Brasil inicia Copa do Mundo feminina em novo patamar

Seleção feminina estreia na Copa, neste domingo (9), contra a Jamaica, sonhando com inédita conquista

Time comandado pelo contestado Vadão precisa superar desfalques para fazer bom Mundial Time comandado pelo contestado Vadão precisa superar desfalques para fazer bom Mundial  - Foto: CBF/Divulgação

A estreia da seleção brasileira de futebol feminino na Copa do Mundo da França acontece neste domingo, em Grenoble, a partir das 10h30, contra a Jamaica, que disputa o torneio pela primeira vez. A partida é válida pela rodada inicial do Grupo C da primeira fase. Antes, às 8h, Austrália e Itália se enfrentam na abertura da chave. Diferente das últimas edições, a equipe nacional não figura entre as favoritas ao título, embora também não possa ser totalmente descartada, já que tem peças de excelente qualidade em seu elenco e o futebol apaixona justamente por ser uma caixinha de surpresas.

A maioria do grupo atua em times de referência nos Estados Unidos e na Europa, uma vez que o Brasil não tem um calendário que preencha toda uma temporada e o nível do Nacional é questionável. Isso, por sinal, é um dos problemas da seleção, já que as atletas têm mais dificuldade no entrosamento e, sob o comando de Vadão, parecem não encaixar como conjunto. O treinador, inclusive, entra na segunda Copa da carreira mais contestado do que nunca.

Outro aspecto que pesa é o fato de as referências da equipe já não serem mais tão jovens. A falta de investimento na base prejudica a descoberta e formação de novos talentos. Fora isso, o elenco tem sofrido com lesões. Principal estrela, Marta ainda se recupera de uma lesão na coxa esquerda e não se sabe a real condição dela, tampouco se jogará neste domingo. Até sexta (7), a jogadora fazia somente trabalho de transição. Ao todo, a seleção já sofreu três baixas. A última foi a zagueira Érika, cortada por lesão na panturrilha. Daiane foi convocada para o seu lugar. Antes dela, a atacante Adriana e a lateral-direita Fabi Simões também foram vetadas por lesão. Luana e Poliana são as substitutas, respectivamente.

Apesar de estreias serem jogos mais tensos, o Brasil terá pela frente o adversário teoricamente menos complicado do grupo. A equipe jamaicana chegou a ficar três anos sem jogar por falta de subsídios, até que a estilista Cedella Marley soube da situação das Reggae Girlz e tornou-se embaixadora da modalidade no país. Através da Fundação Bob Marley, de quem é filha, conseguiu levantar dinheiro para reativar o time, que vem de um surpreende terceiro lugar na Copa Ouro Concacaf 2018, quando conquistou a vaga no Mundial.

As brasileiras precisam de um resultado positivo logo de cara para espantar o momento ruim. São nove derrotas nos últimos dez jogos. E, mesmo que amistosos não tenham o mesmo peso motivacional de uma Copa, o “bater na trave” seguidas vezes gera desgaste. Além disso, o segundo jogo será contra a Austrália, que sempre apresenta times bem encaixados e é uma conhecida de longa da data do Brasil. Foi responsável por eliminar a seleção nas oitavas do Mundial de 2015 e quase repete o feito nas quartas dos Jogos Rio-2016, só que, nos pênaltis, brilhou a goleira recifense Bárbara, que defendeu duas cobranças.

Dito isso, é interessante vencer a Jamaica para evitar pressão na segunda rodada. Até porque o último confronto da primeira fase é, por enquanto, uma incógnita. A Itália é considerada uma emergente no futebol feminino dado o investimento realizado nos últimos anos, reforçando, principalmente, o seu campeonato nacional. Espera-se um time entrosado, uma vez que a base da seleção atua junta na Juventus.

As duas seleções mais bem colocadas de cada chave se classificarão para as oitavas ao lado das quatro melhores terceiras colocadas entre os seis grupos. O desempenho do Brasil na primeira fase pode interferir diretamente no quão longe a equipe irá. Passar em primeiro seria o cenário perfeito, já que a adverária seria uma terceira colocada. Em segundo, os riscos já aumentam, pois o cruzamento é com o segundo lugar do Grupo A, provavelmente Noruega, sempre complicada, apesar de não ter sua principal atleta, Ada Hegerberg, ou França, anfitriã, com a base do PSG. Se for terceiro, além de França e Noruega, a favorita Alemanha, atual campeã olímpica, também surge como possível adversária.

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Ficha técnica

Brasil
Bárbara; Leticia, Monica, Kathellen e Tamires; Formiga, Thaísa, Andressa Alves e Marta; Bia Zaneratto e Cristiane (Ludmila). Técnico: Vadão.

Jamaica
S. Schneider; Bond-Flasza, A. Swaby, Plummer e Blackwood; Solaun, C. Swaby e Sweatman; Williams, Shaw e Carter. Técnico: Henry Menzies.

Local: Stade des Alpes (Grenoble/FRA)
Horário: 10h30
Árbitro: Riem Hussein (ALE).
Transmissão: TV Globo e SporTV

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