Caixa-preta deve desvendar lacunas da queda de avião

As informações obtidas a partir das caixas poderão explicar lacunas ainda não preenchidas sobre a tragédia

Supremo Tribunal FederalSupremo Tribunal Federal - Foto: José Cruz / Agência Brasil

 

Uma sala com isolamento acústico e profissionais técnicos com pulseiras capazes de equilibrar a tensão elétrica entre o corpo e os equipamentos com que trabalham. Será em um laboratório assim, em Farnborough, a aproximadamente 70 km de Londres, que a partir desta semana deverão ser decodificadas as duas caixas-pretas retiradas dos destroços do voo da LaMia que transportava a equipe da Chapecoense e caiu na última terça, antes de chegar ao aeroporto de Medellín, matando 71 pessoas.
Embora existam fortes indícios de que a aeronave não cumpriu as regras sobre a quantidade adequada de combustível e de que tenha sofrido uma pane seca, as informações obtidas a partir das caixas poderão explicar lacunas ainda não preenchidas sobre a tragédia.

O plano de voo apresentado antes da decolagem apontava que a aeronave tinha quantidade de combustível no limite para se deslocar entre a Bolívia e a Colômbia, sem nenhuma margem para riscos, como prevê a regra.

No caso da caixa que grava o áudio da cabine do avião, será possível, por exemplo, ouvir o que o piloto, Miguel Quiroga, disse à sua tripulação e aos passageiros durante o voo – revelando até que ponto ele poderia ter ciência dos riscos.

A caixa que grava os dados de desempenho do avião ao longo do voo poderá mostrar se os indicadores no painel dos pilotos sofreram alguma avaria, o que impediria de avaliar o consumo de combustível, por exemplo. Ou ainda se houve algum problema que resultou em maior gasto de combustível.

O trabalho é apenas uma par­te das investigações feitas pelas autoridades colombianas sobre o acidente, que de­vem demorar mais de seis me­ses para serem concluídas.

O especialista em aviação Lito de Sousa aponta que o foco da investigação é sempre entender que fatores, hu­manos ou mecânicos, po­dem ser aprimorados.

“Não basta saber se foi pane seca. Deve-se saber por que a pane seca ocorreu. E quando se chegar a essa resposta, outras perguntas se­rão feitas”, explica. “Dizer que um avião caiu por pane seca não acrescenta em nada à segurança da aviação.”

 

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