Breaking Dance

Breaking: a modalidade olímpica que levará a cultura de rua a Paris-2024

Dança, música, moda e estilo de vida estão mesclados num dos braços do movimento Hip Hop; evento no Parque Madureira neste fim de semana reúne atletas nacionais e estrangeiros

Atleta durante apresentação de Breaking DanceAtleta durante apresentação de Breaking Dance - Foto: Marcelo Maragni/ Red Bull

Do toque de mãos obrigatório, a conversa ruma para a “session” que cada um tem em mente. Alguns vão privilegiar os “power moves”; outros o “foot work”. Mas o que importa é que tudo seja feito no feeling, e com muita musicalidade. Seja um papo com sotaque paulista ou paraense, quem é do movimento reconhece facilmente os códigos do breaking, nova modalidade olímpica que transcende o esporte e a dança e faz parte de um estilo de vida próprio da cultura de rua. Um pouco desse mundo será apresentado no evento Breaking de Verão, competição internacional que acontece sábado e domingo no Parque de Madureira, com 32 atletas nacionais e estrangeiros. A TV Globo transmite domingo, às 10h.

Todo breaker, ou b-boy/b-girl, como são identificados, têm na ponta da língua as bases desse movimento que é um dos quatro braços da cultura hip hop (o rap, o grafite e a discotecagem são os outros), nascida nos Estados Unidos, mas disseminada por todos os cantos do mundo. Não à toa, o evento contará com a presença do francês Lagaet, um dos principais atletas do país, e da alemã Jilou, medalha de bronze no Mundial de Breaking em Paris, que será sede dos próximos Jogos Olímpicos, em 2024. Atualmente, os principais expoentes da cena são Japão, China, Rússia e Holanda.

Em qualquer desses lugares, os festivais de breaking falam a mesma língua numa cultura que mescla dança, música, esporte, moda e artes visuais. Enquanto o MC apresenta o evento, o DJ discoteca para as batalhas dos dançarinos, os grafiteiros fazem sua arte.

— Só o breaking consegue, hoje em dia, sempre reunir os quatro pilares do hip hop. É uma cultura urbana, negra, que abraça todo mundo com seu próprio estilo. É um estilo de vida que agora virou modalidade olímpica — diz Pelezinho, curador do evento e um dos principais nomes do Brasil.

Assim como o skate rejuvenesceu as Olimpíadas, com adolescentes subindo ao pódio, o breaking chegará a Paris para levar a cultura de rua. Treinos físicos, preparação mental e cuidados com alimentação entraram em cena.

—Antes mesmo de fazer parte dos Jogos, já vinha surgindo essa necessidade. Já praticávamos exercícios como preparação para dança. Já tínhamos essa ideia de saúde e performance, e muitos já estão contando com esse tipo de suporte. Vai ser benéfico para todo mundo — diz Luan FF, do grupo Funk Fockers.

A profissionalização não assusta quem faz parte do movimento. Sempre haverá espaço para todos, e o compartilhamento de ideias e arte continuará sendo fundamental.

— É como se fosse uma escola da arte de rua, com um pensamento sempre positivo e saudável. Salva a vida de muitas pessoas. As competições, batalhas, são só uma parte e dependem da intenção de cada um — completa Luan FF, de 30 anos.

O Funk Fockers é um bom exemplo do que significa esse estilo de vida. As competições são apenas um braço do grupo, que trabalha em várias frentes. Eles têm marca própria de roupa, projetos de áudio visual em parceria com outros coletivos, trabalham como jurados de eventos e fazem workshops pelo país.

— A competição em si é a cereja do bolo. Vamos ter atividades fora das batalhas, com workshop, bate-papo sobre a cena. A ideia é mostrar o movimento cultural gerado pelo hip hop. Bem na linha do skate, que era marginalizado e virou modalidade olímpica — explica o idealizador do evento, Fernando Bó.

A história da cultura de rua replica a sociedade como um espaço predominantemente masculino. O crescimento do breaking, no entanto, vem fazendo a cena mudar. Hoje, há b-girls reconhecidas e a luta por igualdade também faz parte do movimento. Mayara Mini Japa, de 27 anos, é uma das que ajudaram a balançar as bases dessa estrutura machista.

De Belém, ela formou o grupo “Icamiabas”, referência a uma lenda indígena que conta a história de uma tribo de mulheres guerreiras sem homens.

— Por um tempo, eu era a única representante forte na cena. Os eventos só tinham competições de b-boys, ou quando tinham b-girls a premiação era diferente — recorda ela, que já se recusou a participar de júri ao saber que as mulheres receberiam menos.

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