga, Luana (Andressinha), Marta, Thaisa Moreno; Debinha e Cristiane. Técnico: Vadão

Local: Stade Océane (Le Havre)
Horário: 16h (de Brasília)
Árbitra: Marie-Soleil Beaudoin (CAN)
Assistentes: Princess Brown (JAM) e Stephanie-Dale Yee Sing (JAM)
Transmissão: Rede Globo, Band, SporTV

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