CBB não se explica e recua de apelação contra punição

Entidade não apresentou defesa, marcada para ontem, porém admitiu dificuldades e voltou a falar em surpresa com sanção

Paulo Câmara (PSB) durante a 9ª Caravana da Educação, no Sertão do AraripePaulo Câmara (PSB) durante a 9ª Caravana da Educação, no Sertão do Araripe - Foto: Aluisio Moreira/SEI

Suspensa do quadro de filiados da Federação Internacional de Basquete desde a última segunda-feira, sob alegações de, entre outras coisas, não cumprir com suas obrigações gerenciais, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) divulgou nova nota em seu site oficial na noite de ontem. O comunicado, que repetiu o primeiro, divulgado no dia da suspensão, ao dizer que a entidade “foi surpreendida pela suspensão temporária, pois acreditava que todas as mudanças destacadas pela Fiba seriam e poderiam ser implementadas sem a suspensão”, trouxe como novidade a mudança no tom de aceitação da punição.
De início, a postura era tomar medidas legais para recorrer à sanção. Agora, o discurso pende mais para a aceitação ao citar que “a CBB reconhece o momento de dificuldade e entende a posição da Fiba, e não irá recorrer de sua decisão”, diz a publicação.

A Confederação Nacional convocou ainda uma coletiva de Imprensa para a próxima segunda-feira, às 10h, na sede do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), no Rio de Janeiro.
O posicionamento da CBB, presidida por um criticado Carlos Nunes, frustrou àqueles que esperam esclarecimentos mais detalhados do gestor. No dia em que fora anunciada a suspensão, a entidade divulgou uma nota na qual prometia prestar esclarecimentos públicos, ontem, sobre todos os tópicos questionados no relatório da Fiba. No entanto, com Nunes em viagem à Porto Alegre, restou adiar o compromisso.
Enquanto isso, o basquete nacional amarga um problema atrás do outro. Como a punição da Fiba se estendeu aos clubes, os cariocas Flamengo e Bauru foram retirados da Liga das Américas, fato que não agradou à Liga Nacional de Basquete (LNB), que organiza o principal campeonato do País, o Novo Basquete Brasil (NBB) e à qual as equipes são filiadas. “A LNB reitera o apoio que sempre prestou à Fiba e entende que tal ato é compreensível na medida em que se busque o caminho para a retomada do crescimento do basquetebol no Brasil”, diz um trecho do documento. “Apesar de não fazermos parte dos problemas verificados pela Fiba, queremos e nos colocamos à disposição para fazer parte da solução, a qual certamente não passa pela punição aos clubes brasileiros”, completa.
Carlos Nunes assumiu como presidente da CBB em 2009 e está no fim do segundo mandato. A gestão dele ficará marcada por uma severa crise institucional e financeira. Há cerca de um ano, uma reportagem da ESPN escancarou a conduta questionável da entidade em relação às finanças, com extratos de gastos particulares do presidente e de sua esposa, em viagens pelo exterior, pagas com o cartão coorporativo da CBB.
Mais grave que isso é o descaso com o trabalho técnico da modalidade. Não há projetos sólidos para a renovação do basquete nacional, faltam competições para as categorias de base. As equipes principais também não estão imunes, principalmente a feminina, que “ganhou” uma diretora técnica neste ano depois de um boicote das atletas à convocação para o evento-teste olímpico. Isso sem falar na falta de planejamento para o time, que pouco treina junto antes de disputar eventos porque não há organização.

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