Cadeirante é exemplo de superação na Refeno

Médico realizou desejo de fazer a travessia numa embarcação e ainda aproveitou para pescar durante o trajeto

"Me deram o melhor lugar no barco, foi tudo excelente""Me deram o melhor lugar no barco, foi tudo excelente" - Foto: Tsuey Lan Bizzocchi/Cabanga//Divulgação

"Minha cabeça é minha cura". Mais do que uma simples frase de auto-ajuda, esse é o mantra que rege a vida do médico Rodrigo Siqueira Campos. Especializado em nutrologia, ele sofreu um grave acidente, aonde perdeu o movimento dos membros inferiores e há quatro anos tem a cadeira de rodas como parte da sua vida. Único cadeirante nesta 30ª Regata Recife-Fernando de Noronha (Refeno), Rodrigo realizou um dos seus sonhos ao fazer a travessia a bordo da embarcação Toro, que levou cerca de 45 horas para chegar ao arquipélago. "A Refeno era como num namoro à distância, mas nunca dava certo. De barco é a primeira vez em Noronha", comentou orgulhoso e agradecido. "Me deram o melhor lugar no barco. Foi tudo excelente. Pescamos ainda três atuns e um dourado. Virou sushimi", aproveitou para deixar o repórter com inveja.

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Sorridente e de fala calma, Rodrigo não tem problema em relembrar o acidente do dia 4 de outubro de 2014. Após uma festa em Marinha Farinha, litoral norte de Pernambuco e aonde sua família tem casa, o médico não quis esperar a chegada do marinheiro e decidiu pular de onde estava para o mar para ir nadando para assim buscar o barco por conta própria. Porém, a maré estava baixa, com apenas "dois palmos de água", como relata o médico, e com a queda ele fraturou cinco costelas, a sexta e a sétima vértebra torácica, tirando os seus movimentos da altura do estômago para baixo.

Passado o susto, a retomada na vida poderia ser lenta ou até mesmo conturbada, mas Rodrigo preferiu um caminho mais leve. "A cabeça é que o grande segredo. Eu nunca entrei em depressão pelo acidente e nunca deixei de fazer nada. O apoio da família é fundamental. Voltei logo a dirigir, andar de jet ski, de lancha... Meus esportes sempre foram na água. Com dois meses pós-lesão eu já me tornei independente, já dirigia", relembra.

Na sua rotina, ele começa o dia no seu consultório, em seguida vai para a academia, passeia com o cachorro e depois descansa. Sobre o que ele mais sente falta após o acidente, Rodrigo nem pensa duas vezes, escolhendo um ato simples que gostaria de retomar. "Eu gostava muito de correr na rua. Botava um dinheiro no bolso e saia por 10, 15 quilômetros. Isso me faz falta, mas é um detalhe. O lado social eu não sinto tanta falta. Eu era baladeiro, mas já estava parando. Mas não deixei de ir não. Não deixei de fazer nada", assegura.

Por último, a esperança da cura é inegável ao ser questionado sobre qual é o seu grande sonho. "Um eu acabei de realizar, que foi participar da Refeno. Outro é voltar a andar. Se o cara disser que não fica na esperança é mentira. Saiu uma última pesquisa em que alguns voltaram a andar. Vamos ver", finalizou, cheio de esperança, mas sobretudo, cheio de vontade de viver.

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